Integrante do CUS sofre ataque homofóbico no Rio de Janeiro

fevereiro 26, 2019 0 Por LS
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Imagem: Janaina Calaça

 

O integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade, Matheus Santos, foi vítima de homofobia ao ser agredido na última segunda, na Lapa, no Rio de Janeiro.

Matheus, que é um dos fundadores do grupo, escreveu um texto sobre o que aconteceu (leia abaixo) e atualmente realiza seu curso de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Ele foi barbaramente espancado e xingado porque estava beijando um outro rapaz. É mais uma vítima dessa crescente violência que assola todas as pessoas que externalizam as suas diferenças, sejam elas sexuais, de gênero, religiosas etc. O CUS está indignado e presta todo o apoio possível ao Matheus”, disse Leandro Colling, coordenador do grupo.

Os coordenadores do programa de pós-graduação onde Matheus estuda, também lançaram uma nota nas redes sociais. “Viemos nos solidarizar com nosso aluno de doutorado Matheus Santos que, no último domingo, foi criminosamente agredido por motivo de homofobia. Sabemos que em nossos tempos as violências são muitas mas não podemos nos calar diante de qualquer forma de discriminação. Deixamos em nome de nossos professores, funcionários e estudantes aqui nosso forte abraço a ele e desejando que este fato lamentável seja mais uma razão para nos mobililzar por uma sociedade mais justa que inclua a criminalização da homofobia”, disseram os professores Denilson Lopes e Paulo Vaz, da coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ.

Eis o texto de Matheus na íntegra:

“Ontem fui espancado. Atacado pelo ódio. Alvo da mais pura inveja do meu desejo. Estava na Rua do Ouvidor, no festival Amanhecer contra a redução da maioridade penal. Era por volta de uma da manhã. Conheci um garoto e nos beijávamos em uma rua próxima quando fomos violentamente agredidos por dois homens que nos deram socos e chutes enquanto nos hostilizavam verbalmente, denunciando nossa “afronta” por estarmos ali, existindo e vivendo nossos afetos. Ele conseguiu correr, eu fui jogado no chão e achei que fosse morrer frente à raiva desmedida dos meu agressores. Gritei com toda minha força pedidos de ajuda; ninguém. Desviei como pude, me defendi até onde deu, consegui sair aos tropeços. Corri com a roupa destroçada em meio às pessoas até encontrar o garoto assustado, com o olho inchado e também em choque. Nos abraçamos e nos percebemos felizes por estarmos vivos. Foi um momento bonito em meio a tanta desgraça. Apesar de tê-lo conhecido minutos antes, soube ali que estávamos profundamente ligados pelo nosso desejo desviante, e que nosso afeto anormal vem acompanhado da experiência da injúria, pela qual somos marcados e que, creio, pode nos unir como coletivo monstruoso -e perigoso.

Enquanto apanhava, eu temia por minha vida, mas não só. Senti que cada chute tentava por abaixo uma rede que vai muito além de mim. Cada soco ou palavra de ódio se dirigia a um grande coletivo do qual faço parte. E, em certa medida, eu já havia experienciado aquilo por outras vias; através da arte, da literatura, dos relatos policiais mas, principalmente, através da vivência de amigxs. Da minha própria vivência na Babilônia; não cheguei aqui à toa, toda bixa sabe do que estou falando, ou deveria saber. Maycon, Kleper, Pedro, Nicole, Van, Nicolas, Roberta e muitxs, muitxs outrxs… Eu era muitxs naquele momento. Sou muitxs agora.

Afasto-me de toda culpa; corro em direção à liberdade e me vejo extremamente desejoso, para o azar deles. Não darei nenhum passo atrás. Não morri ontem, mas um jovem de 14 anos sim. À pauladas & pedradas. Quero mais do que nunca estar em manada. Virar bomba relógio. Tic Tac Boom. Auto-defesa é pra ontem, amigxs. A guerra civil está aí e é atravessada por diversas forças: O que aquela dupla fazia num evento contra a redução da maioridade penal? Qual a intersecção entre viadagem e etarismo? Viadagem, etarismo e classe? Viadagem, etarismo, classe e raça & encarceramento?

Não abandonarei a cidade, continuarei produzindo com ela os nossos desejos mais perversos.

Nunca saímos da barbárie/cultura e diante dela só nos resta a radicalização.

Em tempo: dispenso conselhos sobre B.O., ainda que os mais bem intencionados.”

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