Políticas do CUS

Tiago Sant'Ana

Tiago Sant'Ana

30 Julho 2015 In Notícias 0 Comentário

 

desfazlogo

 

A Coordenação do II Seminário Desfazendo Gênero publicou a lista de pessoas selecionadas para a monitoria do evento.  Todas devem comparecer à primeira reunião de organização no dia 6 de agosto às 18h30 no auditóri do PAF V, na UFBA, em Ondina. 

Dúvidas sobre a monitoria devem ser enviadas para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

O Desfazendo Gênero acontece entre 04 a 07 de setembro, em Salvador (BA), com o tema “Ativismos das dissidências sexuais e de gênero”.

 

  1. Adrielle Coutinho
  2. Aline Pereira
  3. Arthur Suzzart da Paz Melo
  4. Diana Silva Santos
  5. Débora Melo
  6. Corvo Torto
  7. Flavia Cohim
  8. Michelle Miranda Setubal
  9. Monica Santos
  10. Rejane Matos
  11. Adriana Carla F. Argolo
  12. Adriano Duarte
  13. Agatha Larissa do Nascimento dos Anjos
  14. Alan Barbosa
  15. Aline Reis
  16. Aminne Zamilute Paiva
  17. Ana Keila Carvalho Vieira
  18. Anamélia Carvalho
  19. André Melo
  20. Andressa Carvalho Santos
  21. Andreza dos Santos Silva
  22. Ariane Senna
  23. Bennie
  24. Bia Menezes
  25. Bruna Maia
  26. Caio Araújo
  27. Carla Reis
  28. Carlos Franco
  29. Céu Cavalcanti
  30. Chirlene Oliveira De Jesus Pereira
  31. Cristina Fernandes
  32. Cristiane Conceição Lima
  33. Daiane Araújo
  34. Danielly de Jesus Oliveira
  35. Danillo Marttinelle
  36. Danilo Daltro
  37. Eliane Lima
  38. Érica Araújo
  39. Felipe Costa de Brito
  40. Fernanda Mesquita
  41. Gabriel Santos
  42. Gabriel Silva Oliveira
  43. Gabriela de Amorim Dantas
  44. Gabriela Porto
  45. Genário
  46. Henrique Pereira Pinto de Oliveira
  47. Hianca Santos
  48. Hilda Lisboa
  49. Hingrid Seabra
  50. Igor Tiago
  51. Índia Gabriela
  52. Irlanmica Tripoli
  53. Isabela Costa de Santana
  54. Jean Corrêa
  55. José Antonio Correira de Souza
  56. Kelly Leal
  57. Kim de Vasconcelos
  58. Laércio Sotan
  59. Laís Di Oliveira
  60. Lais Pereira
  61. Larissa Neves de Souza Nunes
  62. Leila Carina
  63. Loyana Araujo
  64. Ludmila Souza
  65. Luis Ernesto de A. Picanço
  66. Luiza Ramos Tavares
  67. Magnolia Santos
  68. Maiara Pedral
  69. Márcia Regina Araújo da Cruz
  70. Maria Carolina de Araújo coutinho
  71. Maria Clara Góes
  72. Mariana Figueiredo
  73. Marina Coura
  74. Marta
  75. Max Müller
  76. Naiane Alves
  77. Naiara  Brito
  78. Patrícia Lima dos Santos
  79. Paulo Fabrício Del Rey
  80. Sandra Muñoz
  81. Raquel Araujo
  82. Rayan Caetano Rybka
  83. Rebecca Patas
  84. Rodrigo Ribeiro
  85. Rosa Maria
  86. Rozin Daltro
  87. Sandro C.
  88. Stefany Homem
  89. Stephany Gama
  90. Suzan Magalhães
  91. Taiana Aguiar
  92. Tamilis Souza
  93. Tamires Umburana
  94. Thainara Fidelis dos  Santos
  95. Thais Cristina
  96. Thais Meireles
  97. Valdomiro Nascimento
  98. Vinícius Virgens
  99. Vinícius Zacarias
  100. Yuri Sant'Anna

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
23 Outubro 2014 In Notícias 0 Comentário

Denise Bastos de Araújo - doutoranda em Cultura e Sociedade e integrante do CUS.

A nossa escola nasce primeiramente para os meninos e somente muito depois é que as meninas são admitidas e mesmo assim com uma reformulação curricular que privilegiou os chamados “papéis de gênero”, com disciplinas diferenciadas para as meninas e os meninos. Somente muito tempo depois é que acontece a democratização do ensino, mas ainda por muito tempo manteve-se com a inspiração inicial.

A escola sempre foi colocada como o lugar onde se aprende. Aprende o que? Não pretendo aqui trazer uma proposta curricular para a escola, mas refletir como e o que se aprende ou o que não se pode aprender na escola de hoje. Conhecimentos das variadas disciplinas, conviver com o outro, brincar, partilhar assuntos e brincadeiras, os primeiros namoricos, enfim, a escola, se não é, deveria ser o lugar da convivência e também do debate sobre qualquer tema.

O que de fato temos é uma escola que tem como norma a heterossexualidade obrigatória, cujo modelo aparece nos livros didáticos, nos espaços de brincadeiras e também em certas atividades. A possibilidade de inserir reflexões sobre o desejo e as sexualidades é quase nula, mas deveria entrar em seu currículo de forma interdisciplinar. Esses ainda são assuntos silenciados e/ou tratados sob a égide do preconceito e da discriminação. Basta que a sala tenha um menino ou uma menina que não cumpra as normas de gênero e sua vida escolar passa a ser cotidianamente atormentada por variadas formas de violência.

       

                                                    

A escola mudou em alguns aspectos, mas em outros permanece quase a mesma porque tais assuntos continuam sendo tabus. Não há mesmo como falar? É que existe uma série de impedimentos, por exemplo: os melindres dxs professorxs que não tiveram preparação para lidar com as sexualidades em suas licenciaturas; a disseminação de religiões fundamentalistas entre os próprios pais/mães/professorxs que reprovam ou demonizam as sexualidades, em especial as transgressoras; a preocupação da gestão em não incomodar ou ferir os “princípios” da família dxs estudantes (talvez esse último pudesse ser resolvido com reuniões entre as partes, o que já está previsto no calendário escolar). Tudo isso acompanhado da suposta ideia de que existe uma idade para cada conhecimento e que todas as crianças aprendem da mesma forma e no mesmo ritmo.

Hoje, principalmente com as novas tecnologias, e em especial com a disponibilidade de uso da internet, não existem mais os “segredinhos do sexo” das antigas gerações. Quem não quiser ver vai ter de fechar os olhos, mas xs nossxs jovens têm sim acesso a todas as informações que desejam para suprir suas curiosidades. Ora, se dão show quando atendem ao pedido de socorro dos mais velhos na hora de fazer certo download, cadastrar no facebook ou qualquer outro procedimento que as tecnologias exigem e que nós, os adultos, não as dominamos, por que eles não buscariam quaisquer outras informações disponíveis em sites de fotos e filmes?

Pensando sobre as formas como aprendemos, me encanto com a revolução tecnológica que, de certa forma, derrubou barreiras, alguns muros da escola. Quer saber? Abre o google, ligue a TV, entre no facebook. Está lá para discutir, para compartilhar ou curtir. É, de fato, como De Lauretis* nos ensinou. Aqui, em especialtrago reflexões sobre os ensinamentos formal e informal sobre ser homem e ser mulher. Afinal, as restrições de cada sexo são oponentes, definidas e reafirmadas cotidianamente, em uma incansável lenga lenga que envolve cores, modos, gostos e formas de ser, falar, dançar e por aí vai. Não existe arrefecimento, e o treinamento é repetitivo. Especificamente nesse caso, é também consensual entre escola, família, igreja, estado e mídia, que mantêm-se unidos na tarefa de adotar, prioritariamente, apenas os dois modelos.

Pois bem! Em 2010 houve uma tentativa de quebrar o silêncio sobre as demais sexualidades, quando o projeto “Escola sem homofobia” foi criado (ver os vídeos aqui). Tive a oportunidade de fazer a formação para a utilização do que foi apelidado de “kit gay”. Um material pedagógico que reuniu vídeos e cartilha capazes de gerar discussões na escola sobre as sexualidades, para além do modelo heteronormativo. Muito interessante! Mas a presidenta Dilma Roussef vetou o kit e a história acabou por ali, ou melhor, o silêncio sobre as sexualidades permaneceu oficialmente nas escolas, apesar de os movimentos sociais jamais arrefecerem em suas lutas.

Em 2014, a eleição presidencial providencialmente reabriu as discussões sobre as sexualidades transgressoras em nível nacional com o debate na TV. Não entro no mérito aqui se as falas dxs candidatxs se constituíram enquanto propostas concretas dos partidos, e para esse esclarecimento veja o artigo de Leandro Colling aqui. É Luciana Genro quem tocou na ferida e os debates na TV promovem o aparecimento das saias justas. Sem trégua, o candidato Fidelix representou a moral hipócrita de nossa sociedade. Ele vomitou impropérios que me fizeram lembrar a afirmação de que “a homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados” do doutor Drauzio Varella, disponível aqui. De fato, falta informação, não porque elas não existam, mas sim porque o senso comum prevalece ditando normas heteronormativas como as únicas que são consideradas saudáveis.

Dessa forma, naquela ocasião, o discurso do conservadorismo sobre qualquer forma de sexualidade não hegemônica foi acionado pelo candidato Fidelix e passa a ser caracterizado, por algumas pessoas, como liberdade de expressão, quando se percebe que o candidato pode estar incitando as pessoas contra as sexualidades transgressoras, ao tempo que se vangloria de pertencer a uma maioria heterossexual. Fidelix, portanto, demonstra conceber apenas homens machos e mulheres fêmeas na totalidade da humanidade. Para ele, não podem existir pessoas LGBT com cidadania plena, porque os direitos humanos são privilégios de sua forma de expressar sexualidade, considerada normal e universal, como se a própria heterossexualidade não se exercitasse com infinitas variações em suas práticas.

Se os debates foram realizados em horário impróprios para as crianças que, de forma contumaz, dormem mais cedo, isso não se configura como a impossibilidade de acesso à informação. Amanhã aparece na TV, nas redes sociais, na conversa da vizinha, no intervalo entre as aulas. Outra possibilidade é a de que o assunto seja tocado na sala de aula. Dependendo dx professorx, ele pode ser tratado com um “- Esse assunto não é da aula. Abram o livro na página tal”, ou ainda render uma conversa, que pode ter cunho moralizante ao patologizar as transgressões ou, em uma possibilidade de trocas, de escuta, no sentido também de compartilhar saberes. Ou seja, para que de fato esses assuntos sejam abordados na sala de aula, depende de uma infinidade de possibilidades, justamente por faltarem políticas públicas para as questões de gênero e de sexualidade para a educação, ao tempo que me parece que os pressupostos queer podem subsidiar esse caminhar, na medida em que essa teoria problematiza a heterossexualidade obrigatória.

Nos falta educação nesse sentido porque nos faltam modelos, e dessa forma o senso comum sobre as sexualidades impera, porque nele o que é estranho não merece respeito. O resultado dessa forma de pensar pode gerar homofobia, transfobia, lesbofobia, que têm como resposta os baixos índices de aproveitamento, quando não provocam o abandono escolar.

Constituímos um Estado laico, mas algumas religiões fundamentalistas insistem em demonizar certas formas de sexualidade. No entanto, sem pretender ter todas as respostas, intuo que a escola está sem muros; se as portas estão semi abertas, garanto que as “janelas” estão escancaradas. Obviamente tudo pode entrar e o sentimento é o de que deve mesmo ser assim, mas apostando sempre em uma educação voltada para a diversidade: não sexista, não racista e não homofóbica.

O que se tem escutado amiúde a respeito de qualquer problema do Brasil é que a resposta está na educação. É verdade, também concordo. Embora a escola seja um espaço necessário para a formação dxs jovens, quero afirmar que não é somente a escola que ensina. Que todo espaço, experiência e pessoas que encontramos nos ensinam, mas o ideal para a formação cidadã é que tenhamos uma multiplicidade de modelos, sem restrições ou censuras. Afinal, em que idade mesmo começaram a nos “educar”? Meu palpite é que foi em primeiro lugar com a escolha da cor do nosso enxoval de nascimento a partir do período pós ultrassonografia, e em segundo com a escolha dos nossos brinquedos.

*LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Login