Políticas do CUS

19 Outubro 2016 In Notícias

 

Infâncias, violências e sexualidade: uma aventura autobiográfica com Pedro Almodóvar. Esse é o título da dissertação de mestrado que Ramon Fontes irá defender no próximo dia 20 de outubro (quinta-feira), às 15h, no auditório Nadja Viana do Pavilhão de Aulas Felipe Serpa (antigo PAF1), no campus de Ondina na Universidade Federal da Bahia. Ramon é mestrando do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura) e integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS).

O trabalho foi orientado pelo professor Leandro Colling, que irá presidir a banca composta por Ana Karina Canguçú Campinho e por Maurício Matos. A dissertação trata sobre o abuso sexual contra crianças e sobre como essas violências são analisadas por determinados textos acadêmicos que colocam as vítimas como futuros abusadores, transformando-as em um futuro algoz, ou eternas vítimas pelas quais devemos nutrir piedade, cuidado e tratamento. Ramon busca problematizar esses dois papéis e para isso se abastece em experiências pessoais, diálogos com outras perspectivas teóricas e na filmografia de Almodóvar.

A defesa é aberta à qualquer pessoa interessada.

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13 Outubro 2016 In Notícias

 

A turma do componente curricular Culturas, gêneros e sexualidades, ministrada em 2016 pela primeira vez no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscutura) pelos professores Leandro Colling e Djalma Thürler, coordenadores do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), vai encerrar o semestre de uma forma diferente. Após passar o semestre estudando como várias pessoas analisaram práticas artísticas ligadas às dissidências sexuais e de gênero, a turma resolveu ela mesma promover uma atividade artivista. Foi assim que surgiu a ideia de realizar o oCUpaUFBA, inspirado nas chamadas zonas autônomas temporárias (taz), espaços criados pelos movimentos de ocupação de espaços públicos que se espalharam pelo mundo para reunir pessoas contrárias a várias normas que produzem diversos processos de subalternização.

A atividade oCUpaUFBA será realizada na tarde e noite do dia 18 de outubro, na Praça das Artes, no campus de Ondina da UFBA. Confira abaixo a programação (sujeita a alterações).


#oCUpaUFBA

contra a lógica binomial simplista que anula todas as diferenças. pela rede de afetos irmanados na grama viva da terra. pela implosão das categorias de gênero e sexualidade e da política que controla corpos e afetos. celebrar a resistência à lógica carrocrata neoliberal hegemônica golpista.

novas práticas. novos saberes. artivismos emergentes.
desprogramação de inconscientes coloniais.
zona autônoma temporária (taz) para um laboratório das diferenças

dia 18/10 (terça)
onde: monte central da praça das artes e banheiro do PAF V
das 14h às 20h

13h - concentração
14h - fundação da taz com ritual de construção de tendas e apropriação do território
15h30 - DJ Adriana Prates
Sarau de escrituras queer: Dan Dan, Divine Kariry, Rafaela, Francisco Sena
Performances: Nágila Goldstar, Yuri Tripody, Rafa Jones
Stileto: Elivan Nascimento, Ana Talita
Instalação varal selvático - intervenção stencil graffiti - artista visual Margarida Morena
Exposição: Arte Mixuruca - Pendurado no Firmamento - artista visual Pedro Magalhães
Alex Igbo - lambe lambe
16h30 - New Black - Grupo de Pagode do Subúrbio
17h - Moover Dance - Grupo de Funk de Plataforma
17h30 - performance com Stéfano Belo
18h - Jam session: Vércia Gonçalvez, Vanessa Mello, musicistas integrantes da feminaria (grupo de pesquisa e experimentos sonoros artivistas)
> Escritas sapatânicas com Raphaella Oliveira
19h - Performance com Anderson Fontes
19h45 - Protocolo.doc com Daniel Moura
20h - DJ Jerônimo Sodré
20h30 - After banheirão PAF V

o q levar: poesia, teu corpo, comidas, frutas, instrumentos, máquinas fotográficas, celulares, tudo que traga prazer e reproduza afetos.

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12 Outubro 2016 In Carlos Henrique

Prof. Dr. Carlos Henrique Lucas Lima

[Texto lido durante o XLVII Forproext – NE, ocorrido em 18 de agosto de 2016, na Universidade Federal do Oeste da Bahia, Câmpus Barreiras]

 

A extensão universitária, tal qual a conhecemos até o presente, está com os dias contados. Por um lado, as políticas de “austeridade”, para não dizer arrocho, corte e desmantelamento da Universidade como bem público, com a ascensão, e ao que tudo indica, confirmação de Michel Temer na Presidência da República, ameaçam a Universidade. Por outro lado, o velho modelo “nós/eles”, “pesquisador/objeto”, que (ainda!) orienta o ensino, a pesquisa e a extensão falhou em sua tarefa de se aproximar à sociedade e a suas demandas.

Nesta breve Apresentação, por conta do limitado tempo, quero comentar rapidamente a primeira razão de a extensão estar com os “dias contados”, conforme menciono anteriormente. Logo em seguida, e mais detidamente, vou me dedicar a não apenas tecer uma crítica ao velho modelo de extensão, assente na hierarquia que imobiliza as ações da Universidade, como ainda propor, com a ajuda e Boaventura de Sousa Santos e ideias baseadas nos Estudos Queer, a fundação de uma extensão outra, preocupada não com uma “missão”, com uma “carta de princípios” prévios, como se fôssemos evangelizadores do século XXI, mas sim baseada na pesquisa-ação, na ecologia de saberes e, por fim, em uma metodologia-teoria baseada na “alimentação de monstros”.

Tenho plena consciência de que os recursos destinados para os serviços de natureza pública, sobretudo em um país de passado colonial, são parcos. Não que recursos não existam. Que tenhamos escassez de dinheiro. Muito pelo contrário: nosso país dispõe de inúmeras fontes de geração de riquezas, diversificadas e volumosas. O que ocorre no Brasil, e notadamente nas Regiões mais pobres deste país continental, é um movimento de desinvestimento nos setores de interesse geral da população, como saúde, segurança pública e educação. Na seara da educação, desde antes do fim do começo da Nova República, que parece, de fato, findar com o anúncio fatídico do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowiski, que anunciará a cassação definitiva do mandato da Presidenta Dilma Roussef, a Escola Pública, e para os propósitos desta Apresentação, a Universidade Pública Federal, já vinha sofrendo inúmeras reduções em seu orçamento e cortes ou anúncios de cortes de relevantes programas, a exemplo do Pibid e do PET. Movimentos nacionais de professores e estudantes foram às pressas organizados visando a frear a sanha por desmonte do governo federal, e, mais uma vez vale dizer, sob a batuta da Presidenta, agora Afastada e quase catapultada, Dilma Roussef.

E como se tudo isso não bastasse, houve diversos enfrentamentos com a categoria docente ao longo dos dois mandatos dos Presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef. O último, ano passado, não trouxe ganho algum para a categoria, ao contrário: expôs toda a sua fraqueza, além de evidenciar a subserviência dos governos petistas, ditos progressistas, aos interesses do capital financeiro, em especial às faculdades e centros universitários que dependem quase que exclusivamente das subvenções, pra não dizer financiamento direto, para manterem as portas de suas empresas educacionais abertas, e que, é preciso dizer, anelam, ardentemente, pelo desmonte e consequente fim da Universidade como bem público.

A extensão universitária, nesse cenário, foi por diversas vezes golpeada de morte. E isso tanto pelos fatores que já mencionei, como, ainda, por não ter entrado na lógica gerencial na qual instituições educacionais, mesmo públicas, ingressaram afoitas. Refiro-me à transformação da extensão em uma mera prestação de serviços, e evidentemente que pagos, à comunidade “externa”. Cursos disso, cursos daquilo. E haja inscrições. Não estou aqui defendendo que a Universidade Pública não deva, se assim compreender em suas instâncias decisórias, cobrar taxas de inscrição e até mesmo mensalidade por cursos extracurriculares. Penso que esse tema poderia ocupar um outro texto. Por ora, vale dizer que, dado o atual cenário de arrocho e de claro desmonte da Universidade como bem público, financiar atividades de extensão é preciso. E quem pode pagar deve, sim, fazê-lo. O que condeno é a transformação da extensão em uma empresa. Isso, sim, em minha perspectiva, é condenável e gravemente distorce a função social da Universidade. Existem relatos de professorxs de instituições públicas que, em vez de se dedicarem com igual motivação ao tripé ensino-pesquisa-extensão, “viciaram-se” no ofertamento de “cursos livres” pagos como forma de engrossarem seus mirrados e anêmicos salários. O problema disso tudo, é que, ao fim, a extensão, que deveria ser uma forma de retornar à comunidade o conhecimento e as tecnologias produzidas pela Universidade – e com recursos da própria comunidade!, termina por se metamorfosear em uma empresa de cursinhos no interior das universidades públicas. Uma forma de expedir certificados avalizados por (geralmente) boas e/ou boníssimas instituições a uma clientela cada dia mais ávida por serviços educacionais. É, por fim, uma lógica gerencial, empresarial.

 Minha experiência com extensão universitária, quando estudante de graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), salvo raríssimas exceções, esteve assentada na ideia de que eu, o estudante e por conseguinte representante da ilustre e nobre UFRGS, iria “salvar”, com os saberes e técnicas que eu supostamente detinha, as comunidades com as quais trabalhava. Sei que esse tipo de compreensão ainda assenta a prática de muitíssimos gestores públicos da área de extensão. Vivem do ofertamento de cursos, dormindo tranquilos à noite por entenderem que levaram o conhecimento àqueles e aquelas que não o tinham. Pra quem assim pensa, aí vai uma verdade: conhecimento não se leva, conhecimento se constrói no diálogo ativo com o outro. É dialógico. Apenas quando certezas são postas sob escrutínio, e isso os Estudos Queer nos ensinam, é que o conhecimento pode emergir. Algumas pessoas, diante de tudo isso, poderiam dizer, no entanto, “ah, mas se nós, a Universidade, não possuímos nada para oferecer à comunidade, qual é, então, o nosso papel?”. Ora, ora, temos, sim, algo a oferecer às comunidades: as ferramentas necessárias para a resolução de inúmeros problemas, sejam eles de natureza do campo das Humanidades sejam eles dos campos das ciências biológicas, exatas ou, pasmem, até mesmo de natureza interdisciplinar (sim, o mundo é complexo e exige um saber igualmente complexo). Nós temos as ferramentas e a experiência. E esse é, se assim desejarem, o papel da extensão: ofertar ferramentas e não respostas prontas.

Então, penso que se o Governo que aí está e que, confortavelmente, já se instala na cadeira da Presidência da República, pelo menos pelos próximos dois anos, não desmontar, por completo, as instituições públicas, e na esteira a extensão universitária, a insistência nos velhos modelos e fórmulas o farão. Estejamos disso certos.

Foi a partir dessas reflexões que, desde que tomei posse como professor Assistente nesta Universidade, comecei a refletir sobre como poderia promover uma extensão que rejeitasse os modelos que acreditava obsoletos e equivocados. Boaventura de Sousa Santos, com sua proposição teórica na pesquisa-ação e na ecologia de saberes, os quais consistem na negação de um a priori no fazer da academia, e com minhas leituras dos Estudos Queer, que passei a formular minhas propostas de extensão. A primeira, que rapidamente quero aqui mencionar, foi a proposição de um curso de formação teórico-ativista em “Cultura, Gênero e Sexualidade”, com vistas a formar estudantes, profissionais da saúde e gestores interessadxs em se preparar para a convivência com a diferença, que ainda assombra o sono de muitos fascistas. O Curso, que contou com professores universitários, e registre-se não desta instituição, psicólogos, membros de movimentos sociais e estudantes, forneceu a base para que, logo em seguida, pensássemos na formulação de um grande programa de extensão que tivesse por propósito a abertura da Universidade à diferença. Mas não uma abertura assimilacionista, integratória, que nega a diferença do outro em prol do bem maior da homogeneização, necessária, na visão de algumas pessoas, para o funcionamento de sistemas sociais. Mas o contrário: uma abertura que se deixasse mudar pelo contato com a diferença, uma abertura que negue o “cada um no seu quadrado” e que apostasse em uma formação pela alteridade, pelo outrx que não é o meu oposto impossível, mas o outro que me constitui pela diferença. Quer dizer: eu sou aquilo que você não é. E você é aquilo que eu não sou. E nesse movimento, eu termino por ser, também, você, pelo menos na virtualidade da diferença. E nesse processo, eu sou o diferimento mesmo, uma impossibilidade ontológica de existir sem a existência do outro.

Nasceu, então, após a experiência do Curso em “Cultura, Gênero e Sexualidade”, mesmo que o desejo e parte do projeto do grande programa de extensão já estivessem em gestação, o Programa de Extensão MEC-PROEXT 2016-2017 “Re(ex)sistência LGBT”.

O Re(ex)sistência pensa a extensão com e a partir das comunidades LGBT, público-primário do Programa. E isso não apenas no sentido de uma escuta ativa dos movimentos sociais, ativistas, da pesquisa minuciosa da história e da memória do movimento LGBT no Oeste da Bahia. Fazer isso seria fazer o óbvio, o mínimo que um pesquisador profundamente comprometido com seus imperativos intelectuais tem de fazer. Fui além: imaginei um programa que não pensasse em pesquisadores, os ditos “extensionistas”, por um lado, e “objetos”, por outro, ou seja: as pessoas-alvo das ações, mas sim em pesquisadores-objeto, quer dizer, em os próprios membros do Programa, bolsistas-pesquisadores-extensionistas serem pessoas de gênero e sexualidade dissidentes. O Programa, assim, escaparia, pelo menos em parte, de um cariz assistencialista, e apostaria em outro paradigma, qual seja: o do tão falado empoderamento das minorias. E aqui vai uma segunda conclusão, uma segunda verdade, se assim desejarem: empoderar não significa “dar voz” a ninguém, significa, por outro lado, criar as condições para que as minorias possam falar por si, é sair de uma política da representação para uma da apresentação.

São, portanto, lésbicas, beeshas, bissexuais e outras identidades dissidentes que compõem o Programa. Não apenas como “objetos”, mas, e sobretudo, como protagonistas. O primeiro grande desafio do Re(ex)sistência, cujo nome faz referência a uma resistência aos regimes de normalização dos gêneros e das sexualidades e de existência, ou seja, uma ética existencial que guarda relação direta com um existir para além, é asseverar que vidas LGBT têm valor. Isso não é, de forma alguma, algo menor, de somenos importância. As vidas de LGBTs, ou se preferirem, daquelas pessoas que se distanciam em alguma medida dos regimes de normalização da vida – a heteronormatividade, a branquitude, a cisnormatividade, entre outros, ao serem sistematicamente violadas em suas dignidades e, no extremo, serem vítimas de cruentos assassinatos, demonstram que suas existências, infelizmente, como afirma Judith Butler, não são “lamentáveis”. Vidas pelas quais ninguém chorará. Alguém aqui lembra do estudante de Comunicação da UFBA Itamar Ferreira Souza, brutalmente assassinado em 2013, na Praça do Campo Grande? Que, até na morte, teve sua dignidade violada ao ter sua bermuda abaixada até os joelhos pelos assassinos como forma de marcar sua sexualidade dissidente? Como forma de justificar seu extermínio? Ou de Sabrina Souza Sales, cujo corpo foi encontrado, na cidade de Luis Eduardo Magalhães, com graves sinais de espancamento? Empoderar as vidas LGBT significa, então, antes de tudo, afirmar a validade dessas vidas. É dizer que elas são vidas e vidas com valor. Vidas que importam.

caça pokemonEu penso que, em tempos de Pokemon, é momento de caçá-los também por aqui, no Oeste da Bahia, no Brasil profundo, região em que reinam agroboys, violência, poeira e muita solidão. Mas no meio do pó e da dor que advêm da sensação de desamparo da distância dos grandes centros, há algumas alegrias, as quais, mesmo que fugidias, podem causar surpresas. Esses “pokemons”, monstrinhos pelos quais muitos se interessam, são aqui uma metáfora para fazer referência às pessoas de gênero e sexualidade dissidentes. Verdadeiros monstros, corpos abjetos que transitam pelas frestas do desejo e escapam por entre a solidão e em um duplo abandono: da família e do Estado.

O Re(ex)sistência LGBT propõe o estabelecimento de laços outros para além daqueles, por vezes fracos, da “família de sangue”. Da família que mata ao expulsar de casa e que, com isso, oferece uma outra moradia: a esquina de prostituição. São diversas as ações do Programa, as quais aqui não irei detalhar, visto que o que aqui vale é marcar a relevância do Re(ex)sistência para as vidas que se tornam vidas por meio de uma ética da existência e de um cuidado de si.

Precisamos de uma Universidade que não tenha medo dos monstros LGBT que vagam por aí. Não tenha medo de sua diferença, de seu “exotismo”, de seus “poderes”. É preciso “caçar” os monstros. É preciso alimentar os monstros. Mas há perigos nesse movimento: os monstros LGBT, como todos os monstros, são perigosos. Do contrário, não seriam monstros. Podem causar danos. E quais seriam esses “danos” causados pelos monstros LGBT? O de transformar, radicalmente, a Universidade. O de torná-la menos homogênea, menos careta, menos hierárquica; e por outro lado, mais diversa, mais problematizadora, mais constrangedora do que consideramos o normal, o aceitável, o justo.

Esse é o “perigo” dos monstros LGBT. Eles irão perturbar vocês. Desafiar suas políticas prontas, seus editais pré-formatados, suas ideias preconcebidas. Os monstros, no entanto, são frágeis, mesmo que perigosos. Sua periculosidade é aparente, apenas. Não temam deles se aproximar. É tempo de a Universidade se arriscar.

 

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10 Outubro 2016 In Notícias

A Periódicus – revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades - torna pública a chamada de textos para o dossiê de seu sétimo número, a ser lançado no primeiro semestre de 2017. O dossiê, intitulado Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas (leia chamada abaixo), será organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia).

Os textos devem ser enviados até dia 6 de março de 2017 exclusivamente através do site da revista (https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus) dentro das normas disponíveis na sessão 'Diretrizes para autores' (ver (http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/about/submissions#authorGuidelines). A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

Até o final de 2016, estará online o sexto número da revista, com o dossiê Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados.

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia. Para acessar a revista, clique aqui.

Dossiê Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas.

No dossiê “Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas” pretendemos pensar as existências e resistências lésbicas a partir das diferenças articuladas que criam lugares complexamente situados na nossa sociedade. Partiremos das perspectivas das identidades de gêneros, raças e sexualidades a fim de enfocar a vulnerabilidade social e a resistência - potencializada na capacidade de agência lésbica - a partir do conceito de interseccionalidade, situando o entrecruzamento de diversos marcadores, nos quais vivências subalternizadas existem e resistem rasurando as normatividades.

As análises interseccionais, que tiveram sua origem na articulação das demandas das produções teóricas e ativistas feministas, com grandes contribuições das negras, lésbicas e de “terceiro mundo”, se preocuparam inicialmente com o “falar sobre raça através de uma lente que observe a questão de gênero, ou pensar e falar sobre femininsmo através de uma lente que observe a questão de raça.”, (Crenshaw, 2014). Posteriormente, a perspectiva interseccional foi incorporando à questão de raça e gênero outras interfaces, como classes sociais, orientações sexuais, faixas etárias, colonialidades, religiosidades, diversidades funcionais, a que Crenshaw (2002) chamou de fatores de subordinação, “acúmulos de discriminação” ou interseccionalidades.

Os panoramas dos estudos interseccionais, subalternos, queer e pós-coloniais têm desenvolvido uma produção teórica voltada para a reflexão crítica e para a intervenção política. Desse modo, privilegiamos nesse dossiê tais abordagens, em especial a abordagem interseccional por entendermos não apenas sua importância no pensamento feminista, incluindo-se aí o feminismo negro e o feminismo lésbico, mas também por compreendermos ser necessário desenvolver análises que não tratem as lesbianidades de forma homogênea, mas que afirmem as diferenças de classe, raça, religião, geração, dentre outras especificidades constitutivas da forma como vários grupos de mulheres vivenciam a discriminação e/ou agenciam sua resistência. No campo epistemológico, a interseccionalidade estabelece um diálogo importante com perspectivas pós estruturalistas e desconstrucionistas, favorecendo reflexões críticas e um pensamento mais criativo e mais complexo.

Portanto, os determinados lugares sociais, de formas de ser e estar no mundo, materializadas em suas relações interpessoais, são os debates a serem realizados neste dossiê que tem a preocupação ainda de conferir às lesbianidades um olhar mais autônomo e menos impregnado da concepção gay-masculina-patriarcal, que invisibiliza nuances próprias das lesbianidades.

Queremos pensar, a partir da perspectiva das lesbianidades, escritos e práticas artísticas feministas, refletindo sobre a potência de nossas existências e resistências! Afinal, Sapatão não é bagunça! É revolução!

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