Políticas do CUS

A comissão organizadora do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero comunica que receberá até o dia 18 de outubro os textos que serão selecionados para compor o livro da segunda edição do evento. Para submeter a proposta, a pessoa deve ter apresentado o trabalho (em simpósios temáticos ou mesas redondas) no seminário realizado em Salvador e o texto deve dialogar diretamente com o tema do evento: Ativismos das dissidências sexuais e de gênero. 
 
Os textos serão avaliados pela comissão científica do evento e o livro será editado em conjunto pelas editoras da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Tiradentes. O objetivo é lançar o livro em março de 2016. Serão selecionados até 12 textos. A organização do livro é do professor Leandro Colling, coordenador geral da segunda edição do seminário.
 
Os textos devem ser enviados apenas para o mail  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  no seguinte formato:
 
Microsoft Word versão 6.0 ou superior;
Fonte Times New Roman, corpo 12, alinhamento justificado, espaço entre linhas 1,5;
Tamanho: máximo 15 páginas (com referências);
Em caso de citação que ultrapasse 3 linhas, a mesma deverá ser inserida em parágrafo próprio, com recuo de 2 toques de tabulação (= 2,5cm), fonte Times New Roman, corpo 10, alinhamento justificado, espaço entre linhas 1.

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Encontro reuniu Susy Shock, Indianara Siqueira e Berenice Bento

Click: Andrea Magnoni

 

A tensão entre o ativismo e a universidade ficou nítida em uma das mesas redondas mais dinâmicas do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. Na sexta-feira, 04, um auditório lotado aguardava o encontro entre a performer e poeta argentina Susy Shock, a ativista Indianara Siqueira e a pesquisadora Berenice Bento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O debate foi mediado por Gilmaro Nogueira, membro do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS). 

Batizada de “Questões trans, violências e poesias”, a mesa redonda se tornou um amplo espaço de debate. Diante de um auditório lotado, com pessoas sentadas nos corredores e até no palco, Susy leu dois de seus poemas e, em seguida, reivindicou o direito de não ser homem nem mulher.

Susy foi além: bradou pelo seu direito de poder beijar quem quisesse onde quisesse. “Que outros seja o normal”, afirmou. Na primeira fila da plateia, a filósofa Judith Butler acompanhava o evento, algo que ampliava o furor do público.

 Butler sorri com a provocação: “A Butler faz a teoria, mas a gente destrói o gênero é na prática”

Click: Andrea Magnoni

 

A noite foi ainda melhor diante dos contrapontos promovidos pela ativista Indianara Siqueira e a pesquisadora Berenice Bento. Juntas, as duas mostraram que nem só a universidade produz conhecimento e que há um longo caminho a ser percorrido para o ativismo e a academia caminharem em harmonia.

Ativista do Transrevolução e da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, Indianara tratou de aproveitar a presença de Judith Butler e disparou: “A Butler faz a teoria, mas a gente destrói o gênero é na prática”. Ovacionada pelo público, seguiu tecendo críticas à universidade. Entre os pontos citados estão a divisão opressora por sexo nos banheiros e a hegemonia do discurso e do protagonismo do homem cis branco.

Já a socióloga e professora Berenice Bento, em tom mais acadêmico, apresentou ao público o resultado parcial de uma pesquisa que coordena: “Transfeminicídio: violência de gênero e o gênero da violência”. Ela explicou o surgimento do conceito de feminicídio após as mortes de mulheres em Ciudad Juarez, no Mexico, e propôs uma comparação com as mortes de mulheres trans no Brasil.

Berenice tratou da hierarquização de violências e punições entre as mulheres trans e não trans, mostrando como aquelas são ainda menos protegidas: “O feminino que as mulheres trans performam é um feminino abjeto”, disse.

Susy Shock leu dois poemas autorais e reivindicou o direito de não ser homem nem mulher
Click: Andrea Magnoni

A fala de Berenice foi suficiente para parte das pessoas trans alertarem que não se sentiam inseridas no estudo. Algumas pontuaram a ausência dos recortes de classe e raça. A professora agradeceu as intervenções e assinalou a importância de ampliar o debate.

A pedido da plateia, Indianara continuou a fala contando como em sua vivência recolhe os dados de assassinatos, a partir de telefonemas e conversas com as amigas. Por fim, Indianara assinalou que suas maiores professoras ao longo da vida foram "ela mesma, as amigas putas e as ruas". E como conselho final, bradou contra o espaço fechado na universidade: “Saiam daqui! Vão pra putaria!”.

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VIVI

Mesa contou com a presença de Jaqueline Gomes, Viviane V., Felipe Rivas e Marlene Wayar 

Click: Andrea Magnoni

 

Os processos de criação nas perspectivas das dissidências foram o tema de uma mesa redonda na noite de sábado, 05, no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. A discussão foi coordenada pela pesquisadora Viviane V., que integra o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), e contou com a participação de artistas, ativistas e pesquisadores que abordaram temas como família, universidade e política.

A ativista e editora da primeira revista travesti da América Latina, Marlene Mayar, destacou o papel da família no contexto de violência que envolve pessoas trans. “Existem casos de famílias que expulsam as trans de casa aos 14 anos”, lamentou. E mesmo quando há apoio familiar, Marlene diz ser comum o receio dos parentes em relação àquela presença que foge dos padrões normativos.

Marlene reforçou a importância das questões identitárias ao afirmar que as diferenças humanas não podem ser classificadas. “Qualquer pessoa desse auditório pode ser trans. A definição de quem sou, só cabe a mim”, assinalou. 

Já a pesquisadora e professora Jaqueline Gomes abordou as perspectivas criativas para as universidades, focada em como utilizar imagens para tratar as dissidências. Ela exaltou o desafio de trazer a voz da mulher negra e trans para discussões e permitir que o outro fale, sempre tendo em vista o desafio de olhar e ouvir. “O gênero é uma questão de visão. Mas, e as pessoas que não enxergam? Temos que ir além da visão e da fala”, defendeu.

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“O gênero é uma questão de visão. Temos que ir além da visão e da fala”, defendeu Jaqueline Gomes 

Click: Andrea Magnoni

 

O artista chileno Filipe Rivas, integrante do coletivo universitário da Dissidência sexual (CUDS), aproveitou sua participação para utilizar vídeos que lidavam com políticas sexuais, práticas ativistas e períodos pós-ditatoriais. Um dos vídeos abordou o discurso de uma senhora emitindo opinião sobre a homossexualidade no Brasil, enquanto outro vídeo reunia imagens de nazistas em uma perspectiva cômica.

A mediadora do debate, a pesquisadora Viviane V., aproveitou a oportunidade pra relembrar a primeira edição do Desfazendo Gênero, que aconteceu em 2013, no Rio Grande do Norte, e reforçou a importância de se buscar a voz de pessoas trans nas universidades.

A mesa III ocorreu no auditório A do pavilhão de aulas V, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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CARTAZ

 

Discussões que envolvem gênero, raça, etnia e sexualidade não podem estar segmentadas. É com essa ideia na cabeça que pesquisadorxs e ativistas se reúnem neste domingo, 06, para participar do Encontro de Diálogo Interdisciplinar – Etnicidades. A discussão promete trazer reflexões ligadas à importância da interseccionalidade entre marcadores sociais que ajudam na formação de novas consciências individuais e coletivas.

O evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que teve início no dia 04 e segue até 07 de setembro, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia. O debate acontece das 13h30 às 17h30, no auditório B do PAF V, e será mediado por duas professoras que integram o quadro docente da UFBA.

Uma das mediadoras é a historiadora e capoeirista Janja Araújo, conhecida como Mestra Janja. A segunda é a designer de moda e pesquisadora Carol Barreto, que trabalha com raça e gênero a partir da reflexão da aparência como ativismo político. “Pensar raça/etnia em um seminário como o Desfazendo Gênero é uma forma também de desconstruir, de decompor este padrão de sexualidade, que perpassa, infelizmente, de maneira central, pela cisgeneridade e pela branquitude”, afirma Carol Barreto.

O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

Serviço

O que: Encontro de Diálogo Interdisciplinar (EDI) – Etnicidades

Quando: 06 de setembro.

Onde: auditório B, no pavilhão de aulas 5, das 13h30 às 17h30.

Evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

Programação completa no http://www.desfazendogenero.ufba.br/

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