Políticas do CUS

Como se chamam as pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo?

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Essa parece ser uma pergunta óbvia e, se não houver em sua concepção outro termo que designe esses sujeitos que não o de homossexuais, considere a possibilidade de rever as suas crenças e concepções de mundo.

 


Deparei-me com essa questão ao visitar a casa de amigos e ver esse questionamento na parede do quarto. No momento em que li a questão, também respondi apressadamente, mas logo questionei por que alguém faria uma pergunta tão óbvia, para então perceber que abaixo da pergunta existia a resposta, que dizia: “João, Maria, Pedro, Luis, Antonio, Sônia…”.

Parece uma simples questão, mas reflete o que temos discutido nesse blog, ou seja, o mundo não é dividido em duas instâncias (heterossexuais e homossexuais) e nenhuma dessas duas é constituída por uma natureza humana.

Por isso que no texto Aqui ninguém é hétero afirmei que não há uma essência heterossexual, mas que somos todos construídos num processo cultural através de discursos. Recusar essa divisão binária e essencialista significa reconhecer a complexidade da sexualidade e as singularidades de nossas vivências, ou seja:

1) A sexualidade é um campo complexo e geralmente é limitada por concepções simplistas. Essas concepções tendem a associar orientação sexual com as práticas sexuais, isto é, o sexo (prática) entre pessoas do mesmo sexo marca os sujeitos como homossexuais, no entanto, a sexualidade não envolve apenas as relações sexuais, mas também as dimensões  afetivas, políticas, culturais e principalmente as fantasias.

2) Cada um de nós tem traços considerados do universo masculino/feminino, heterossexual/homossexual, de modo que somos todos diferentes, singulares. Não combinamos essas dimensões da mesma forma, o que torna o termo “heterossexual”, por exemplo, complexo, pois não há dois héteros iguais.

Assim, as palavras heterossexual ou homossexual designam categorias  criadas discursivamente, ou organização política, mas no dia-a-dia vivemos as nossas sexualidades para além dessas limitações, para o bem de todos.

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Gilmaro Nogueira

Gilmaro Nogueira é psicólogo, especialista em Estudos Culturais, História e Linguagens, mestre em Cultura e Sociedade (UFBA), pós graduando em Atenção a usuários de Álcool e outras Drogas (UFBA), membro do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS). Pesquisa práticas e discursos afetivo-sexuais entre homens em sites de relacionamentos e quinzenalmente se reúne com amigos para assistir e discutir filmes sobre a temática da sexualidade.

Email: gibahpsi@gmail.com

Website.: https://www.facebook.com/gilmaro.nogueira

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