Políticas do CUS

Quais as novidades das pesquisas sobre diversidade sexual no Brasil?

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O que dizem as pesquisas mais recentes sobre diversidade sexual no Brasil hoje? Qual será o impacto destas pesquisas no futuro? Responder uma pequena parte destas amplas questões é o objetivo do texto de hoje.

 

Antes disso, preciso dizer que na semana passada não postamos novos textos aqui no blog. Estávamos, eu e Giba e várias outras pessoas, muito ocupados com a realização do VI Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH), que ocorreu na Universidade Federal da Bahia.

O VI Congresso realizado aqui na Bahia reuniu 750 pesquisadores/as e militantes de 24 estados do Brasil e de vários outros países. É com base na experiência de ter coordenado a organização deste grande evento que vou tentar responder a questão que abre este texto.

Divina Valéria

Primeiro: existe hoje uma imensa variedade nos estudos sobre a sexualidade no Brasil. Até bem pouco tempo, a maioria dos trabalhos eram da área da antropologia e da saúde. Hoje, quase todas as “disciplinas” estudam sexualidade no Brasil. A área da educação parecer ser hoje uma das áreas que mais pesquisa sexualidade no país.

Segundo: os estudos da sexualidade irão crescer muito no nível de pós-graduação nos próximos anos. É impressionante como o tema atrai a atenção dos/as estudantes de graduação. Provavelmente, muitos destes graduandos, em breve, continuarão seus estudos na mesma área de interesse.

Terceiro: é crescente o número de pesquisadores heterossexuais que estudam as homossexualidades, bissexualidades, lesbianidades, travestilidades, transexualidades, intersexualidades, mas ainda é pífio o número de pessoas que estudam as heterossexualidades.

Quarto: ainda é pequeno, mas é crescente o número de pesquisadores/as do segmento trans nas universidades brasileiras, em especial de pessoas que se identificam como transexuais. Mas quando uso o termo trans não estou me referindo apenas às pessoas transexuais ou travestis, estas últimas ainda muito distantes do ensino superior. Falo do crescente número de pessoas que se identificam e/ou estudam as pessoas trans, ou seja, pessoas que transitam entre os dois gêneros mais conhecidos (masculino e feminino).

Divina Valéria

Difícil saber as orientações sexuais destas pessoas, mas arrisco que algumas são heterossexuais, outras são homossexuais e outras são bissexuais. Várias destas pessoas fazem questão de se vestir e se comportar de forma a embaralhar os dois gêneros mais conhecidos, numa releitura (e não cópia) da androgenia dos anos 70.

São estas pessoas que, a partir de suas experiências e pesquisas, têm produzido novos conhecimentos, conceitos e perspectivas teóricas no campo das sexualidades. O impacto destas pesquisas já pode ser sentido e ainda vai gerar muitas consequências diretas em nossa sociedade. Vou dar apenas um exemplo: a ABEH referendou, em assembleia, a campanha pela despatologização das identidades trans.

Hoje, a transexualidade ainda é considerada uma doença. Me arrisco a dizer: muito em breve, isso vai cair e a transexualidade vai ser reconhecida como apenas mais uma identidade de gênero que precisa ser respeitada e considerada como qualquer outra.

Volto na última semana deste mês. Depois de tanto trabalho, mereço umas férias. Até lá.

 

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Leandro Colling

Jornalista, mestre e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Professor da UFBA e coordenador do CUS.

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