Políticas do CUS

Berenice Bento é destaque no primeiro dia do evento

 

 

Berenice Bento é referência. Difícil é encontrar, no Brasil, ativistas e pesquisadores ligados às questões de sexualidade e gênero que não citem suas contribuições. Em 2011, recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, concedido pelaPresidência da República, em reconhecimento aos esforços pelos direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.Socióloga e pesquisadora,costuma dizer que lida com estudos transviados, um modo peculiar de se referir aos Estudos Queer. E sua participação no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero promete ser uma das mais disputadas no primeiro dia, na sexta-feira, 04. Ela estará em uma mesa redonda ao lado da ativista Indianara Alves Siqueira e da performer argentina SusyShock. “A ideia é que possamos ter um momento de troca e aprendizagem, tanto entre nóscomo entre os que estarão presentes prestigiando nossa mesa”, afirmou. Em entrevista ao site do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), ela já anuncia o que espero do evento: “É um enorme caldeirão em ebulição”.

 

CUS – A senhora teve um papel crucial na primeira edição do Desfazendo Gênero, que aconteceu em 2013, no Rio Grande do Norte. Qual o significado, hoje, de presenciar a continuidade desse trabalho?

 Berenice Bento – É uma sensação de felicidade e privilégio. Não é banal escutar pesquisadores e ativistas de todos os cantos do Brasil, de diversos países compartilhando suas pesquisas, perplexidades e lutas.  O que estamos construindo é uma nova forma de pensar o fazer científico onde as hierarquias entre os saberes (científicos e ativistas) se encontram e se misturam. Também destaco a proposta de sustentação do Desfazendo Gênero: ser um espaço no qual pesquisadores/ativistas que estão engajados na luta pela negação de qualquer tipo de essencialização e naturalização das identidades se encontram. Acho que há um relativo consenso de que as essencializações de todas as ordens (de gênero, racial, sexual, nacional) têm sido amplamente acionadas para não alterar profundamente as estruturas hierárquicas, assimétricas e socialmente injustas.

 

CUS – Qual a sua expectativa para a segunda edição do evento?

 BB – Tive a honra de coordenar a primeira edição, que aconteceu na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Naquele momento, agosto de 2013, ficamos surpresos com a imensa receptividade tanto da comunidade acadêmica quanto de parte dos ativismos feministas e LGBTs com os temas centrais do evento. Tivemos como prioridade discutir a luta pela despatologização das identidades trans. Foram 39 grupos de trabalho e 10 mesas redondas. Cerca de 800 trabalhos foram aprovados. Sem dúvida que as pesquisas no âmbito dos estudos/ativismo transviados (tradução idiossincrática para "Estudos Queer”) já tiveram outros grandes momentos, mas fomos surpreendidos pela imediata adesão ao evento. Tivemos pesquisadores da Espanha, França, Argentina, Estados Unidos, México, entre outros. Nossa surpresa e alegria eram coletivamente compartilhadas. A qualidade dos debates pode ser conferida nos três volumes que acabam de ser lançadoscom alguns dos textos que foram apresentados durante do evento.  Os livros serão lançados em Salvador durante o II Desfazendo Gênero. Tenho certeza que a segunda edição será um momento histórico para o campo dos estudos/ativismos das sexualidades e gêneros dissidentes. Não é necessário esperar o início dos trabalhos. Basta olharmos a programação.  Está um luxo!  Uma programação ostentação (risos). A opção da organização em convidar ativistas/teóricos da Argentina e Chile e de outros países falantes do espanhol representa, ao  meu ver, uma aposta acertada. Precisamos construir pontes mais sólidas entre nós. Esta estratégia me parece um passo importante no processo de descolonização dos "Estudos Queer".

 

CUS – Sua participação será compartilhada com a ativista Indiara Sirqueira e a performer argentina SusyShock. Já existe algum planejamento de como será esse encontro?

 BB – A ideia é que possamos ter um momento de troca e aprendizagem, tanto entre nós, as convidadas, como entre os que estarão presentes prestigiando nossa mesa. Acho que se conseguirmos quebrar a estrutura de protagonismo que as mesas redondas conferem exclusivamente aos convidados teríamos muito a ganhar. Mas esta metodologia precisará ser acordada entre os presentes. 

 

CUS – De que modo produções e discussões no Desfazendo Gênero podem contribuir para o debate na sociedade?

 BB – O que tentamos fazer na primeira edição foi garantir um momento de discussão a partir de questões relevantes à população trans. Fizemos uma plenária onde aprovamos moções de apoio e recomendações. Estes documentos poderão ser lidos no livro "Desfazendo Gênero: cidadania, subjetividade e transfeminismo", no apartado "documentos aprovados". Cito esta experiência para reafirmar, mais uma vez, nosso desejo de desfazer esta fronteira fictícia entre ativismo e academia. Também gostaria de ressaltar que os efeitos de um evento como este são múltiplos, rizomáticos. Os temas das mesas, as performances, a conferência da Butler, a presença de ativistas/ acadêmicos de diversas partes do Brasil e do mundo, os cafés, as festas, os flertes, a alegria, a bichice livre e solta, a luta, a apresentação das pesquisas... Enfim, é um enorme caldeirão em ebulição. Não saberia te responder de forma objetiva. Acho que o Desfazendo Gênero também pode desfazer um pouco a todos nós. Esta é minha mais secreta esperança.

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O II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que ocorre de 4 a 7 de setembro, em Salvador, finca a Bahia como referência internacional nos estudos de gênero e sexualidade. Com suas 1.500 inscrições esgotadas desde julho, o evento traz à capital pesquisadores e ativistas de todas as regiões do Brasil, além de conter em sua programação a participação de teóricos e artistas de vários países da América Latina, Espanha, Portugal e Estados Unidos.

A programação será quase toda centrada nas diferentes salas dos pavilhões de aulas 3 e 5 da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina. Porém, há atividades em outros espaços da cidade, como a conferência de abertura no Teatro Castro Alves (TCA), com a filósofa norte-americana Judith Butler, no dia 5 de setembro. As participações internacionais foram pensadas a partir das contribuições dos autores em seus países de origem, como é o caso de personalidades da Argentina, Chile e República Dominicana que lidam com as dissidências de gênero.

 “Quase todas as pessoas convidadas possuem um diálogo, nem sempre amistoso, entre aquilo que se convencionou nomear de ativismo e a universidade. O fato de valorizar e produzir ações no campo da cultura, para o respeito à diversidade, foi outro critério importante para escolher os nomes”, explicou o professor e pesquisador Leandro Colling, coordenador do evento e do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), que realiza a segunda edição do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero com o apoio de várias parcerias.

 Uma das atrações é a cantora, poeta e atriz argentina Susy Shock, que desembarca em Salvador com toda a experiência de quem produz arte a partir de uma olhar que busca fissurar as normas de gênero e sexualidade. Susy participará, no dia 4, da mesa de debates Questões Trans*, Violências e Poesias. Participam da discussão também a ativista carioca Indianara Alves e a pesquisadora Berenice Bento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Artista argentina Susy Shock está confirmada no evento

 

Susy já se apresentou em algumas cidades brasileiras, mas trará especialmente para o Desfazendo Gênero um pocket show do seu espetáculo intitulado Poemario Transpirado. A apresentação será também no dia 4, a partir das 20h. “Vou misturar música, poesia, folclore argentino e os processos de desconstrução de gênero e sexualidade”, prometeu a artista.

Outro nome conhecido no evento é o do chileno Felipe Rivas, performer e integrante do coletivo CUDS, que atua com dissidência sexual. Ele fará uma instalação no foyer do Teatro Castro Alves, no dia 5. O trabalho de Rivas será baseado em uma seleção de vídeos com performances realizadas a partir de 2009. “Quero pensar a produção da identidade sexual nas redes online, a circulação do queer na América Latina, a violência homolesbotransfóbica e o pós-pornô”, assegurou.

Felipe Rivas também está no II Desfazendo Gênero

 

Rivas também estará na mesa intitulada O Conceito de Cisgeneridade como Resistência Epistêmica, no dia 5, no Auditório A do PAF5, a partir das 18h. O debate terá ainda a participação da ativista e editora da primeira revista travesti da América Latina, Marlene Wayar, e da pesquisadora e organizadora do livro Transfeminismos: Teorias e Práticas, Jaqueline Gomes de Jesus. “O Desfazendo Gênero será importante para estabelecer diálogos sobre ativismo, reflexão crítica e arte entre o Sul-Sul, rompendo assim um pouco a distância e reforçando laços críticos entre países do Sul”, completou Rivas.

 Outros nomes internacionais conhecidos são as argentinas Leonor Silvestri e Marlene Wayar, os chilenos Juan Pablo Sutherland e Andres Ignacio Rivera, as espanholas Diana Torres e Gracia Trujillo, a dominicana Yuderks Espinosa e os portugueses Sérgio Vitorino e João Manuel de Oliveira.

 O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

 Logo após o término da primeira edição, em Natal, o CUS, vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

O evento em Salvador terá seis mesas de trabalho, 25 oficinas, 25 minicursos, sete encontros interdisciplinares e 71 simpósios onde serão apresentados 759 trabalhos. A programação inclui performances, peças de teatro, instalações artísticas, apresentações musicais, lançamento de livros, exibições de filmes e um já aguardado Caruru da Diversidade, organizado pela Residência Universitária da UFBA.

 Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no site: http://www.desfazendogenero.ufba.br/


*Crédito das fotos: Divulgação

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Faltam poucos dias para Salvador receber o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que ocorrerá de 04 a 07 de setembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Considerado referência entre os espaços de debates ligados às temáticas da sexualidade e gênero, o evento está com suas 1.500 inscrições esgotadas desde julho, após ampla procura de pesquisadorxs e ativistas do Brasil e exterior.

Um dos momentos mais esperados é a conferência de abertura, na manhã do dia 05 de setembro, no Teatro Castro Alves, quando a filósofa norte-americana Judith Butler abrirá oficialmente o encontro. Considerada um ícone mundial nos estudos de sexualidade a partir de livros como Problemas de Gênero, a pesquisadora estará pela primeira vez no Brasil, começando por Salvador uma viagem que inclui ainda outras duas cidades (São José do Rio Preto e São Paulo).

Filósofa Judith Butler estará na Conferência de Abertura

"O evento começou a ser pensado há exatamente um ano. Trabalhamos muito para fazer um congresso acadêmico diferenciado dos demais que existem no Brasil. Espero muito debate e que o evento também possa servir para pensarmos outras formas de ativismo menos conhecidas e reconhecidas”, disse o professor Leandro Colling, coordenador do evento e do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), que realiza a segunda edição do Desfazendo Gênero junto com várias parcerias.

INTERNACIONAIS – Pesquisadores e ativistas de países como Chile, Argentina, Espanha, Portugal e República Dominicana estão confirmados na programação do Desfazendo Gênero. Os quatro dias contarão com seis mesas redondas, 71 simpósios temáticos, nos quais serão apresentados 759 trabalhos, além de 25 minicursos, 25 oficinas, exibição de pôsteres, performances, música, teatro e outras atividades artísticas.

As atividades ocorrerão em diferentes salas dos Pavilhões de Aulas 3 e 5 do campus de Ondina. Os participantes poderão escolher, por exemplo, entre as opções de simpósios temáticos e minicursos que abordam temas como educação, comunicação, arte, binarismo de gênero, normatização dos corpos, dentre outros temas.

"Tivemos 759 trabalhos aprovados, dos 830 submetidos. Foi uma procura imensa para um evento que está na segunda edição. Isso mostra que a nossa área de pesquisa é grande e tem se desenvolvido muito dos últimos anos, em especial na Bahia e em outros estados do Nordeste”, explica Colling.

Não faltam também boas ofertas de oficinas, que serão ferramentas de empoderamento e serviço ao público. Entre os temas trabalhados estão workshops de drag king, transfeminimos, criação literária e pornoterrorismo.

"As oficinas irão ocorrer na primeira tarde do evento e nossa ideia é que o resultado delas possa aparecer como intervenções das pessoas no decorrer do Seminário. As oficinas serão um grande diferencial”, aposta Colling.

MOVIMENTO – Apesar de concentrar sua programação nas instalações da UFBA, a ideia é que o Desfazendo Gênero ocupe espaços além dos muros da universidade, como é o caso a Residência Universitária, no Corredor da Vitória, onde acontecerá o Caruru da Diversidade e uma mostra artística musical na noite do dia 5 de setembro. Já no Teatro Gregório de Mattos, no domingo, dia 6, na Praça Castro Alves, serão encenadas as peças Solo Almodóvar e o Diário de Genet, ambas dirigidas pelo professor e pesquisador Djalma Thürler. E ainda haverá festa de encerramento com show na Praça Thereza Batista, no Pelourinho, na noite do dia 7 de setembro.

O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, na época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o CUS, vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

A programação completa do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero pode ser conferida no site http://www.desfazendogenero.ufba.br/

 

*Crédito das peças gráficas: Caio Sá Telles

**Crédito das fotos: Divulgação

 

Assessoria de Comunicação – II Seminário Internacional Desfazendo Gênero

Eder Luis Santana (Jornalista – DRT: 2611) – (71) 9324-9557

Leandro Stoffels – (71) 9110-9338

Ramon Fontes – (71) 8844-9100

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