Políticas do CUS

Ramon

Ramon

 

 

Usar a arte e o corpo para problematizar as questões que envolvem gênero e sexualidade. Subverter e quebrar estereótipos que temos sobre maneiras de ser e existir. Esses são os objetivos da Mostra CUS 10 anos, evento que comemora uma década do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade, o CUS, ligado à Universidade Federal da Bahia e que congrega pesquisadores, acadêmicos e ativistas.

A Mostra ocorre nos dias 18, 19 e 20 de maio, em parceria com o Goethe-Institut Salvador-Bahia e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Culturas Identitárias, no qual a proposta do CUS foi uma das selecionadas.

O evento terá talk shows, exposição de arte, exibição de filme, apresentação de espetáculo de teatro, performances, oficinas, além do show da Linn da Quebrada, no dia 20/05, que encerra a programação na Praça Pedro Arcanjo, no Pelourinho. A programação completa do evento está no final desse texto.

O CUS surgiu com a intenção de estudar as relações entre cultura, sexualidade e gênero de maneira interseccional. “Criar intersecção é criar pontes, diálogos, com vários saberes e conhecimentos, na intenção não apenas de compreender fenômenos, mas mapear outros conhecimentos subjugados. Os estudos queer, do qual também nos ocupamos, têm interesse em desconstruir qualquer ideia de normatização, naturalização, binarismos, sempre em contato com as subjetividades, as produções artísticas e tantas outras possibilidades que não param de florescer”, explica Leandro Colling, professor do IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA, e um dos coordenadores do grupo.

Para o diretor do Goethe-Institut Salvador, Manfred Stoffl, acolher esse evento é parte da responsabilidade da instituição: “Em todo o mundo, o Goethe-Institut é um ente ativo nas agendas de minorias sociais. Nossa atuação, no âmbito cultural e educacional, se compromete com a percepção do outro, com a defesa das liberdades e com a visibilidade de movimentos que enfrentam autoritarismos e preconceitos. Esta casa é um lugar de diversidade que esperamos ver se espalhar por toda a cidade”.

A Mostra CUS 10 anos tem como eixo discutir outras formas de ativismo em gênero e sexualidade, com atenção às estratégias adotadas pelo grupo de pesquisa e por outros ativistas no debate sobre as diferenças sexuais e de gênero. A ideia é que sejam experimentadas novas formas de discussão e atuação social, pensando em caminhos alternativos que apostam em formas menos institucionalizadas de fazer política.

 

Talk show com debate e performance

 

Com exceção do show da Linn da Quebrada, que ocorrerá no Pelourinho, e do espetáculo do ATeliê VoadOR, que será apresentado no MAB, o evento se concentrará no Goethe-Institut Salvador-Bahia. No teatro da instituição ocorrerão quatro talk shows que discutem temas como TransArtes, teatrologias, performances dissidentes. Essas mesas contam com a participação de pessoas que estão discutindo as questões de gênero, sexualidade e assuntos interseccionais na atualidade.

Entre xs convidadxs, estão as transfeministas Amara Moira (autora de “E Se eu Fosse Puta?”) e Viviane V. (CUS/ Akahatá), os diretores teatrais Djalma Thürler e Thiago Romero, e a artista visual Virgínia de Medeiros, dentre outrxs. A platéia terá participação ativa na condução dos debates.

Os temas discutidos surgem a partir de discussões levantadas dentro do próprio grupo CUS e com relevância para outras comunidades, entre elas a LGBT, transexuais, transgênerxs, intersexuais, assexuais e tantas outras expressões da sexualidade e dos gêneros. O avanço dos discursos de ódio e violência contra pessoas trans, além das tentativas incessantes de anular as discussões de gênero e sexualidade nas escolas e o avanço do fundamentalismo religioso coloca o assunto em pauta de discussão, mobilizando o interesse da opinião pública.

 

 Exposição traz o corpo para o centro das artes visuais

 

A exposição “Campo de Batalha”, com curadoria de Tiago Sant’Ana, que também é coordenador geral do evento, vai reunir artistas que discutem, em suas obras, os temas das sexualidades e dos gêneros. “São artistas que falam sobre isso de maneira mais independente e com estratégias menos convencionais. A exposição contará com registros de performance, vídeos, desenhos e fotografias que dialogam criticamente com o espaço que vem sendo dado na arte para essas temáticas”, afirma o curador.

“Campo de Batalha” será exibido na galeria do Goethe-Institut e colocará a Bahia em outras cartografias, a do debate da arte como importante ferramenta para discutir a condição de pessoas que fogem às normas de gênero e sexualidade. O interesse no campo das artes por essas temáticas vem crescendo como uma forma de reação social e simbólica ao processo de violência e normatização dos corpos. Nos últimos anos, um crescente número de artistas e coletivos se reúne na perspectiva de identificar como “artivismo” essas produções culturais no combate às opressões de gênero, sexualidade, raça e classe.

“A iniciativa desse projeto é debater como a produção de conhecimento e as diversas ações artísticas também consistem numa forma de ativismo e política, apesar de ser uma estratégia diferente dos movimentos sociais comumente conhecidos e com os quais a academia precisa dialogar mais”, finaliza o coordenador Tiago Sant'Ana.

“Campo de Batalha” traz obras dxs artistas Ana Verana, Caio Sá Telles, Miro Spinelli, Rafael Bqueer, Virgínia de Medeiros, além de dois arquivos: o Arquivo Padre Pinto e o Arquivo Balizas. A exposição fica em cartaz durante os dias de evento e segue até o dia 27 de maio.

 

 Lançamento de livros

 

O CUS possui diversas publicações que comprovam a explosão dos estudos de gênero no país, além de livros publicados pela EDUFBA, trabalhos como artigos, dissertações e teses que se transformaram em livros e que tratam da discussão sobre gênero, sexualidade e identidade. Durante a Mostra CUS 10 anos, serão lançados três livros: De Trans Pra Frente, de Dodi Leal, criadora do canal com mesmo nome do livro, Crônicas do CUS: cultura, sexo e gênero, organizado por Leandro Colling e Gilmaro Nogueira e Dissidências sexuais e de gênero, também organizado por Colling. Além disso, na abertura (18/05 - 18h), a trajetória dos 10 anos do CUS será contada em forma de cordel com o Queerdel “E o CUS?! 10 ânus nos anais” de autoria de Pablo Soares (Divine Kariri), membro do grupo de pesquisa.

 


PROGRAMAÇÃO COMPLETA

 

Show de encerramento: 20/05 – 20h

Linn da Quebrada

(abertura com Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa)

Local: Praça Tereza Batista no Pelourinho

Ingressos: R$ 20 | R$ 10 (meia) – à venda no Goethe-Institut com a produção do evento durante os dias da Mostra (apenas dinheiro)

 

18/05 (quinta-feira) – Teatro do Goethe-Institut


18h – abertura com performance de Ah Teodoro e declamação do queerdel em homenagem aos 10 anos do CUS com Divine Kariri.

18h30 – exibição do filme Cores e flores para Tita, de Susan Kalik

20h - Talk show 1

Amara Moira – escritora e ativista trans

Andrea Magnoni – fotógrafa

Viviane Vergueiro – mestra em Cultura e Sociedade, ativista, transfeminista e integrante do CUS

 

19/05 (sexta-feira) – Teatro do Goethe-Institut

16h30 – Talk show 2

Coletivo Das Liliths

Thiago Romero – diretor da companhia Teatro da Queda

Djalma Thürler – diretor do Ateliê Voador e integrante do CUS

Stéfano Belo – ator, integrante Selvática Ações Artísticas e integrante do CUS


18h – abertura da exposição “Campo de Batalha” e lançamento de livros

19h – Talk show 3

Linn da Quebrada – cantora e ativista trans

Alan Costa – representante do coletivo de jovens negros LGBTs Afrobapho

Dodi Leal – criadora do canal de Trans Pra Frente no Youtube

Daniel dos Santos – historiador, pesquisador e integrante do CUS

19h – Programação paralela* - Espetáculo Uma mulher impossível, com Mariana Moreno – ATeliê VoadOR – direção de Djalma Thürler, no Museu de Arte da Bahia (MAB) - Corredor da Vitória

*ingressos R$ 20 (inteira) | R$10 (meia para estudantes e visitantes da mostra)

 

20/05 (sábado) – Teatro do Goethe-Institut

13h – Oficinas

Introdução ao bondage – Lady Shi e Tiago Sant’Ana

Invasões dissidentes: performances autobiográficas nas fissuras da urbe soteropolitana – Stéfano Belo

Oficina de Monxtração – Malayka SN e Nina Codorna

17h – Talk show 4

Virgínia de Medeiros – artista visual

Àlex Ígbó – artista visual

Tiago Sant’Ana – professor da UFBA, mestre em Cultura e Sociedade, integrante do CUS

Susana Gyulamiryan (Armênia) – curadora, feminista e artista residente do Goethe-Institut

20h – Show Linn da Quebrada - Praça Tereza Batista (Pelourinho)

Abertura: Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa

 

Exposição “Campo de Batalha” na galeria do Teatro do Goethe-Institut (até 27 de maio)

Ana Verana

Arquivo Balizas

Arquivo de Padre Pinto

Caio Sá Telles

Miro Spinelli

Rafael Bqueer

Virgínia de Medeiros

 

Acesse o link para fotografias em alta resolução e press kit completo: https://goo.gl/l8bIf2

 


SERVIÇO

O quê: Mostra CUS 10 anos

Quando: 18, 19 e 20 de maio de 2017

Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia – Corredor da Vitória | Praça Tereza Batista - Pelourinho

 


Sobre o CuS

O Grupo de Pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) foi criado em 2007, na Universidade de Federal da Bahia, por uma turma de estudantes de graduação em Comunicação, Letras e Ciências Sociais junto ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), liderados pelo professor Leandro Colling. O objetivo era, e ainda é, produzir pesquisas e atividades de extensão a partir e com os estudos queer, que colocam em xeque as visões essencialistas e biologizantes sobre as sexualidades e identidades de gênero, adotando uma postura de rebeldia na luta pelo combate aos processos de subalternização. Pouco depois de sua formação inicial, passaram a integrar o grupo mestrandos e doutorandos do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (PosCult/IHAC). Hoje o CuS conta com pouco mais de 30 pesquisadorxs e tem trabalhado em várias frentes: de publicação de textos a organização de eventos e manifestações nas ruas. No campo dos grandes eventos, o grupo se destacou na realização de três encontros nacionais e internacionais. Entre os destaques estão o seminário “Stonewall 40 + o que no Brasil?”, em 2010, que reuniu em Salvador cerca de 400 pessoas de diversos cantos do Brasil com o objetivo de debater as políticas LGBTs nos últimos 40 anos no país; em 2012, o grupo sediou uma das edições do Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da ABEH – Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, com a presença do escritor e ativista Jack Halberstam e de 700 pessoas de 24 estados brasileiros e de alguns países da América Latina. Em 2015, o grupo promoveu o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, com o tema “Ativismos das dissidências sexuais e de gênero”, que contou com conferência da filósofa estadunidense Judith Butler e a participação de cerca de 1.500 pessoas pesquisadoras e/ou ativistas do Brasil e do exterior.

 


Mais informações para a imprensa

Twitter: @cusBahia

Facebook: www.facebook.com/grupocusbahia

www.politicasdocus.com

Marcelo de Trói (71) 981 497 007 | (11) 989 645 583 (whats up) – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Segunda, 21 Março 2016 23:32

No Ceará tem disso também

Iracema/ Séc. XIX (1881) óleo s/ tela, José Maria de Medeiros. Museu Nacional de Belas Artes, RJ.

 

Samuel Macêdo do Nascimento – mestrando em Cultura e Sociedade e integrante do CUS

 

O que é o Ceará? Um estado contraditório e diverso assim como qualquer estado brasileiro. Começa-se pelo sotaque. No sul, na região do Cariri Cearense, se fala de uma forma que se aproxima mais do Pernambuco e da Paraíba. Na capital, Fortaleza, se fala com o sotaque que se assemelha com o de uma parte do Piauí. Bem, o mesmo vale para a diversidade de gênero, sexual e, consequentemente, cultural.

Sempre houveram focos de resistência na terra da índia Iracema e dos coronéis das primeiras famílias do estado. A própria família do escritor José de Alencar, a família Alencar, que teve uma matriarca como líder e tendo sido primeira prisioneira política da história do país, foi responsável por colonizar as terras do sul cearense. Bárbara de Alencar, a dama de ferro. A resistência das mulheres sempre esteve presente nos sertões do nordeste.

Era uma prática comum fugir com o pretendente que a família não aceitasse. Claro que muitas mulheres que ousavam “desonrar” o nome de suas famílias tinham que viver em outras cidades, em outros estados ou eram aprisionadas. Mas muitas fugiam e desafiam as regras e tradições de suas famílias católicas. “Oiê muié rendeira”. Segundo a canção, as rendeiras seduziam os antigos cangaceiros e segundo os relatos muitas moças precisavam ficar presas convivendo apenas com suas famílias até deixarem suas casas e constituírem seus lares para que não fugissem com eles, os cangaceiros foras de lei.

Mulheres inconformadas com os protocolos de suas famílias, especialmente dos seus pais, avós e irmãos, não podem ser esquecidas. Muitas casavam sabendo que podiam ser assassinadas pelos seus maridos caso tivessem relacionamentos extraconjugais. Os homens tinham direito sobre suas vidas e algumas poucas mulheres casadas conseguiram rasurar a honra dos seus maridos e paisagens. Uma parte das famílias cearenses migravam com as secas, mas muitas ficavam e continuavam suas trajetórias nas mesmas cidades que nasceram. Alguns davam um jeito de burlar a ordem, ainda que de forma oculta: homens solteiros que nunca se casaram e viviam na eterna companhia de seus pais; ou mulheres solteiras que também acabaram ficando em casa e tornaram-se mais influentes que muitos homens de suas famílias. Não podemos nomeá-los de homossexuais ou gays e nem ignorar a potência dos desejos inconformados escondidos nas pequenas cidades do interior e nos oitões das zonas rurais.

Saullo Berck, da cidade de Barbalha (Cariri Cearense), ganhou fama nacional por dançar com seus sapatos de tijolos e construir sua própria indumentária queer a partir de plantas, tecidos e outros tantos materiais (ver aqui). Ao longo do tempo acabei conhecendo alguns relatos de pessoas que se mataram no passado por serem afeminadas ou consideradas pessoas “estranhas”. Uma das minhas bisavós se matou enforcada na década de 30 do século passado e deixou sua filha única de apenas doze anos de idade. Minha avó contava que ela era uma mulher ciumenta e era atormentada pelas traições do marido que passava dias fora de casa.

A minha outra bisavó, filha de coronel, se casou no fim do século XIX com apenas treze anos na mesma semana em que o pai morreu. Ela era apaixonada por um primo com o qual o pai jamais permitiria o casamento. Ela própria contava que desobedecera o próprio Padre Cícero, que era padrinho de batismo de uma de suas irmãs, para se casar com esse primo que tinha fama de mimado por ter sido criado pelos avós. Maria Isabel de Santana, filha do major Antonio Francisco da Santa Tereza (cidade de Barbalha), desafiou as ordens do seu falecido pai, ainda que isso tenha a levado para surpresas e dificuldades ao longo dos seus 96 anos de vida.

Os silêncios e a falta de divulgação das histórias resistentes nos fazem acreditar que “no Ceará não tem disso não”, como reforça a música homônima de Luiz Gonzaga. Fantasmas sempre ressurgem para atormentar supostas naturalidades. Travestis fazem a diversão das noites dos romeiros do Padre Cícero em Juazeiro do Norte. Mulheres continuam burlando as regras de suas famílias ainda que paguem com suas próprias vidas o desejo pela liberdade. Homens afeminados continuam desarmonizando o modelo supostamente cristalizado das suas famílias.

Assim como a personagem Iracema, a índia que cumpria os seus desejos e vontades, muitas pessoas do Ceará usaram e continuam usando seus corpos para transpor as correntes que fechavam os caminhos. Não podemos julgar o modo como cada um desenvolvia essa transgressão e colocá-la como máxima ou mínima. Algumas mulheres fugiam, mas acabavam reproduzindo o mesmo modelo de família tradicional e seus maridos geralmente as controlavam. Homens afeminados também casavam e acabavam tornando-se homens de importância, políticos ou outros cargos de poder, que oprimiam outros. A minoria – segundo relatos – continuava com sua potência de deslocamento da cena da tradição. Ao trazer conceitos de Lacan e Julia Kristeva, especialmente em sua obra “Problemas de Gênero”, Judith Butler conclui: “Se a subversão for possível, será uma subversão a partir de dentro dos termos da lei, por meio das possibilidades que surgem quando ela se vira contra a si mesma e gera metamorfoses inesperadas” (p.139, 2003).

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

 

 

CuS, grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade da UFBA, retorna esse semestre com o Abrindo o CuS, grupo de estudos com encontros quinzenais e gratuitos dirigido para qualquer pessoa interessada nas discussões sobre sexualidades e gêneros.

 

Ao longo do primeiro semestre de 2016, o grupo continuará com a proposta de abordar as questões iniciais do pensamento queer e suas intersecções entre as temáticas de gêneros/sexualidades e outros temas contemporâneos.

 

O acesso é livre, sem necessidade de inscrição prévia. A maioria dos encontros ocorrerão nas quartas-feiras, na sala 106 do PAF V - campus de Ondina, nos dias 09/03, 23/03, 06/04, 20/04 e 18/05/2016, das 18 às 20:00h. Apenas um encontro ocorrerá na segunda-feira, dia 09/05, na sala 109 do PAF V, das 18 às 20:00h.

 

Veja abaixo o cronograma e venham conosco em mais um ano de intensos debates!

 

CRONOGRAMA DE ENCONTROS DO PRIMEIRO SEMESTRE:

 

09/03 - Por que Butler, da Sara Salih.

 

Link do texto:

 

https://drive.google.com/file/d/0B3IeL5bgGo_DQUxXV1B1T3hCTTA/view?usp=drive_web

 

23/03 - Gênero, da Sara Salih.

 

Link do texto:

 

https://drive.google.com/file/d/0B3IeL5bgGo_DQUxXV1B1T3hCTTA/view?usp=drive_web

 

06/04 – Sexo, de Sara Salih.

 

Link do texto:

 

https://drive.google.com/file/d/0B3IeL5bgGo_DQUxXV1B1T3hCTTA/view?usp=drive_web

 

20/04 – Tumultos de género: os efeitos de Gender trouble em Portugal, de João Manuel de Oliveira

 

Link do texto:

 

http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/12844

 

09/05 - Interpretações imundas de como a Teoria Queer coloniza nosso contexto sudaca, pobre de aspirações e terceiro-mundista, perturbando com novas construções de gênero aos humanos encantados com a heteronorma, de Hija de Perra.

 

Link do texto: http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/12896

 

18/05 - A cisgeneridade

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

 

Após uma pequena pausa, o Cineclube Sexualidades, em parceria com o CUS, retorna às suas sessões dialogadas no dia 27/02 (sábado), às 15h, na Sala de videoconferências (303) do PAF IV, campus da UFBA em Ondina, com a exibição do longa-metragem estadunidense "Tangerine" (2015).

"Trata-se de um cinedebate que exibe e discute filmes sobre assuntos relativos às diversas sexualidades, identidades de gênero e suas performatividades. Partindo do debate, buscamos trabalhar os assuntos problemáticos que venham a surgir, diminuir os preconceitos de qualquer natureza que a gente tenha e fortalecer um discurso a ser usado em prol da diversidade fora das sessões", sintetizou Lucas Lobo, coordenador do Cineclube Sexualidades.

A atividade é totalmente gratuita. Se joguem conosco!

Sinopse: Assim que sai da prisão, a prostituta transexual Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez) descobre através de sua melhor amiga (Mya Taylor) que o namorado Chester (James Ransone) está saindo com outra pessoa, uma mulher cisgênero. Sin-Dee decide encontrar os dois e puni-los pela traição.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fUxRxgtYt0M

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1013469855392256/

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

03

Encontro reuniu Susy Shock, Indianara Siqueira e Berenice Bento

Click: Andrea Magnoni

 

A tensão entre o ativismo e a universidade ficou nítida em uma das mesas redondas mais dinâmicas do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. Na sexta-feira, 04, um auditório lotado aguardava o encontro entre a performer e poeta argentina Susy Shock, a ativista Indianara Siqueira e a pesquisadora Berenice Bento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O debate foi mediado por Gilmaro Nogueira, membro do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS). 

Batizada de “Questões trans, violências e poesias”, a mesa redonda se tornou um amplo espaço de debate. Diante de um auditório lotado, com pessoas sentadas nos corredores e até no palco, Susy leu dois de seus poemas e, em seguida, reivindicou o direito de não ser homem nem mulher.

Susy foi além: bradou pelo seu direito de poder beijar quem quisesse onde quisesse. “Que outros seja o normal”, afirmou. Na primeira fila da plateia, a filósofa Judith Butler acompanhava o evento, algo que ampliava o furor do público.

 Butler sorri com a provocação: “A Butler faz a teoria, mas a gente destrói o gênero é na prática”

Click: Andrea Magnoni

 

A noite foi ainda melhor diante dos contrapontos promovidos pela ativista Indianara Siqueira e a pesquisadora Berenice Bento. Juntas, as duas mostraram que nem só a universidade produz conhecimento e que há um longo caminho a ser percorrido para o ativismo e a academia caminharem em harmonia.

Ativista do Transrevolução e da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, Indianara tratou de aproveitar a presença de Judith Butler e disparou: “A Butler faz a teoria, mas a gente destrói o gênero é na prática”. Ovacionada pelo público, seguiu tecendo críticas à universidade. Entre os pontos citados estão a divisão opressora por sexo nos banheiros e a hegemonia do discurso e do protagonismo do homem cis branco.

Já a socióloga e professora Berenice Bento, em tom mais acadêmico, apresentou ao público o resultado parcial de uma pesquisa que coordena: “Transfeminicídio: violência de gênero e o gênero da violência”. Ela explicou o surgimento do conceito de feminicídio após as mortes de mulheres em Ciudad Juarez, no Mexico, e propôs uma comparação com as mortes de mulheres trans no Brasil.

Berenice tratou da hierarquização de violências e punições entre as mulheres trans e não trans, mostrando como aquelas são ainda menos protegidas: “O feminino que as mulheres trans performam é um feminino abjeto”, disse.

Susy Shock leu dois poemas autorais e reivindicou o direito de não ser homem nem mulher
Click: Andrea Magnoni

A fala de Berenice foi suficiente para parte das pessoas trans alertarem que não se sentiam inseridas no estudo. Algumas pontuaram a ausência dos recortes de classe e raça. A professora agradeceu as intervenções e assinalou a importância de ampliar o debate.

A pedido da plateia, Indianara continuou a fala contando como em sua vivência recolhe os dados de assassinatos, a partir de telefonemas e conversas com as amigas. Por fim, Indianara assinalou que suas maiores professoras ao longo da vida foram "ela mesma, as amigas putas e as ruas". E como conselho final, bradou contra o espaço fechado na universidade: “Saiam daqui! Vão pra putaria!”.

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

VIVI

Mesa contou com a presença de Jaqueline Gomes, Viviane V., Felipe Rivas e Marlene Wayar 

Click: Andrea Magnoni

 

Os processos de criação nas perspectivas das dissidências foram o tema de uma mesa redonda na noite de sábado, 05, no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. A discussão foi coordenada pela pesquisadora Viviane V., que integra o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), e contou com a participação de artistas, ativistas e pesquisadores que abordaram temas como família, universidade e política.

A ativista e editora da primeira revista travesti da América Latina, Marlene Mayar, destacou o papel da família no contexto de violência que envolve pessoas trans. “Existem casos de famílias que expulsam as trans de casa aos 14 anos”, lamentou. E mesmo quando há apoio familiar, Marlene diz ser comum o receio dos parentes em relação àquela presença que foge dos padrões normativos.

Marlene reforçou a importância das questões identitárias ao afirmar que as diferenças humanas não podem ser classificadas. “Qualquer pessoa desse auditório pode ser trans. A definição de quem sou, só cabe a mim”, assinalou. 

Já a pesquisadora e professora Jaqueline Gomes abordou as perspectivas criativas para as universidades, focada em como utilizar imagens para tratar as dissidências. Ela exaltou o desafio de trazer a voz da mulher negra e trans para discussões e permitir que o outro fale, sempre tendo em vista o desafio de olhar e ouvir. “O gênero é uma questão de visão. Mas, e as pessoas que não enxergam? Temos que ir além da visão e da fala”, defendeu.

VIVI02

“O gênero é uma questão de visão. Temos que ir além da visão e da fala”, defendeu Jaqueline Gomes 

Click: Andrea Magnoni

 

O artista chileno Filipe Rivas, integrante do coletivo universitário da Dissidência sexual (CUDS), aproveitou sua participação para utilizar vídeos que lidavam com políticas sexuais, práticas ativistas e períodos pós-ditatoriais. Um dos vídeos abordou o discurso de uma senhora emitindo opinião sobre a homossexualidade no Brasil, enquanto outro vídeo reunia imagens de nazistas em uma perspectiva cômica.

A mediadora do debate, a pesquisadora Viviane V., aproveitou a oportunidade pra relembrar a primeira edição do Desfazendo Gênero, que aconteceu em 2013, no Rio Grande do Norte, e reforçou a importância de se buscar a voz de pessoas trans nas universidades.

A mesa III ocorreu no auditório A do pavilhão de aulas V, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

CARTAZ

 

Discussões que envolvem gênero, raça, etnia e sexualidade não podem estar segmentadas. É com essa ideia na cabeça que pesquisadorxs e ativistas se reúnem neste domingo, 06, para participar do Encontro de Diálogo Interdisciplinar – Etnicidades. A discussão promete trazer reflexões ligadas à importância da interseccionalidade entre marcadores sociais que ajudam na formação de novas consciências individuais e coletivas.

O evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que teve início no dia 04 e segue até 07 de setembro, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia. O debate acontece das 13h30 às 17h30, no auditório B do PAF V, e será mediado por duas professoras que integram o quadro docente da UFBA.

Uma das mediadoras é a historiadora e capoeirista Janja Araújo, conhecida como Mestra Janja. A segunda é a designer de moda e pesquisadora Carol Barreto, que trabalha com raça e gênero a partir da reflexão da aparência como ativismo político. “Pensar raça/etnia em um seminário como o Desfazendo Gênero é uma forma também de desconstruir, de decompor este padrão de sexualidade, que perpassa, infelizmente, de maneira central, pela cisgeneridade e pela branquitude”, afirma Carol Barreto.

O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

Serviço

O que: Encontro de Diálogo Interdisciplinar (EDI) – Etnicidades

Quando: 06 de setembro.

Onde: auditório B, no pavilhão de aulas 5, das 13h30 às 17h30.

Evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

Programação completa no http://www.desfazendogenero.ufba.br/

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Pesquisadores Murilo Arruda e André Musskopf mediaram o evento

 

“Existe um problema político, de forças conservadoras, que sequestram as religiões e passam a utilizá-las em favor de determinadas pautas que não garantem direitos. Há um mau uso das religiões para determinados fins”. A frase é do pesquisador André Musskopf, que esteve no Encontro de Diálogo Interdisciplinar – Religiosidades, na primeira tarde do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

O tema central do debate foi o modo como as religiões lidam com as questões de sexualidade e gênero. À frente do debate estava também o pesquisador Murilo Arruda. Mais focado em aspectos ligados às religiões de matriz africana, Murilo centrou sua fala em torno do candomblé. Ele falou da ligação dos praticantes com os orixás, algo que serve também como forma de empoderamento de corpos marginalizados. Já André Musskopf fincou seu lugar de fala nas religiões ligadas ao cristianismo. 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

 

FUNK

Oficina serviu para criar funk que será apresentado no Caruru da Diversidade

 

Um bonde pesado, formado por K-trina Erratik, Solange Tô Aberta, Pagufunk e Putinhas Aborteiras, foi destaque no primeiro dia do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. A reunião aconteceu na oficina "Resistir até o chão - Funk e Empoderamento", que teve a proposta de criar textos com as vivências dxs participantes para construir músicas que vão ser tocadas no show que acontece neste sábado, 05, durante o VII Caruru da Diversidade.

Os grupos contaram suas histórias e apresentaram questões ligadas ao combate à violência contra as mulheres, o descobrimento do corpo e as constantes ameaças feitas a coletivos que operam nos tradicionais espaços do funk. "Não quero falar sobre teoria, quero falar de vivência. As letras que escrevi são basicamente coisas que vivi. Descobri o prazer da próstata, a questão dos machos transtornados...” contou Pedra, da Solange Tô Aberta.

Pedra contou que, para fazer um funk, as pessoas têm que parar de se policiar sobre preocupações como sonoridade da voz e limitações de equipamento ou dinheiro. Lídia, que integra o grupo Pagufunk, reforçou o discurso ao citar que é necessário ter liberdade de fazer gravações independentes ao relatar a censura dos estúdios com o teor dos versos ou com a exigência de conhecimentos técnicos de música.

K-trina Erratik falou sobre o 'boom' depois das jornadas de junho, onde vários movimentos surgiram ou ganharam força. “É só abrir o soundcloud pra ver que hoje em dia, um monte de gente está fazendo funk feminista, a MC Carol está cantando funk descolonial, a MC Mayara está jogando o raio 'bucetizador' nos misóginos, então a gente vê que é uma onda que se propaga. Não tem métrica, não tem nenhuma norma gramatical, a gente tenta estimular as ideias para que elas possam ecoar", concluiu.

Para começar a atividade, o grupo pediu aos participantes que escolhessem uma palavra que já tivesse sido usada contra xs próprixs. A partir daí, teve início a formulação do dos funks que poderão ser conferidos neste sábado, no VII Caruru da Diversidade, na Residência Universitária da UFBA, no Corredor da Vitória, à partir das 19h30.

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Judith Butler fará a conferência de abertura 

Diante da grande demanda de inscritos para a conferência de abertura do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que acontece neste sábado, 05, no Teatro Castro Alves (TCA), a organização do evento informa que os portões serão abertos pontualmente às 8 horas. Como está previsto na programação, o evento começará às 9 horas. É importante que o público chegue com antecedência, pois será necessário abrir cadastro para o recebimento dos aparelhos de tradução simultânea, que serão entregues apenas aos que tiverem interesse no recurso. Para ter acesso ao transmissor de tradução será solicitado documento de identificação.

 

Atenciosamente,

 

Organização do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Drag King Workshop usa o corpo para desconstruir questões de sexo e gênero (Crédito: Fernanda Paz)

Vinte e cinco oficinas acontecem nesta sexta-feira, 04, no primeiro dia do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que segue até o dia 07, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA). As atividades começam às 13 horas. Apesar de atuarem em áreas específicas, as oficinas têm em comum o fato de criticarem e desconstruírem as normatizações ligadas à sexualidade e gênero.

As inscrições foram feitas online, pelo site do evento (www.desfazendogenero.ufba.br), e a procura foi tamanha que muitas estão com a capacidade máxima de público esgotada. Uma oficina ainda com vaga é a "Dildo-Oído: taller de sussurros y afectaciones erótico-sonoras" (em tradução livre: "Consolo-Ouvido: oficina de sussurros e afetações erótico-sonoras").

Promovida pela escritora argentina Laura Milano, a iniciativa colocará o público para construir seus dispositivos sonoros com objetivo de explorar as possibilidades poéticas e políticas do som. Ao final, todxs serão convidadxs a uma ação poética coletiva. “Pretendo penetrar o público com os sons com compartilhamos, como se fosse um consolo sonoro”, afirmou Laura.

Defensora do ativismo sexopolítico e do pós-pornô, uma plataforma política, artística, criativa, que mostra e transforma em desejáveis diversos corpos e práticas sexuais não convencionais, mas sempre um pós desde a margem.

 

Oficina coloca o público para construir dispositivos sonoros (Crédito: Priscila Detoni)

TRANSFEMINISMO – Já Eric Seger, do Centro de Relações de Gênero, Diversidade Sexual e Raça (CRDH-NUPSEX), conduzirá a Oficina transfeminista de defesa e estratégias de enfrentamento à violência de gênero. Realizada há 2 anos em espaços feministas, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, as oficinas recebem o marcador “transfeminista” para demarcar o posicionamento de Eric sobre questões de gênero e identidade corporal.

“Cada participante é convidado/a/ a não só desfazer gênero (o seu), mas também se refazer/reconstruir de outra maneira, se quiser, a partir dessas reflexões sobre gênero e a partir das práticas realizadas na oficina. Por si só, uma oficina não dá conta de modificar o corpo, mas a ideia é que ela sirva de inspiração para convidar a pessoa a exercer esse tipo de autonomia sobre si”, diz.

Uma das primeiras oficinas a ter suas vagas esgotadas foi a Drag King Workshop. A proposta é montar um ateliê que estimula o uso do corpo para desconstruir questões de sexo e gênero, além de mostrar a multiplicidade de possíveis masculinidades sem os homens. “Entendemos a performance das masculinidades sem homens como importantes ferramentas pedagógicas, pois são elementos de sentidos e percepções dos corpos para os estudos queer e estudos de gênero”, assinalou uma das coordenadoras da oficina Patrícia Lessa, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM-Paraná).

Patrícia ministrará a oficina em parceria com pesquisadora Thais Faria, que integra o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), além de Cíntia Tâmara (UFBA) e Camille Balestiere (UFJF). Elas se inspiram nas oficinas de Drag King organizadas por Marie Hélène Bourcier, na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e na Universidade Estadual de Maringá (UEM – Paraná). As técnicas de Bourcier dialogam com as ideias de performatividade de gênero e pedagogias visuais e as chamadas experiências artvistas, que, como Lessa explica, tem por objetivo “potencializar as experimentações estéticas interseccionalizando-as com as questões sociais: animalistas, étnico-raciais, de geração, gênero e classe”.

A lista completa das oficinas pode ser conferida no link http://migre.me/rqG8s

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Nova edição da Periódicus traz dossiê sobre Judith Butler

Periódicus traz dossiê sobre Judith Butler

 

Serão lançados nesta sexta-feira, 04, 39 publicações que abordam temas como cultura, gênero e sexualidade. A iniciativa marca o início das atividades do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que acontece até o dia 07, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia. O coquetel de lançamento das obras acontece das 20h às 22h, no PAF 3, e contará com pocket-shows da cantora argentina Susy Shock e do carioca Luis Capucho, além de performances da espanhola Diana Torres.

Entre os temas abordados nas publicações estão transfeminismo e questões trans*, ecofeminismo, homolesbotransfobia, diversidade sexual, espaços de sociabilidade LGBT, literatura, pós-pornografia e Estudos Queer. A pesquisadora argentina Laura Milano, por exemplo, lançará pela primeira vez no Brasil o livro Usina Posporno: disidencia sexual, arte y autogestión en la porpornografía. A obra, segundo a escritora, “recolhe e analisa experiências recentes dos pós-pornô na Espanha e Argentina”.

O lançamento coletivo conta com o apoio da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), além de outras editoras que estarão com stands montados. Na ocasião, também será lançada a terceira edição da Periódicus - Revista de Estudos Indisciplinares em Gêneros e Sexualidades, criada e editada pelo grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA).

Batizada de Um corpus subjetivo, a edição da Periódicus contém um dossiê que reúne textos que abordam o pensamento da filósofa norte-americana Judith Butler. Considerada referência mundial nos Estudos Queer, ela estará em Salvador no sábado, 05, para a conferência de abertura do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. A obra é organizada pelo professor e pesquisador Leandro Colling, editor da revista e coordenador do CUS, em parceria com a professora Larissa Pelúcio, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (campus Bauru). A publicação já pode ser acessada pelo link: http://migre.me/rqcIG

Escritora Laura Milano lança livro no Desfazendo 

 

Cinco integrantes do CUS lançarão livros no evento a partir de pesquisas motivadas ao longo dos estudos fincados no mestrado, doutorado ou pós-doutorado. O coordenador do grupo, Leandro Colling, é autor da obra Que os outros sejam o normal: tensões entre movimento LGBT e ativismo queer. A publicação analisa como os movimentos sociais LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) queer de quatro países (Portugal, Espanha, Argentina e Chile) conquistaram leis importantes, como a do casamento civil igualitário, de identidade de gênero e antidiscriminação. São apontados os limites desses marcos legais e as diferenças entre as políticas desenvolvidas pelo movimento LGBT e o ativismo queer.

Já a pesquisadora Mônica Barbosa lançará o livro Poliamor e Relações Livres: do amor a militância contra a monogamia compulsória. A jornalista Tess Chamusca trará seu livro Travestis na TV: entre o abjeto e o humano, enquanto o pesquisador Helder Thiago Maia apresenta a obra O Devir Darkroom e a Literatura Hispano-Americana. Outra produção ligadas ao CUS é Um corpo possível: ensaios sobre abjeção e existência cultural, organizada pelos pesquisadores Carlos Henrique Lucas Lima e Gilmaro Nogueira.

O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.


Serviço

O que: lançamento coletivo de livros no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero
Quando: 04 de setembro, das 20h às 22h
Onde: PAF - Campus de Ondina, na Universidade Federal da Bahia
Programação completa no http://www.desfazendogenero.ufba.br/

 


Obras que serão lançadas

1. A linguagem do parto: discurso, corpo, identidade
Autora: Juliana Dias. Editora: Pontes.

2. A reinvenção do corpo: gênero e sexualidade na experiência transexual (nova edição)
Autora: Berenice Bento. Editora: EDUFRN.

3.As aparências enganam? A arte do fazer-se travesti
Autor: Rafael França Gonçalves dos Santos. Editora: Appris .

4.As relações de interculturalidade entre conhecimentos científicos e conhecimentos tradicionais na Escola Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê
Autor: Paulo de Tássio Borges da Silva. Editora: Multifoco.

5.Áskesis - Revista dxs discentes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar
Autorxs: Felipe Padilha e Juliana Frota da Justa Coelho (orgs.). Editora: Cubo.

6. Caças e pegações online: Subversões e reiterações de gêneros e sexualidades
Autor: Gilmaro Nogueira. Editora: Multifoco.

7.Corpos estranhos se tornam matéria: identidades LGBT no currículo da escola
Autora: Denise da Silva Braga. Editora: CRV.

8.Da Avenida Cerqueira Lima ao Beco dos Artistas: um espaço de sociabilidade GLS
Autora: Andressa de Freitas Ribeiro. Editora: EDUFBA.

9.Das areias de Ipanema à Planície Goitacá
Autorxs: Marinete dos Santos Silva; Cristiane de Cássia N. B de Abreu; Fábio Pessanha Bila; Marusa Bocafoli da Silva; Rafael França Gonçalves dos Santos; Sana Gimenes Alvarenga Domingues. Editora: Quartet/FAPERJ.

10.Desfazendo gênero: educação da diferença, masculinidades, feminismos e literatura
Autorxs: Berenice Bento; Antônio Vladimir Félix-Silva (Org.). Editora: EDUFRN.

11. Desfazendo gênero: arte, desejo, processos de subjetivação
Autorxs: Berenice Bento; Antônio Vladimir Félix-Silva (Org.). Editora: EDUFRN.

12. Desfazendo gênero: subjetividade, cidadania e transfeminismo
Autorxs: Berenice Bento; Antônio Vladimir Félix-Silva (Org.). Editora: EDUFRN.

13. Devotos e Devassos: Representação dos Padres e Beatas na Literatura Anticlerical Brasileira
Autor: Cristian Santos. Editora: Editora da Universidade de São Paulo.

14. Diversidade Sexual: Direito humano ou direito a ser humano?
Autor: Clarindo Epaminondas de Sá Neto. Editora: Deviant.

15. Diversidade sexual e protagonismo de professores: uma análise sócio-histórica dos significados
Autorxs: André Luiz Machado das Neves; Iolete Ribeiro da Silva. Editora: Martinari.

16. Do inefável ao afável: ensaios sobre sexualidade, gênero e estudos queer
Autorxs: Mario Lugarinho; Emerson Inácio; Eliane Berutti; Horácio Costa; Almerindo Simões; Jorge Caê Rodrigues; Aldo Victorio Filho; Gláucio Aranha; Wilton Garcia; Lindomar Darós; Mark Sabine. Editora: UEA Edições.

17. Homofobia: identificar e prevenir
Autora: Jaqueline Gomes de Jesus. Editora: Metanoia.

18. Indícios Homoeróticos em Dom Casmurro
Autor: Claber Borges. Editora: Appris.

19. Literatura, homoerotismo e expressões homoculturais
Autorxs: André Luis Mitidieri; Flávio Pereira Camargo. Editora: EDITUS.

20. Masculino, o gênero do jornalismo: modos de produção das notícias
Autora: Marcia Veiga da Silva. Editora: Insular.

21. Meetidos: O monta/desmonta de corpos, performances e identidades gays na boate Meet-Music & Lounge
Autor: Mário Fellipe Fernandes Vieira Vasconcelos. Editora:Multifoco.

22. O desejo homoerótico no conto brasileiro do século XX
Autor: Carlos Eduardo Albuquerque. Editora: Fernandes Scortecci.

23. O devir darkroom e a literatura hispano-americana
Autor: Helder Thiago Maia. Editora: Multifoco.

24. O nascimento de Joicy
Autora: Fabiana Moraes. Editora: Arquipélago.

25. O que você queer
Autoras: Ana Luisa Santos; Fernanda Branco Polse. Editora: Edição de autor.

26. Pais e mães recasados - vivências e desafios no “fogo cruzado” das relações familiares
Autora: Laura Cristina Eiras Coelho Soares. Editora: Juruá.

27. PERIÓDICUS – REVISTA DE ESTUDOS INDISCIPLINARES EM GÊNEROS E SEXUALIDADES – Número 3, Dossiê sobre Judith Butler, Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) (online)

28. Poliamor e Relações Livres: do amor à militância contra a monogamia compulsória
Autora: Mônica Barbosa. Editora: Multifoco.

29. “Que os outros sejam o normal": tensões entre movimento LGBT e ativismo queer
Autor: Leandro Colling. Editora: EDUFBA.

30. Sensível ao cuidado: uma perspectiva ética ecofeminista
Autora: Daniela Rosendo. Editora: Prismas.

31. Transexualidades: um olhar multidisciplinar
Autoras: Maria Thereza Àvila Dantas Coelho; Liliana Lopes Pedral Sampaio. Editora: EDUFBA.

32. Transfeminismo: teorias e práticas
Autora: Jaqueline Gomes de Jesus (organizadora); Editora: Metanoia.

33. Transmasculinidades: A emergência de novas identidades políticas e sociais
Autora: Simone Ávila. Editora: Multifoco.

34. Travestis brasileiras: dos estigmas à cidadania
Autor: Wiliam Siqueira Peres. Editora: Juruá.

35. Travestis e prisões: experiência social e mecanismos particulares de encarceramento no Brasil
Autor: Guilherme Gomes Ferreira. Editora: Multideia.

36. Travestis na escola: assujeitamento e resistência à ordem normativa
Autora: Luma Nogueira de Andrade. Editora: Metanoia.

37. Travestis na TV: entre o abjeto e o humano
Autora:Tess Chamusca Piraja. Editora: Multifoco.

38. Um corpo possível: ensaios sobre abjeção e existência cultural
Autores: Carlos Henrique Lucas Lima e Gilmaro Nogueira (orgs). Editora: Multifoco.

39. Usina Posporno: Disidencia sexual, arte y autogestión en la pospornografía
Autora: Laura Milano. Editora: Títulos - Blatt & Ríos.

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
​Professora Denise Carrascosa será mediadora da discussão

 

Literatura e poesia como espaços de reflexão para questões ligadas à sexualidade e gênero. Esse é o tema do Encontro de Diálogo Interdisciplinar (EDI), que acontece no próximo domingo, 6, às 13h30, no auditório A do PAF 5, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).  O evento será mediado pela professora e pesquisadora Denise Carrascosa, em parceria com o músico e escritor Luís Capucho.

Com foco no tema linguagens, o EDI faz parte da programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que terá início na sexta-feira, 04, e segue até dia 07. “Tenho expectativas de que possamos conversar sobre literatura e o modo como escritor@s contemporâneos estão lidando com a narrativa ou a poesia sobre suas próprias experimentações com seus corpos e seus papéis sexuais”, afirma a professora Denise Carrascosa, que pesquisa Literatura e Cultura.

Segundo a professora, o EDI será uma oportunidade para os interessados na área explorarem as formas de linguagem que têm fissurado papeis binários de gênero (masculino/feminino), além de lidar com novas estéticas do prazer. A intenção é ser algo motivador, com participação do público e dentro do tema central do Desfazendo Gênero, que envolve as dissidências de gênero e sexualidade. “E muito disso será a partir dos livros do Luís Capucho”, afirmou.

O escritor Luís Capucho apresentará aos participantes o Poema Maldito, seu terceiro e mais recente disco. Com três livros publicados, o artista é conhecido por inserir temáticas de gênero e sexualidade como centrais nas suas produções. "No livro Cinema Orly, por exemplo, o primeiro tema é a clandestinidade do sexo gay dentro de um cinema pornô nos anos 90. E nos outros trabalhos, literários ou não, a sexualidade é um tema constante, de forma mais declarada ou como uma questão embutida, que não aparece centralmente, mas está contribuindo na estética", sinaliza Capucho.

 

O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

Serviço

O que: Encontros de Diálogos Interdisciplinares – Linguagens & Sexualidade

Quando: 06 de setembro.

Onde: auditório A, no pavilhão de aulas 5, das 13h30 às 17h30.

Evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

Programação completa no http://www.desfazendogenero.ufba.br/      

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Política de saúde integral à população LGBT e despatologização das sexualidades. Esses são os principais temas, dentre outros, que serão abordados na roda de conversa temática sobre saúde e sexualidade, que acontece na próxima sexta-feira, 04, no primeiro dia da programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero. O evento seguirá até 07 de setembro, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O encontro será no auditório B, no pavilhão de aulas 5, das 13h30 às 17h30. À frente da discussão estará o professor e pesquisador Wiliam Siqueira Peres, que atua nas áreas de psicologia e estudos de gênero, e a psicanalista e professora Thereza Coelho, doutora em Saúde Coletiva e autora do livro “Transexualidades: um olhar multidisciplinar”. A roda de conversa é apenas uma das sete que integram a programação. Por serem divididas em eixos temáticos a partir de um olhar inter e transdisciplinar, essas rodas foram batizadas de Encontros de Diálogos Interdisciplinares (EDIs).

O objetivo é incentivar reflexões acerca das questões de gênero e sexualidade. No caso do EDI focado em saúde, a proposta é interagir com o público em um debate pautado em assuntos como o acesso ao sistema de saúde e os cuidados ligados à saúde mental dessa população. O desafio será colocar as diferentes perspectivas e áreas do campo da saúde em diálogo, em torno de questões amplas e complexas, como as ligadas às expressões eróticas, sexuais e de gêneros. Um dos assuntos mais importantes é a despatologização das sexualidades.

Thereza Coelho participará do EDI - Saúde

“O acesso democrático aos dispositivos de saúde que se dizem ‘para todas e todos’ nem sempre ocorre de fato. Problematizar as práticas em saúde, em especial as questões voltadas às sexualidades e gêneros, abre possibilidades de ampliação para o acesso a bens e serviços de qualidade em que as pessoas possam ser reconhecidas e respeitadas independentemente das marcas das desigualdades sociais”, comenta a pesquisadora Thereza Coelho. 

Wiliam Peres estará no EDI - Saúde

Thereza Coelho – Formada em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestra e doutora em Saúde Coletiva, com ênfase em Ciências Sociais em Saúde. É autora de diversas publicações, como o livro “Transexualidades: um olhar multidisciplinar”. Desenvolve hoje pesquisas ligadas às práticas e concepções dos processos Saúde e Doença, assim como uma pesquisa dos múltiplos aspectos pertinentes à transexualidade. É professora do bacharelado interdisciplinar em Saúde da UFBA.

Wiliam Siqueira Peres – Formado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), é doutor em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com pós-doutorado em Psicologia e Estudos de Gênero pela Universidade de Buenos Aires. Conta com vasta produção bibliográfica no Brasil e no exterior. É autor do livro “Travestis Brasileiras – Dos Estigmas à Cidadania”.

 

 

Serviço

O que: Encontros de Diálogos Interdisciplinares – Saúde & Sexualidade

Quando: 04 de setembro.

Onde: auditório B, no pavilhão de aulas 5, das 13h30 às 17h30.

Evento integra a programação do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

Programação completa no http://www.desfazendogenero.ufba.br/

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Berenice Bento é destaque no primeiro dia do evento

 

 

Berenice Bento é referência. Difícil é encontrar, no Brasil, ativistas e pesquisadores ligados às questões de sexualidade e gênero que não citem suas contribuições. Em 2011, recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, concedido pelaPresidência da República, em reconhecimento aos esforços pelos direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.Socióloga e pesquisadora,costuma dizer que lida com estudos transviados, um modo peculiar de se referir aos Estudos Queer. E sua participação no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero promete ser uma das mais disputadas no primeiro dia, na sexta-feira, 04. Ela estará em uma mesa redonda ao lado da ativista Indianara Alves Siqueira e da performer argentina SusyShock. “A ideia é que possamos ter um momento de troca e aprendizagem, tanto entre nóscomo entre os que estarão presentes prestigiando nossa mesa”, afirmou. Em entrevista ao site do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), ela já anuncia o que espero do evento: “É um enorme caldeirão em ebulição”.

 

CUS – A senhora teve um papel crucial na primeira edição do Desfazendo Gênero, que aconteceu em 2013, no Rio Grande do Norte. Qual o significado, hoje, de presenciar a continuidade desse trabalho?

 Berenice Bento – É uma sensação de felicidade e privilégio. Não é banal escutar pesquisadores e ativistas de todos os cantos do Brasil, de diversos países compartilhando suas pesquisas, perplexidades e lutas.  O que estamos construindo é uma nova forma de pensar o fazer científico onde as hierarquias entre os saberes (científicos e ativistas) se encontram e se misturam. Também destaco a proposta de sustentação do Desfazendo Gênero: ser um espaço no qual pesquisadores/ativistas que estão engajados na luta pela negação de qualquer tipo de essencialização e naturalização das identidades se encontram. Acho que há um relativo consenso de que as essencializações de todas as ordens (de gênero, racial, sexual, nacional) têm sido amplamente acionadas para não alterar profundamente as estruturas hierárquicas, assimétricas e socialmente injustas.

 

CUS – Qual a sua expectativa para a segunda edição do evento?

 BB – Tive a honra de coordenar a primeira edição, que aconteceu na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Naquele momento, agosto de 2013, ficamos surpresos com a imensa receptividade tanto da comunidade acadêmica quanto de parte dos ativismos feministas e LGBTs com os temas centrais do evento. Tivemos como prioridade discutir a luta pela despatologização das identidades trans. Foram 39 grupos de trabalho e 10 mesas redondas. Cerca de 800 trabalhos foram aprovados. Sem dúvida que as pesquisas no âmbito dos estudos/ativismo transviados (tradução idiossincrática para "Estudos Queer”) já tiveram outros grandes momentos, mas fomos surpreendidos pela imediata adesão ao evento. Tivemos pesquisadores da Espanha, França, Argentina, Estados Unidos, México, entre outros. Nossa surpresa e alegria eram coletivamente compartilhadas. A qualidade dos debates pode ser conferida nos três volumes que acabam de ser lançadoscom alguns dos textos que foram apresentados durante do evento.  Os livros serão lançados em Salvador durante o II Desfazendo Gênero. Tenho certeza que a segunda edição será um momento histórico para o campo dos estudos/ativismos das sexualidades e gêneros dissidentes. Não é necessário esperar o início dos trabalhos. Basta olharmos a programação.  Está um luxo!  Uma programação ostentação (risos). A opção da organização em convidar ativistas/teóricos da Argentina e Chile e de outros países falantes do espanhol representa, ao  meu ver, uma aposta acertada. Precisamos construir pontes mais sólidas entre nós. Esta estratégia me parece um passo importante no processo de descolonização dos "Estudos Queer".

 

CUS – Sua participação será compartilhada com a ativista Indiara Sirqueira e a performer argentina SusyShock. Já existe algum planejamento de como será esse encontro?

 BB – A ideia é que possamos ter um momento de troca e aprendizagem, tanto entre nós, as convidadas, como entre os que estarão presentes prestigiando nossa mesa. Acho que se conseguirmos quebrar a estrutura de protagonismo que as mesas redondas conferem exclusivamente aos convidados teríamos muito a ganhar. Mas esta metodologia precisará ser acordada entre os presentes. 

 

CUS – De que modo produções e discussões no Desfazendo Gênero podem contribuir para o debate na sociedade?

 BB – O que tentamos fazer na primeira edição foi garantir um momento de discussão a partir de questões relevantes à população trans. Fizemos uma plenária onde aprovamos moções de apoio e recomendações. Estes documentos poderão ser lidos no livro "Desfazendo Gênero: cidadania, subjetividade e transfeminismo", no apartado "documentos aprovados". Cito esta experiência para reafirmar, mais uma vez, nosso desejo de desfazer esta fronteira fictícia entre ativismo e academia. Também gostaria de ressaltar que os efeitos de um evento como este são múltiplos, rizomáticos. Os temas das mesas, as performances, a conferência da Butler, a presença de ativistas/ acadêmicos de diversas partes do Brasil e do mundo, os cafés, as festas, os flertes, a alegria, a bichice livre e solta, a luta, a apresentação das pesquisas... Enfim, é um enorme caldeirão em ebulição. Não saberia te responder de forma objetiva. Acho que o Desfazendo Gênero também pode desfazer um pouco a todos nós. Esta é minha mais secreta esperança.

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

O II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que ocorre de 4 a 7 de setembro, em Salvador, finca a Bahia como referência internacional nos estudos de gênero e sexualidade. Com suas 1.500 inscrições esgotadas desde julho, o evento traz à capital pesquisadores e ativistas de todas as regiões do Brasil, além de conter em sua programação a participação de teóricos e artistas de vários países da América Latina, Espanha, Portugal e Estados Unidos.

A programação será quase toda centrada nas diferentes salas dos pavilhões de aulas 3 e 5 da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina. Porém, há atividades em outros espaços da cidade, como a conferência de abertura no Teatro Castro Alves (TCA), com a filósofa norte-americana Judith Butler, no dia 5 de setembro. As participações internacionais foram pensadas a partir das contribuições dos autores em seus países de origem, como é o caso de personalidades da Argentina, Chile e República Dominicana que lidam com as dissidências de gênero.

 “Quase todas as pessoas convidadas possuem um diálogo, nem sempre amistoso, entre aquilo que se convencionou nomear de ativismo e a universidade. O fato de valorizar e produzir ações no campo da cultura, para o respeito à diversidade, foi outro critério importante para escolher os nomes”, explicou o professor e pesquisador Leandro Colling, coordenador do evento e do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), que realiza a segunda edição do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero com o apoio de várias parcerias.

 Uma das atrações é a cantora, poeta e atriz argentina Susy Shock, que desembarca em Salvador com toda a experiência de quem produz arte a partir de uma olhar que busca fissurar as normas de gênero e sexualidade. Susy participará, no dia 4, da mesa de debates Questões Trans*, Violências e Poesias. Participam da discussão também a ativista carioca Indianara Alves e a pesquisadora Berenice Bento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Artista argentina Susy Shock está confirmada no evento

 

Susy já se apresentou em algumas cidades brasileiras, mas trará especialmente para o Desfazendo Gênero um pocket show do seu espetáculo intitulado Poemario Transpirado. A apresentação será também no dia 4, a partir das 20h. “Vou misturar música, poesia, folclore argentino e os processos de desconstrução de gênero e sexualidade”, prometeu a artista.

Outro nome conhecido no evento é o do chileno Felipe Rivas, performer e integrante do coletivo CUDS, que atua com dissidência sexual. Ele fará uma instalação no foyer do Teatro Castro Alves, no dia 5. O trabalho de Rivas será baseado em uma seleção de vídeos com performances realizadas a partir de 2009. “Quero pensar a produção da identidade sexual nas redes online, a circulação do queer na América Latina, a violência homolesbotransfóbica e o pós-pornô”, assegurou.

Felipe Rivas também está no II Desfazendo Gênero

 

Rivas também estará na mesa intitulada O Conceito de Cisgeneridade como Resistência Epistêmica, no dia 5, no Auditório A do PAF5, a partir das 18h. O debate terá ainda a participação da ativista e editora da primeira revista travesti da América Latina, Marlene Wayar, e da pesquisadora e organizadora do livro Transfeminismos: Teorias e Práticas, Jaqueline Gomes de Jesus. “O Desfazendo Gênero será importante para estabelecer diálogos sobre ativismo, reflexão crítica e arte entre o Sul-Sul, rompendo assim um pouco a distância e reforçando laços críticos entre países do Sul”, completou Rivas.

 Outros nomes internacionais conhecidos são as argentinas Leonor Silvestri e Marlene Wayar, os chilenos Juan Pablo Sutherland e Andres Ignacio Rivera, as espanholas Diana Torres e Gracia Trujillo, a dominicana Yuderks Espinosa e os portugueses Sérgio Vitorino e João Manuel de Oliveira.

 O EVENTO – O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, à época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

 Logo após o término da primeira edição, em Natal, o CUS, vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

O evento em Salvador terá seis mesas de trabalho, 25 oficinas, 25 minicursos, sete encontros interdisciplinares e 71 simpósios onde serão apresentados 759 trabalhos. A programação inclui performances, peças de teatro, instalações artísticas, apresentações musicais, lançamento de livros, exibições de filmes e um já aguardado Caruru da Diversidade, organizado pela Residência Universitária da UFBA.

 Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no site: http://www.desfazendogenero.ufba.br/


*Crédito das fotos: Divulgação

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

 

Faltam poucos dias para Salvador receber o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, que ocorrerá de 04 a 07 de setembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Considerado referência entre os espaços de debates ligados às temáticas da sexualidade e gênero, o evento está com suas 1.500 inscrições esgotadas desde julho, após ampla procura de pesquisadorxs e ativistas do Brasil e exterior.

Um dos momentos mais esperados é a conferência de abertura, na manhã do dia 05 de setembro, no Teatro Castro Alves, quando a filósofa norte-americana Judith Butler abrirá oficialmente o encontro. Considerada um ícone mundial nos estudos de sexualidade a partir de livros como Problemas de Gênero, a pesquisadora estará pela primeira vez no Brasil, começando por Salvador uma viagem que inclui ainda outras duas cidades (São José do Rio Preto e São Paulo).

Filósofa Judith Butler estará na Conferência de Abertura

"O evento começou a ser pensado há exatamente um ano. Trabalhamos muito para fazer um congresso acadêmico diferenciado dos demais que existem no Brasil. Espero muito debate e que o evento também possa servir para pensarmos outras formas de ativismo menos conhecidas e reconhecidas”, disse o professor Leandro Colling, coordenador do evento e do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), que realiza a segunda edição do Desfazendo Gênero junto com várias parcerias.

INTERNACIONAIS – Pesquisadores e ativistas de países como Chile, Argentina, Espanha, Portugal e República Dominicana estão confirmados na programação do Desfazendo Gênero. Os quatro dias contarão com seis mesas redondas, 71 simpósios temáticos, nos quais serão apresentados 759 trabalhos, além de 25 minicursos, 25 oficinas, exibição de pôsteres, performances, música, teatro e outras atividades artísticas.

As atividades ocorrerão em diferentes salas dos Pavilhões de Aulas 3 e 5 do campus de Ondina. Os participantes poderão escolher, por exemplo, entre as opções de simpósios temáticos e minicursos que abordam temas como educação, comunicação, arte, binarismo de gênero, normatização dos corpos, dentre outros temas.

"Tivemos 759 trabalhos aprovados, dos 830 submetidos. Foi uma procura imensa para um evento que está na segunda edição. Isso mostra que a nossa área de pesquisa é grande e tem se desenvolvido muito dos últimos anos, em especial na Bahia e em outros estados do Nordeste”, explica Colling.

Não faltam também boas ofertas de oficinas, que serão ferramentas de empoderamento e serviço ao público. Entre os temas trabalhados estão workshops de drag king, transfeminimos, criação literária e pornoterrorismo.

"As oficinas irão ocorrer na primeira tarde do evento e nossa ideia é que o resultado delas possa aparecer como intervenções das pessoas no decorrer do Seminário. As oficinas serão um grande diferencial”, aposta Colling.

MOVIMENTO – Apesar de concentrar sua programação nas instalações da UFBA, a ideia é que o Desfazendo Gênero ocupe espaços além dos muros da universidade, como é o caso a Residência Universitária, no Corredor da Vitória, onde acontecerá o Caruru da Diversidade e uma mostra artística musical na noite do dia 5 de setembro. Já no Teatro Gregório de Mattos, no domingo, dia 6, na Praça Castro Alves, serão encenadas as peças Solo Almodóvar e o Diário de Genet, ambas dirigidas pelo professor e pesquisador Djalma Thürler. E ainda haverá festa de encerramento com show na Praça Thereza Batista, no Pelourinho, na noite do dia 7 de setembro.

O Seminário Internacional Desfazendo Gênero foi criado em 2013, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo núcleo Tirésias, na época coordenado pela professora Berenice Bento. A proposta foi a de criar um espaço específico para os estudos e ativismos queer no país.

Logo após o término da primeira edição, em Natal, o CUS, vinculado ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT – UFBA), assumiu a missão de realizar a segunda edição em Salvador. Capitaneado pelo professor Leandro Colling, o CUS é formado por alunos e alunas de graduação e pós-graduação que desenvolvem pesquisas na área.

A programação completa do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero pode ser conferida no site http://www.desfazendogenero.ufba.br/

 

*Crédito das peças gráficas: Caio Sá Telles

**Crédito das fotos: Divulgação

 

Assessoria de Comunicação – II Seminário Internacional Desfazendo Gênero

Eder Luis Santana (Jornalista – DRT: 2611) – (71) 9324-9557

Leandro Stoffels – (71) 9110-9338

Ramon Fontes – (71) 8844-9100

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Imagem: Janaina Calaça

 

O integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade, Matheus Santos, foi vítima de homofobia ao ser agredido na última segunda, na Lapa, no Rio de Janeiro.

Matheus, que é um dos fundadores do grupo, escreveu um texto sobre o que aconteceu (leia abaixo) e atualmente realiza seu curso de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Ele foi barbaramente espancado e xingado porque estava beijando um outro rapaz. É mais uma vítima dessa crescente violência que assola todas as pessoas que externalizam as suas diferenças, sejam elas sexuais, de gênero, religiosas etc. O CUS está indignado e presta todo o apoio possível ao Matheus", disse Leandro Colling, coordenador do grupo.

Os coordenadores do programa de pós-graduação onde Matheus estuda, também lançaram uma nota nas redes sociais. "Viemos nos solidarizar com nosso aluno de doutorado Matheus Santos que, no último domingo, foi criminosamente agredido por motivo de homofobia. Sabemos que em nossos tempos as violências são muitas mas não podemos nos calar diante de qualquer forma de discriminação. Deixamos em nome de nossos professores, funcionários e estudantes aqui nosso forte abraço a ele e desejando que este fato lamentável seja mais uma razão para nos mobililzar por uma sociedade mais justa que inclua a criminalização da homofobia", disseram os professores Denilson Lopes e Paulo Vaz, da coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ.

Eis o texto de Matheus na íntegra:

"Ontem fui espancado. Atacado pelo ódio. Alvo da mais pura inveja do meu desejo. Estava na Rua do Ouvidor, no festival Amanhecer contra a redução da maioridade penal. Era por volta de uma da manhã. Conheci um garoto e nos beijávamos em uma rua próxima quando fomos violentamente agredidos por dois homens que nos deram socos e chutes enquanto nos hostilizavam verbalmente, denunciando nossa "afronta" por estarmos ali, existindo e vivendo nossos afetos. Ele conseguiu correr, eu fui jogado no chão e achei que fosse morrer frente à raiva desmedida dos meu agressores. Gritei com toda minha força pedidos de ajuda; ninguém. Desviei como pude, me defendi até onde deu, consegui sair aos tropeços. Corri com a roupa destroçada em meio às pessoas até encontrar o garoto assustado, com o olho inchado e também em choque. Nos abraçamos e nos percebemos felizes por estarmos vivos. Foi um momento bonito em meio a tanta desgraça. Apesar de tê-lo conhecido minutos antes, soube ali que estávamos profundamente ligados pelo nosso desejo desviante, e que nosso afeto anormal vem acompanhado da experiência da injúria, pela qual somos marcados e que, creio, pode nos unir como coletivo monstruoso -e perigoso.


Enquanto apanhava, eu temia por minha vida, mas não só. Senti que cada chute tentava por abaixo uma rede que vai muito além de mim. Cada soco ou palavra de ódio se dirigia a um grande coletivo do qual faço parte. E, em certa medida, eu já havia experienciado aquilo por outras vias; através da arte, da literatura, dos relatos policiais mas, principalmente, através da vivência de amigxs. Da minha própria vivência na Babilônia; não cheguei aqui à toa, toda bixa sabe do que estou falando, ou deveria saber. Maycon, Kleper, Pedro, Nicole, Van, Nicolas, Roberta e muitxs, muitxs outrxs... Eu era muitxs naquele momento. Sou muitxs agora.

Afasto-me de toda culpa; corro em direção à liberdade e me vejo extremamente desejoso, para o azar deles. Não darei nenhum passo atrás. Não morri ontem, mas um jovem de 14 anos sim. À pauladas & pedradas. Quero mais do que nunca estar em manada. Virar bomba relógio. Tic Tac Boom. Auto-defesa é pra ontem, amigxs. A guerra civil está aí e é atravessada por diversas forças: O que aquela dupla fazia num evento contra a redução da maioridade penal? Qual a intersecção entre viadagem e etarismo? Viadagem, etarismo e classe? Viadagem, etarismo, classe e raça & encarceramento?

Não abandonarei a cidade, continuarei produzindo com ela os nossos desejos mais perversos.

Nunca saímos da barbárie/cultura e diante dela só nos resta a radicalização.

Em tempo: dispenso conselhos sobre B.O., ainda que os mais bem intencionados."

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Quarta, 20 Maio 2015 16:56

Violentadxs, violentamos!

Ramon Fontes - mestrando do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e integrante do CuS

 

Nesses derradeiros meses de minha pesquisa no mestrado (estou há oito meses da defesa da dissertação) fiz revoluções nunca desejadas para umx estudante de pós-graduação: modifiquei totalmente meu foco na pesquisa, recusei seguir com instrumentos e ferramentas normativas, herdeiras de uma essencialização do método cartesiano, lancei um novo olhar sobre aquilo que nas ciências seria entendido como "objeto de pesquisa". Há tempos desconfiava que algo não ia bem no meu caminho de pesquisador!

Em uma das aulas do componente Estudos das Subjetividades, do qual participo cumprindo as etapas do tirocínio docente, com meu orientador, a ficha caiu... Apesar das mudanças na pesquisa terem acontecido antes do componente, digo que a ficha caiu, justamente porque percebi que um grande tema rondava minhas inquietações. Um tema que sempre me acompanhou, mas que não estava verdadeiramente claro para minhas lentes. Um tema que me moldou ao longo dos anos e que sempre se escondeu atrás de argumentos místicos e ou do plano superior de alguma entidade de fé. Um tema que fala por si, fala dxs outrxs, mas nunca se completa em uma explicação minimamente inteligível: a violência.

Refletir sobre violência nos coloca em caminhos múltiplos, isto é, de onde enxergar a violência? Do lugar da Casa Grande? Da senzala? Do tronco? Das atividades nas plantações? Das atividades dentro da Casa? A metáfora da escravidão é apenas um gancho que uso para sugerir o quão fugidio é o tema da violência. Sem me alongar muito, até porque não é o objetivo do texto, afirmo que falo, na nova configuração de minha pesquisa, de um lugar de violência que, apesar das possíveis críticas que possam interrogar o meu texto, é o lugar da violência sobre e a partir das nossas subjetividades.

Refletir sobre os aparatos sociais que nos engolem em discursos unitários e totalizadores, formados por relações de poder cisheteronormada, é um desafio constante para esse indivíduo em todos os momentos que se vê na frente da tela do notebook tentando continuar a escrita: pensar a minha experiência de abuso sexual na infância sem fazer disso uma historinha triste de compaixão, vitimização ou piedade é o que me instiga parágrafo após parágrafo. Demonstrar as lacunas das narrativas de subjetividade e denunciar como esse poder cisheteronormado nos silencia cotidianamente é o que me move! Travar uma batalha constante contra o olhar culpado da tríade familiar é o que me arrepia, é o que me dá ânimo para seguir me expondo.

No fim das contas, pensando a partir das técnicas de si sugeridas por Foucault, escrevo para violentar à violência. Violento-a com poesia, violento-a com minha história, violento-a com a minha arte, de forma que o meu pequeno escrito, nesses dois anos dissertativos, sirvam para desmascará-la, sirvam para tocar indivíduos e motivá-los a violentá-la, também. A minha ideia de violência em nada coaduna com o conceito que está posto em nosso cotidiano, mas com absoluta certeza (pelo menos para mim), essa violência me produz!

E, aproveitando a metáfora poética, e desconstruindo (com muita coragem) a intenção inicial da fóbica canção francesa La Marseillaise eu canto:

"Allons enfants de la Patrie

Le jour de gloire est arrivé!

Contre nous de la tyrannie

L'étendard sanglant est levé

Entendez-vous dans les campagnes

Mugir ces féroces soldats?

Ils viennent jusque dans vos bras

Égorger nos fils, nos compagnes!"

 

NÃO PASSARÃO, MAIS!

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Ao longo do ano de 2015, o CuS, grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade da UFBA, pretende alargar suas pregas e ampliar as discussões a respeito das questões de gênero e sexualidade. Para isso, fará encontros semanais e gratuitos, com o sugestivo nome de “Abrindo o Cus”.

Esses encontros serão de acesso livre a todxs, mediante inscrição prévia através do e-mail ( O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) e acontecerão sempre às terças-feiras, a partir do dia 28/04, na sala 205 do PAF-5 (UFBA), com início às 16h30min e término às 19h.

Ao longo desse primeiro semestre de 2015 o grupo abordará as questões iniciais do pensamento queer e pensará também sobre as intersecções entre as temáticas de gênero/ sexualidade e as temáticas contemporâneas.

 

SOBRE A INSCRIÇÃO

As inscrições acontecerão, exclusivamente, pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . Pedimos que informem, no corpo do e-mail, o nome, a idade, o nome da instituição a qual está vinculadx (Universidade, escola, movimento social e etc.) e, em algumas linhas, suas expectativas com relação aos encontros do Abrindo o CuS.

 

CRONOGRAMA DE ENCONTROS DO PRIMEIRO SEMESTRE:

28/04 - Apresentação e discussão do texto “Mais definições em trânsito”, do Leandro Colling.

Link do texto: http://www.cult.ufba.br/maisdefinicoes/TEORIAQUEER.pdf

12/05 – “Multidões queer”, do Paul B. Preciado. Link do texto: http://www.scielo.br/pdf/ref/v19n1/a02v19n1.pdf

26/05 - Os capítulos “Viajantes pós-modernos” e “Marcas do corpo, marcas de poder”, do livro Um corpo estranho- ensaios sobre sexualidade e Teoria Queer, da Guacira Lopes Louro. Link do texto: http://pt.scribd.com/doc/166076717/3-Livro-Um-Corpo-Estranho-Guacira-Lopes-Louro#scribd

 09/06 – “Subalterno quem, cara pálida? Apontamentos às margens sobre pós-colonialismos, feminismos e estudos queer”, Larissa Pelúcio. Link do texto: http://www.pucminas.br/gpfem/documentos/genero-estudos-poscoloniais.pdf

 

EXPEDIENTE:

ONDE: Sala 205 do PAF-5, UFBA (Ondina).

HORÁRIO: 16h30min – 19h.

QUANDO: Sempre as terças-feiras, a partir do dia 28/04.

E-MAIL PARA INSCRIÇÃO: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Compartilhe

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google BookmarksSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Pagina 1 de 2

Login