Políticas do CUS

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Notícias (176)

 

Discutir as relações entre arte, gênero e sexualidade. Esse é o propósito de um simpósio que irá ocorrer nas manhãs (sempre a partir das 8h30) dos dias 14 e 15 de setembro de 2017, no auditório da Faculdade de Comunicação (Facom), da Universidade Federal da Bahia. O simpósio integra o XIII Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) e contará com a presença de artistas que residem na Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Uma das pessoas convidadas é Miro Spinelli, artista transmídia e pesquisadorx. Atualmente, é mestrandx em Performance no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Água Viva Concentrado Artístico. Uma das suas performances recebeu o nome de Gordura Trans, que foi realizada na UFBA durante o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, em setembro de 2015 (foto). Outra convidada é Rosa Maria Blanca Cedillo, professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Santa Maria, artista e curadora. Ela é coordenadora do Grupo de Pesquisa de Arte e Subjetividades (LASUB) e líder do Projeto de Pesquisa Trânsitos (des)identitários: arte como processo de subjetivação.

Da Bahia, participarão artistas e/ou pesquisadorxs que trabalham com variadas linguagens: Maria Tuti Luisão (atriz, performer e transformista), Adriana Prates (DJ, produtora do Cena Queer e idealizadora do Cabaret Drag King), Annie Ganzala Lorde (artista visual e sapatão preta), Mônica Santana (jornalista, atriz e doutoranda em artes cênicas), Malayka SN (drag queer, monxtra e artista visual), Ah Teodoro (artivista, performer e drag queer), Tiago Sant’Ana (curador e doutorando em Cultura e Sociedade) e Eberth Vinícius Lima Coutinho (dançarino, realizador do Cena Queer e mestrando em Dança). O simpósio também contará com algumas apresentações artísticas das pessoas convidadas.

A coordenação do simpósio ficará a cargo de Leandro Colling (UFBA) e Marcelo de Troi (UFBA), integrantes do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), que está produzindo uma pesquisa coletiva sobre o tema do seminário.

Também no Enecult irão ocorrer três sessões do eixo Grupo de Trabalho Culturas, Gêneros e Sexualidades. As sessões irão ocorrer nas tardes dos dias 13, 14 e 15 de setembro, sempre a partir das 14h, na sala 106 do Pavilhão de Aulas Glauber Rocha, (PAF3), Campus de Ondina. Ao todo serão apresentados 18 trabalhos. A programação do GT pode ser conferida em http://www.cult.ufba.br/enecult/programacao-3/apresentacao-em-grupos-de-trabalho-nos-14-eixos-tematicos/

Leia a proposta geral do simpósio Arte, gênero e sexualidade (Auditório da Faculdade de Comunicação)

Nos últimos anos, temos assistido o surgimento, ou ressurgimento, de uma série de artistas que elaboram uma interessante e complexa relação entre práticas artísticas e discussões sobre gênero e sexualidade. A ideia do simpósio é ampliar essa reflexão e analisar mais detidamente determinadas produções artísticas, tentando responder às seguintes questões: quem são esses e essas artistas, de onde surgiram e o que fazem? Como e quais linguagens artísticas usam para realizar os seus trabalhos? Seria correto dizer que, ao mesmo tempo em que problematizam as próprias linguagens artísticas “tradicionais”, elas problematizam as normas sobre gênero e sexualidade? Como cada coletivo ou artista produz os seus trabalhos? Quais os antecedentes dessas produções, em especial em nosso país? Que processos de subjetivação são acionados por essas produções? Tratam-se de produções que poderiam ser inseridas no clássico paradigma das identidades (gay, lésbica, trans) ou estamos assistindo a emergência de um conjunto de produções muito mais focadas na problematização e desconstrução das normas do que na afirmação identitária?

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O coletivo De Transs pra frente e o grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) realizarão uma série de atividades para auxiliar pessoas trans que desejam se candidatar a uma pós-graduação (mestrado ou doutorado) em alguma instituição de ensino superior. Para participar, as pessoas trans interessadas, que já possuem ou estão em fase de concluir um curso de graduação, devem preencher o formulário disponível em https://goo.gl/forms/Y0tcGP3F05dgFlh22 . A iniciativa recebeu um nome sugestivo: Transformando a Pós!

Além de um primeiro encontro presencial, a ser realizado no dia 12 de setembro, às 18h30, na sala 307 do Pavilhão de Aulas V, do campus de Ondina, as pessoas trans que se inscreverem na atividade terão um acompanhamento individual, a ser realizado por integrantes do CUS, para a realização dos projetos de pesquisa que pretendem desenvolver em seus cursos de mestrado ou doutorado. “A maioria dos programas exige um projeto de pesquisa na seleção de estudantes. Por isso, iremos dar dicas e acompanhar a produção desses projetos, sugerindo bibliografias, metodologias e explicando como se faz um bom projeto”, explica Viviane Vergueiro, que integra o coletivo de Trans pra frente e também faz parte do CUS. “Quem, por acaso, não puder comparecer no encontro presencial do dia 12, deve fazer a sua inscrição e nós entraremos em contato direto com essa pessoa para iniciar o acompanhamento”, destacou o professor Leandro Colling, coordenador do CUS.

A iniciativa dos dois grupos teve como impulso a criação de cotas para pessoas trans nos cursos de pós-graduação da Universidade Federal da Bahia. Aprovada em janeiro de 2017, a norma determina que, a partir da próxima seleção, todos os cursos de pós-graduação da UFBA deverão reservar pelo menos 30% das vagas ofertadas para pessoas negras (pretas e pardas) e uma vaga a mais em relação ao total ofertado nos cursos para pessoas enquadradas em cada uma das seguintes categorias: quilombolas, indígenas, pessoas com deficiência e trans (transexuais e travestis).

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O grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) lançou, durante a Mostra CUS 10 anos, realizada de 18 a 20 de maio, a sétima edição da Periódicus, revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades. O novo número conta com 14 textos no dossiê Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas, organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia).

Além disso, são publicados 11 textos na sessão livre. Leia abaixo o sumário completo da revista com os respectivos links para acessar os textos. A capa da sétima edição conta com um trabalho da artista Annie Ganzala Lorde, de Salvador.

A revista Periódicus é uma publicação online do CUS, da Universidade Federal da Bahia, e foi avaliada com o conceito B2 (nas áreas Interdisciplinar e Educação) e B3 (em Sociologia, Artes/Música e Psicologia) da Capes. 

A chamada de textos para o próximo dossiê foi lançada no dia 8 de maio passado. Intitulado Cidades dissidentes, o dossiê tem o objetivo de discutir as relações entre gênero, sexualidade e espaço urbano e será organizado pelos pesquisadores Helder Thiago Maia (Universidade Federal Fluminense), Matheus Araujo dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Pablo Assumpção (Universidade Federal do Ceará). Leia a chamada completa aqui.

 

Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas

Sumário

Apresentação do dossiê

Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas

Ana Cristina C. Santos, Simone Brandão Souza, Thaís Faria

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01-05

Dossie 7 - Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas

Quem tem medo de sapatão? Resistência lésbica à Ditadura Militar (1964-1985)

Luana Farias Oliveira

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06-19

 

LBL - Liga Brasileira de Lésbicas: organização e luta política

Zuleide Paiva da Silva

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20-53

 

Numa luta marginalizada não cabe uma atuação tradicional: a Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de Belo Horizonte

Thaís dos Santos Choucair, Paula Cunha Lopes

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54-77

 

Exercendo a “crítica lesbofálica” às demandas por uma “cidadania LGBT” no contexto brasileiro (2003-2016)

Bruna Andrade Irineu

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78-101

 

Epistemologia negra sapatão como vetor de uma práxis humana libertária

Tanya L. Saunders

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102-116

 

Lésbicas negras, identidades interseccionais

Ariana Mara Silva

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117-133

 

Uma análise interseccional da morte: Luana Barbosa e a insubordinação às estruturas

Igor Leonardo de Santana Torres, Lilian Alves Moura de Jesus

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134-156

 

“Mal Amadas”, “Porcas”, “Feminazis”, “Sujas”, “Xanatunzel”, “Nojentas” e “Xontuzeis” – Análise dos Discursos de Ódio sobre a performance Pelos Pêlos e seus desdobramentos

alexandra martins costa

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157-178

 

A lesbianidade e a surdez

Jessica Akemi Kawano Ribeiro

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179-191

 

Do amor entre mulheres: Narrativas de amores e lesbianidades

Danielly Christina Souza Mezzari, Leonardo Lemos de Souza

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192-214

 

O que podem fazer duas vulvas? - Sexo feminino, gênero lésbico

Daniela Conegatti, Jane Felipe

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215-235

 

Em busca de um cinema lésbico nacional

Naiade Seixas Bianchi

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236-247

 

“Para eles eu não existo” - A invisibilidade da negra não heterossexual nas telenovelas brasileiras

Naira Évine Pereira Soares

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248-262

 

Sapatão é revolução: Censura, erotismo e pornografia na obra de Cassandra Rios

Claudiana Gois Santos

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263-279

Livre

Deslocamentos subjetivos das transmasculinidades brasileiras contemporâneas

João Walter Nery, Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho

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280-299

 

As ações estético-políticas de enfrentamento direto de Indianara Siqueira, pessoa normal de peito e pau

Carlos Guilherme Mace Altmayer, Denise Berruezo Portinari

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300-312

 

Sou fêmea, sou mulher: a trajetória de Sandra Flor, transexual e prostituta, rumo ao ideal feminino

Osvaldo da Silva Vasconcelos, Manuela do Corral Vieira, Danila Gentil Rodriguez Cal

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313-326

 

O gênero sexual como cárcere e como liberdade: A garota dinamarquesa, de David Ebershoff, na perspectiva do performativo e da alternância de sujeitos

Jacob dos Santos Biziak

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327-339

 

Universidade, gênero e movimentos sociais (Decálogo)

Berenice Bento

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340-353

 

"A quem pertence esse corpo?": religião e esterilização do corpo bicha

Alexsandro Rodrigues, Steferson Zanoni Roseiro, Matheus Magno dos Santos Fim

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354-371

 

A rede digital como catalisadora de espaços informativos em torno das marcas da diferença: uma análise da página Cartazes e Tirinhas LGBT

Christian Gonzatti

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372-387

 

Desconstruindo e subvertendo o binarismo sexual: apostas feministas e queer

Mariana Ferreira Pombo

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388-404

 

Gays afeminados ou a poluição homoerótica

Oscar Guilherme Lopes

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405-422

 

“Você é feia, feia pra caralho”: um ensaio sobre gênero, beleza e feiura

Thiago Coacci, Leonel Cardoso dos Santos

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423-439

Entrevistas

DeCUlonização e diásporas trans: uma entrevista com Sanni e Pêdra Costa

Kaciano Gadelha

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A Mostra CUS 10 anos, que comemora uma década do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), ligado à Universidade Federal da Bahia, contará com os lançamentos de três livros, dois deles organizados por pesquisadores do grupo. Os lançamentos ocorrem no segundo dia da Mostra, dia 19 de maio, às 18h,  no Goethe-Institut Salvador (Corredor da Vitória).

Um dos livros é Dissidências sexuais e de gênero, organizado por Leandro Colling, com 11 textos selecionados a partir do II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, organizado pelo CUS em 2015. A obra conta com textos de Judith Butler, Berenice Bento, João Manuel de Oliveira, Catarina Martins, Fernanda Capibaribe, Gracia Trujillo, Íris Nery do Carmo, Renata Pimentel, Jaqueline Gomes de Jesus, Tiago Duque e Yuri Tripodi. O livro será vendido ao preço promocional de R$ 20,00.

O outro livro, organizado por Colling em parceria com Gilmaro Nogueira, é Crônicas do CUS: cultura, sexo e gênero. Trata-se de uma seleção de 50 textos postados, desde 2012, no blog Cultura e Sexualidade. Os textos são escritos em uma linguagem de fácil acesso ao grande público. O blog tem entre 10 a 20 mil leitores por mês. “Selecionamos aqueles que foram mais acessados e os mais polêmicos, como Hétero-passivo é tendência e O anús é um orgão sexual?. Além disso, reescrevemos os textos, corrigimos pequenos equívocos, adpatamos para o livro, solicitamos textos inéditos para os autores e autoras”, explica Colling.

Além de Colling e Nogueira, o livro conta com textos de Viviane Vergueiro, Carla Freitas, Carlos Henrique Lucas Lima e Fábio Fernandes. O Crônicas do CUS marca a estréia da editora Devires e será comercializado por R$ 30,00. Os textos foram divididos em quatro capítulos, intitulados Heterossexualidades e heteronormatividades, Corpos, homossexualidades e heteronormatividades, Múltiplos gêneros e cisnormatividades e Políticas e movimentos sociais.

O terceiro livro a ser lançado é De Trans Pra Frente, de Dodi Leal, criadora do canal com mesmo nome da publicação. A obra, composta por poesias, foi publicado pela editora Patuá e custa R$ 38,00. A autora também participará de uma atividade na Mostra CUS 10 anos, que ocorre nos dias 18, 19 e 20 de maio, em parceria com o Goethe-Institut Salvador-Bahia e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Culturas Identitárias. A programação completa está disponível no www.politicasdocus.com

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Discutir as relações entre gênero, sexualidade e espaço urbano. Essa é a proposta do próximo dossiê da Periódicus, revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades. A chamada de textos (ou colaborações em outros formatos) para o dossiê, intitulado Cidades dissidentes (leia abaixo), foi lançada hoje (dia 8 de maio). Desta vez o dossiê será organizado pelos pesquisadores Helder Thiago Maia (Universidade Federal Fluminense), Matheus Araujo dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Pablo Assumpção (Universidade Federal do Ceará). 

A Capes avaliou a Periódicus pela primeira vez e a revista ficou com os conceitos B2 na área Interdisciplinar e B3 em Sociologia, Psicologia e Artes/Música. “Trata-se de um excelente resultado para uma revista nova e que é feita sem recursos, apenas com trabalho voluntário”, comemora o professor Leandro Colling (UFBA), que edita a Periódicus juntamente com o professor Carlos Henrique Lucas Lima (UFOB). 

Os textos para o dossiê Cidades dissidentes devem ser enviados até dia 11 de setembro de 2017. A revista aceita textos para a sessão livre em fluxo contínuo. Todas as propostas devem ser enviadas exclusivamente através do sistema do site da revista (clique aqui). As pessoas autoras devem observar as normas de submissão (clique aqui). 

No próximo dia 18 de maio, na Mostra CUS 10 anos, será lançada a sétima edição da revista, com um dossiê intitulado Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas, organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia). “Serão publicados 14 textos no dossiê e mais 11 na sessão livre”, disse Colling. 

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia. 

 

CHAMADA PARA O DOSSIÊ CIDADES DISSIDENTES

 

O dossiê Cidades dissidentes busca reunir trabalhos que discutam as relações entre gênero, sexualidade e espaço urbano. Mesmo diante das interpelações da heteronormatividade, da cisgeneridade, do machismo e/ou da branquitude, sujeitos e coletivos dissidentes tecem novas e desautorizadas formas de sociabilidade e de encontros afetivo-sexuais imbuídos de força crítica. Nesse sentido, é importante ressaltar que em tais atos dissidentes éticas contra-hegemônicas são praticadas à medida que esses corpos ocupam o espaço público e passam a compor territórios que profanam a cidade “planejada” pelas instituições macropolíticas.

 Nos banheiros públicos, nas ruas e becos escuros – espaços agora atravessados por modulações sociotécnicas particulares vinculadas principalmente à internet – práticas afetivo-sexuais dissidentes surgem redistribuindo vetores do poder, o qual, por sua vez, responde através dos seus aparatos de segurança e controle, seja através de violenta ação policial, seja através de estratégias gentrificadoras, apresentadas e consumidas majoritariamente como processos de revitalização urbana.

 O dossiê Cidades Dissidentes propõe traçar um panorama dessas questões com o intuito tanto de pensarmos conjuntamente as práticas sexuais como possibilidades de fuga, mas também de aprofundarmos a percepção de como como funcionam as adesões às normatividades e como essas precarizam nossas experiências.

 Buscamos trabalhos de todas as áreas de conhecimento, uma vez que pretendemos pensar a problemática da cidade e do corpo dissidente a partir dos mais distintos questionamentos, metodologias e experiências. As submissões podem tomar a forma de artigos acadêmicos, relatos de pesquisa, experimentos em ficção crítica, entrevistas e ensaios visuais. Temas de particular interesse incluem, entre outros:

 - Sexo em lugares públicos;

 - Sexualidades, intimidades e contrapúblicos;

 - Prostituição, trabalho e autodeterminação;

 - Transmaterialidades e experiência urbana;

 - A cidade global: entre gentrificação e precarização;

 - O corpo, o sexo e a cidade: agenciamentos;

 - Cidade e pornografia;

 - O público e o privado: aporias;

 - Contrassexualidade, biopolítica e mediações sociotécnicas da cidade;

 - Imaginários urbanos: ficções e utopias;

 - Errância sexual e flanerie perversa;

 - Autopornificação e potências de excitação;

 - Espaços de saturação sexual: cinemas pornô, bordéis, casas de swing etc.;

 - Ações diretas e interferências estético-políticas no espaço urbano.

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Usar a arte e o corpo para problematizar as questões que envolvem gênero e sexualidade. Subverter e quebrar estereótipos que temos sobre maneiras de ser e existir. Esses são os objetivos da Mostra CUS 10 anos, evento que comemora uma década do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade, o CUS, ligado à Universidade Federal da Bahia e que congrega pesquisadores, acadêmicos e ativistas.

A Mostra ocorre nos dias 18, 19 e 20 de maio, em parceria com o Goethe-Institut Salvador-Bahia e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do edital de Culturas Identitárias, no qual a proposta do CUS foi uma das selecionadas.

O evento terá talk shows, exposição de arte, exibição de filme, apresentação de espetáculo de teatro, performances, oficinas, além do show da Linn da Quebrada, no dia 20/05, que encerra a programação na Praça Pedro Arcanjo, no Pelourinho. A programação completa do evento está no final desse texto.

O CUS surgiu com a intenção de estudar as relações entre cultura, sexualidade e gênero de maneira interseccional. “Criar intersecção é criar pontes, diálogos, com vários saberes e conhecimentos, na intenção não apenas de compreender fenômenos, mas mapear outros conhecimentos subjugados. Os estudos queer, do qual também nos ocupamos, têm interesse em desconstruir qualquer ideia de normatização, naturalização, binarismos, sempre em contato com as subjetividades, as produções artísticas e tantas outras possibilidades que não param de florescer”, explica Leandro Colling, professor do IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA, e um dos coordenadores do grupo.

Para o diretor do Goethe-Institut Salvador, Manfred Stoffl, acolher esse evento é parte da responsabilidade da instituição: “Em todo o mundo, o Goethe-Institut é um ente ativo nas agendas de minorias sociais. Nossa atuação, no âmbito cultural e educacional, se compromete com a percepção do outro, com a defesa das liberdades e com a visibilidade de movimentos que enfrentam autoritarismos e preconceitos. Esta casa é um lugar de diversidade que esperamos ver se espalhar por toda a cidade”.

A Mostra CUS 10 anos tem como eixo discutir outras formas de ativismo em gênero e sexualidade, com atenção às estratégias adotadas pelo grupo de pesquisa e por outros ativistas no debate sobre as diferenças sexuais e de gênero. A ideia é que sejam experimentadas novas formas de discussão e atuação social, pensando em caminhos alternativos que apostam em formas menos institucionalizadas de fazer política.

 

Talk show com debate e performance

 

Com exceção do show da Linn da Quebrada, que ocorrerá no Pelourinho, e do espetáculo do ATeliê VoadOR, que será apresentado no MAB, o evento se concentrará no Goethe-Institut Salvador-Bahia. No teatro da instituição ocorrerão quatro talk shows que discutem temas como TransArtes, teatrologias, performances dissidentes. Essas mesas contam com a participação de pessoas que estão discutindo as questões de gênero, sexualidade e assuntos interseccionais na atualidade.

Entre xs convidadxs, estão as transfeministas Amara Moira (autora de “E Se eu Fosse Puta?”) e Viviane V. (CUS/ Akahatá), os diretores teatrais Djalma Thürler e Thiago Romero, e a artista visual Virgínia de Medeiros, dentre outrxs. A platéia terá participação ativa na condução dos debates.

Os temas discutidos surgem a partir de discussões levantadas dentro do próprio grupo CUS e com relevância para outras comunidades, entre elas a LGBT, transexuais, transgênerxs, intersexuais, assexuais e tantas outras expressões da sexualidade e dos gêneros. O avanço dos discursos de ódio e violência contra pessoas trans, além das tentativas incessantes de anular as discussões de gênero e sexualidade nas escolas e o avanço do fundamentalismo religioso coloca o assunto em pauta de discussão, mobilizando o interesse da opinião pública.

 

 Exposição traz o corpo para o centro das artes visuais

 

A exposição “Campo de Batalha”, com curadoria de Tiago Sant’Ana, que também é coordenador geral do evento, vai reunir artistas que discutem, em suas obras, os temas das sexualidades e dos gêneros. “São artistas que falam sobre isso de maneira mais independente e com estratégias menos convencionais. A exposição contará com registros de performance, vídeos, desenhos e fotografias que dialogam criticamente com o espaço que vem sendo dado na arte para essas temáticas”, afirma o curador.

“Campo de Batalha” será exibido na galeria do Goethe-Institut e colocará a Bahia em outras cartografias, a do debate da arte como importante ferramenta para discutir a condição de pessoas que fogem às normas de gênero e sexualidade. O interesse no campo das artes por essas temáticas vem crescendo como uma forma de reação social e simbólica ao processo de violência e normatização dos corpos. Nos últimos anos, um crescente número de artistas e coletivos se reúne na perspectiva de identificar como “artivismo” essas produções culturais no combate às opressões de gênero, sexualidade, raça e classe.

“A iniciativa desse projeto é debater como a produção de conhecimento e as diversas ações artísticas também consistem numa forma de ativismo e política, apesar de ser uma estratégia diferente dos movimentos sociais comumente conhecidos e com os quais a academia precisa dialogar mais”, finaliza o coordenador Tiago Sant'Ana.

“Campo de Batalha” traz obras dxs artistas Ana Verana, Caio Sá Telles, Miro Spinelli, Rafael Bqueer, Virgínia de Medeiros, além de dois arquivos: o Arquivo Padre Pinto e o Arquivo Balizas. A exposição fica em cartaz durante os dias de evento e segue até o dia 27 de maio.

 

 Lançamento de livros

 

O CUS possui diversas publicações que comprovam a explosão dos estudos de gênero no país, além de livros publicados pela EDUFBA, trabalhos como artigos, dissertações e teses que se transformaram em livros e que tratam da discussão sobre gênero, sexualidade e identidade. Durante a Mostra CUS 10 anos, serão lançados três livros: De Trans Pra Frente, de Dodi Leal, criadora do canal com mesmo nome do livro, Crônicas do CUS: cultura, sexo e gênero, organizado por Leandro Colling e Gilmaro Nogueira e Dissidências sexuais e de gênero, também organizado por Colling. Além disso, na abertura (18/05 - 18h), a trajetória dos 10 anos do CUS será contada em forma de cordel com o Queerdel “E o CUS?! 10 ânus nos anais” de autoria de Pablo Soares (Divine Kariri), membro do grupo de pesquisa.

 


PROGRAMAÇÃO COMPLETA

 

Show de encerramento: 20/05 – 20h

Linn da Quebrada

(abertura com Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa)

Local: Praça Tereza Batista no Pelourinho

Ingressos: R$ 20 | R$ 10 (meia) – à venda no Goethe-Institut com a produção do evento durante os dias da Mostra (apenas dinheiro)

 

18/05 (quinta-feira) – Teatro do Goethe-Institut


18h – abertura com performance de Ah Teodoro e declamação do queerdel em homenagem aos 10 anos do CUS com Divine Kariri.

18h30 – exibição do filme Cores e flores para Tita, de Susan Kalik

20h - Talk show 1

Amara Moira – escritora e ativista trans

Andrea Magnoni – fotógrafa

Viviane Vergueiro – mestra em Cultura e Sociedade, ativista, transfeminista e integrante do CUS

 

19/05 (sexta-feira) – Teatro do Goethe-Institut

16h30 – Talk show 2

Coletivo Das Liliths

Thiago Romero – diretor da companhia Teatro da Queda

Djalma Thürler – diretor do Ateliê Voador e integrante do CUS

Stéfano Belo – ator, integrante Selvática Ações Artísticas e integrante do CUS


18h – abertura da exposição “Campo de Batalha” e lançamento de livros

19h – Talk show 3

Linn da Quebrada – cantora e ativista trans

Alan Costa – representante do coletivo de jovens negros LGBTs Afrobapho

Dodi Leal – criadora do canal de Trans Pra Frente no Youtube

Daniel dos Santos – historiador, pesquisador e integrante do CUS

19h – Programação paralela* - Espetáculo Uma mulher impossível, com Mariana Moreno – ATeliê VoadOR – direção de Djalma Thürler, no Museu de Arte da Bahia (MAB) - Corredor da Vitória

*ingressos R$ 20 (inteira) | R$10 (meia para estudantes e visitantes da mostra)

 

20/05 (sábado) – Teatro do Goethe-Institut

13h – Oficinas

Introdução ao bondage – Lady Shi e Tiago Sant’Ana

Invasões dissidentes: performances autobiográficas nas fissuras da urbe soteropolitana – Stéfano Belo

Oficina de Monxtração – Malayka SN e Nina Codorna

17h – Talk show 4

Virgínia de Medeiros – artista visual

Àlex Ígbó – artista visual

Tiago Sant’Ana – professor da UFBA, mestre em Cultura e Sociedade, integrante do CUS

Susana Gyulamiryan (Armênia) – curadora, feminista e artista residente do Goethe-Institut

20h – Show Linn da Quebrada - Praça Tereza Batista (Pelourinho)

Abertura: Malayka, Estranhas Marujo 2017, Nina Codorna e Alan Costa

 

Exposição “Campo de Batalha” na galeria do Teatro do Goethe-Institut (até 27 de maio)

Ana Verana

Arquivo Balizas

Arquivo de Padre Pinto

Caio Sá Telles

Miro Spinelli

Rafael Bqueer

Virgínia de Medeiros

 

Acesse o link para fotografias em alta resolução e press kit completo: https://goo.gl/l8bIf2

 


SERVIÇO

O quê: Mostra CUS 10 anos

Quando: 18, 19 e 20 de maio de 2017

Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia – Corredor da Vitória | Praça Tereza Batista - Pelourinho

 


Sobre o CuS

O Grupo de Pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) foi criado em 2007, na Universidade de Federal da Bahia, por uma turma de estudantes de graduação em Comunicação, Letras e Ciências Sociais junto ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), liderados pelo professor Leandro Colling. O objetivo era, e ainda é, produzir pesquisas e atividades de extensão a partir e com os estudos queer, que colocam em xeque as visões essencialistas e biologizantes sobre as sexualidades e identidades de gênero, adotando uma postura de rebeldia na luta pelo combate aos processos de subalternização. Pouco depois de sua formação inicial, passaram a integrar o grupo mestrandos e doutorandos do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (PosCult/IHAC). Hoje o CuS conta com pouco mais de 30 pesquisadorxs e tem trabalhado em várias frentes: de publicação de textos a organização de eventos e manifestações nas ruas. No campo dos grandes eventos, o grupo se destacou na realização de três encontros nacionais e internacionais. Entre os destaques estão o seminário “Stonewall 40 + o que no Brasil?”, em 2010, que reuniu em Salvador cerca de 400 pessoas de diversos cantos do Brasil com o objetivo de debater as políticas LGBTs nos últimos 40 anos no país; em 2012, o grupo sediou uma das edições do Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da ABEH – Associação Brasileira de Estudos da Homocultura, com a presença do escritor e ativista Jack Halberstam e de 700 pessoas de 24 estados brasileiros e de alguns países da América Latina. Em 2015, o grupo promoveu o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, com o tema “Ativismos das dissidências sexuais e de gênero”, que contou com conferência da filósofa estadunidense Judith Butler e a participação de cerca de 1.500 pessoas pesquisadoras e/ou ativistas do Brasil e do exterior.

 


Mais informações para a imprensa

Twitter: @cusBahia

Facebook: www.facebook.com/grupocusbahia

www.politicasdocus.com

Marcelo de Trói (71) 981 497 007 | (11) 989 645 583 (whats up) – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

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Antendendo a vários pedidos, a Periódicus – revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades - adiou para dia 26 de março a data para envio de textos para o dossiê de seu sétimo número, a ser lançado ainda no primeiro semestre de 2017. O dossiê, intitulado Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas (leia chamada abaixo), é organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia).

Os textos devem ser enviados até dia 26 de março de 2017 exclusivamente através do site da revista (https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus) dentro das normas disponíveis na sessão 'Diretrizes para autores' (ver (http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/about/submissions#authorGuidelines). A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia. Para ler o número atual clique em https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus

Dossiê Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas.

No dossiê “Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas” pretendemos pensar as existências e resistências lésbicas a partir das diferenças articuladas que criam lugares complexamente situados na nossa sociedade. Partiremos das perspectivas das identidades de gêneros, raças e sexualidades a fim de enfocar a vulnerabilidade social e a resistência - potencializada na capacidade de agência lésbica - a partir do conceito de interseccionalidade, situando o entrecruzamento de diversos marcadores, nos quais vivências subalternizadas existem e resistem rasurando as normatividades.

As análises interseccionais, que tiveram sua origem na articulação das demandas das produções teóricas e ativistas feministas, com grandes contribuições das negras, lésbicas e de “terceiro mundo”, se preocuparam inicialmente com o “falar sobre raça através de uma lente que observe a questão de gênero, ou pensar e falar sobre femininsmo através de uma lente que observe a questão de raça.”, (Crenshaw, 2014). Posteriormente, a perspectiva interseccional foi incorporando à questão de raça e gênero outras interfaces, como classes sociais, orientações sexuais, faixas etárias, colonialidades, religiosidades, diversidades funcionais, a que Crenshaw (2002) chamou de fatores de subordinação, “acúmulos de discriminação” ou interseccionalidades.

Os panoramas dos estudos interseccionais, subalternos, queer e pós-coloniais têm desenvolvido uma produção teórica voltada para a reflexão crítica e para a intervenção política. Desse modo, privilegiamos nesse dossiê tais abordagens, em especial a abordagem interseccional por entendermos não apenas sua importância no pensamento feminista, incluindo-se aí o feminismo negro e o feminismo lésbico, mas também por compreendermos ser necessário desenvolver análises que não tratem as lesbianidades de forma homogênea, mas que afirmem as diferenças de classe, raça, religião, geração, dentre outras especificidades constitutivas da forma como vários grupos de mulheres vivenciam a discriminação e/ou agenciam sua resistência. No campo epistemológico, a interseccionalidade estabelece um diálogo importante com perspectivas pós estruturalistas e desconstrucionistas, favorecendo reflexões críticas e um pensamento mais criativo e mais complexo.

Portanto, os determinados lugares sociais, de formas de ser e estar no mundo, materializadas em suas relações interpessoais, são os debates a serem realizados neste dossiê que tem a preocupação ainda de conferir às lesbianidades um olhar mais autônomo e menos impregnado da concepção gay-masculina-patriarcal, que invisibiliza nuances próprias das lesbianidades.

Queremos pensar, a partir da perspectiva das lesbianidades, escritos e práticas artísticas feministas, refletindo sobre a potência de nossas existências e resistências! Afinal, Sapatão não é bagunça! É revolução!

 

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A sexta edição da Periódicus, revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades, já pode ser conferida no site da publicação (clique aqui). Desta vez, a revista publica o dossiê Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados, organizado pelos pesquisadores João Manuel de Oliveira (ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa) e Tiago Sant´Ana (UFBA). O dossiê conta com oito textos. Além disso, a edição ainda possui sete artigos na sessão livre e duas resenhas.

 

“As genealogias excêntricas referem-se a estas genealogias outras, que emergem fora dos centros de produção de conhecimento, a partir de conhecimentos subjugados, surgindo das periferias e das semiperiferias, que se apresentam como extravagantes face a uma determinada ordem canónica que normaliza o modo como se conta e que se apresentam como formas de estranhamento do que conta como queer ou como género”, escreve João Oliveira, na apresentação do dossiê. Por causa do tema do dossiê, a revista resolveu publicar em sua capa uma imagem dx artista Malayka SN, de Salvador, que tem se destacado na cidade em suas performances, em especial sob o comando das Terças Estranhas, no bar Âncora do Marujo.

 

A sexta edição também marca o momento em que começam a ser divulgados os resultados das primeiras avaliações das áreas da Capes para a revista. Por enquanto, dez áreas já divulgaram a avaliação da revista e duas delas (Sociologia e Artes/Música) concederam o conceito B3 para a Periódicus. A área interdisciplinar, na qual mais se situa a revista, ainda não divulgou o resultado de sua avaliação. "Conseguir um B3 na primeira avaliação, para uma revista produzida sem um centavo, apenas com o trabalho voluntário das pessoas, é uma vitória", disse o professor Leandro Colling, que edita a revista junto com Carlos Henrique Lucas Lima.

 

A revista já está recebendo textos para o dossiê do sétimo número, a ser publicado em maio-junho de 2017. Intitulado Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas (leia chamada aqui), será organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia).

 

Os textos para a sétima edição devem ser enviados até dia 6 de março de 2017, exclusivamente através do site da revista, dentro das normas disponíveis aqui. A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

 

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia.

 

Sumário

 

Apresentação do dossiê

 

Genealogias excêntricas: os mil nomes do queer

João Manuel de Oliveira

PDF

01-06

 

Sobre arte, conhecimentos e linhas de fuga

Tiago Sant’Ana

PDF

07-10

 

Dossiê

 

Imaginario fotográfico de una selk’nam mestiza

Violeta Arvin, Jorge Lucero

PDF

11-26

 

A arte de nomear: leituras (trans)gressoras de gênero a partir de uma obra dadaísta de Marcel Duchamp

Cláudio Eduardo Resende Alves, Magner Miranda de Souza, Maria Ignez Costa Moreira

PDF

27-44

 

Queer como um tratado de guerra: breves anúncios sobre a história do Teatro Queer de Belém do Pará

Kauan Amora Nunes

PDF

45-60

 

Arte transviada de código aberto

Tiago Rubini

PDF

61-70

 

O pênis fala coisas que eu não sei dizer: para pensar em uma nova história do masculino

Júnior Ratts

PDF

71-94

 

Experimentação de um dispositivo-corpo em uma vivência drag: pesquisar pelo afetar

Lúcio Costa Girotto, Cristiane Gonçalves da Silva, Maurício Lourenção Garcia

PDF

95-109

 

A experiência estética e as visibilidades de gêneros

Helen Campos Barbosa

PDF

110-124

 

Amor e Política

Maria Gil, Miguel Bonneville

PDF

125-153

 

Livre

 

Narrando a mim mesmo: “Hoje sou peixe/E sou meu próprio pescador” – percursos de resistências marcados de Trans-Solidão na tecelagem de uma vida!

Rubenilson Pereira de Araújo

PDF

154-165

 

O que te alucina? Banheiros, pichações e processos de subjetivação em gênero

Camila Ramos Cunha, Antônio Vladimir Félix da Silva

PDF

166-178

 

“O São João é gay!!”: horizontes interpretativos sobre as perfomances trans na festa junina no Ceará

Hayeska Costa Barroso

PDF

179-197

 

Resquícios humanos em corpos pixelados: sobre a potência desnaturalizante de sexo/gênero em avatares de jogos digitais

Lucas Aguiar Goulart, Henrique Caetano Nardi, Inês Hennigen

PDF

198-211

 

Teoria Queer entre a Pós-modernidade e o Presentismo: um caminho crítico possível?

Cássio Bruno de Araujo Rocha

PDF

212-240

 

Vagas notícias de Melinha Marchiotti, de João Silvério Trevisan, e o terrorismo anal

Fábio Figueiredo Camargo

PDF

241-252

 

Pesquisa bailarina: a dança como metáfora da desconstrução do corpo docente generificado

Rogério Machado Rosa, Renata Orlandi

PDF

253-268

 

Resenhas

 

Da estranha força que nos faz escapar: um ensaio sobre o livro Performatividades Reguladas: heternormatividades, narrativas biográficas e educação, de Marcio Caetano

Carlos Henrique Lucas Lima

PDF

269-275

 

Entre o céu e o inferno: a teologia inclusiva e o gay cristão

Natanael de Freitas Silva

 

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Quarta, 28 Dezembro 2016 13:46

Integrantes do CUS lançam novo livro

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Integrantes do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), junto com outrxs pesquisadorxs, acabam de lançar mais um livro. Trata-se de Um corpo possível: ensaios sobre abjeção e existência cultural (Editora Multifoco, 278 páginas, 45 reais), organizado por Carlos Henrique Lucas Lima e Gilmaro Nogueira. Os organizadores, na apresentação da obra, dizem que os textos livro (veja o sumário abaixo) tentam responder os seguintes questionamentos: "se o corpo só é possível por meio do “selo” das normatividades, os sujeitos marginados, aqueles localizados nos limiares da inteligibilidade social, seriam viáveis em quais termos? Como seria possível “existir” apesar da imposição de normalidades?"

O livro está sendo comercializado pelo site www.queerlivros.com.br


Sumário do livro


Apresentação - Carlos Henrique Lucas Lima e Gilmaro Nogueira
As curvas do gozo: mulheres gordas também fazem pornô! - Thais Faria
Elogio ao grotesco: corporalidades e subjetividades nas artes visuais contemporâneas - Julio César A. dos Santos Sanches
Subalternidade e heterotopia: literaturas de centralidade homossexual e a derrisão da heterossexualidade compulsória - Carlos Henrique Lucas Lima
O arco-íris no front – bandeiras e discursos em confronto - Fábio de Sousa Fernandes
“Eu sou gente, muito gente”: representações de travestis em três séries televisivas - Tess Chamusca Pirajá
A construção do corpo e do desejo nos sites de relacionamentos, chats e aplicativos móveis - Gilmaro Nogueira
Sobre santos e orixás: relações sincréticas entre sexualidade e religião - Renato Duro Dias, Ricardo Henrique Ayres Alves
Corpos polissêmicos: inspirações cinematográficas de reflexões sobre a vida na escola - Marcio Caetano, Treyce Ellen Silva Goulart e Claudia Penalvo

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Cinco pesquisadores do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) participarão do VIII Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH), a ser realizado de 23 a 25 de novembro na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Leandro Colling lançará o livro Dissidências sexuais e de gênero, organizado por ele e editado pela Editora da Universidade Federal da Bahia. O livro reúne uma seleção de artigos apresentados no II Seminário Internacional Desfazendo Gênero, realizado em setembro de 2015, na UFBA. Entre os textos está o da conferência de abertura realizada por Judith Butler, traduzido por Viviane Vergueiro, que também integra o CUS (vide sumário do livro abaixo). Colling também participará da mesa-redonda Teoria queer e a problematização de um campo de pesquisa e conhecimento, junto com Paula Sandrine Machado (UFRGS) e Thamy Ayouch (Université de Lille 3 - França).

Já Djalma Thürler e Paulo Garcia coordenarão o simpósio temático 24, Literatura e homoculturas: corpo, subjetividades, sexualidades. É nesse simpósio que Helder Thiago Maia apresentará o trabalho Sem-vergonhices, discarações e safadezas na obra de Marcelino Freire.  Alexandre Nunes de Sousa apresentará o trabalho Antígonas queer: notas sobre a precariedade do corpo trans no coletivo artístico As travestidas, no simpósio número 4, Travestilidades, transexualidades, lesbianidades e homossexualidades: transgressões e resistências.

A programação completa do evento pode ser conferida em http://congressoabeh2016.wixsite.com/ufjf

Sumário do livro Dissidências sexuais e de gênero

Apresentação: Caras que desfazem gêneros – Leandro Colling

Corpos que ainda importam - Judith Butler

Transfeminicídio: violência de gênero e o gênero da violência - Berenice Bento

(Pre)ocupando al 15-M. Activismos feministas y queer/cuir en las protestas contra las políticas de austeridad - Gracia Trujillo

“Fiz do meu corpo a revolução”: gastropolíticas e contestações de gênero, sexualidade e espécie - Íris Nery do Carmo

Trânsitos de género: leituras queer/trans* da potência do rizoma género - João Manuel de Oliveira

Dos corpos-epifanias ou corpos processo: o pós-gênero e o teatro de Copi - Renata Pimentel

Corpos em cena e trânsito: sujeitos em devir na filmografia de Cláudia Priscilla - Fernanda Capibaribe Leite

Mulheres poderosas: género, raça, sexualidade, classe, nação e outras categorias nómadas na literatura contemporânea de mulheres africanas - Catarina Isabel Caldeira Martins

“Com esse eu caso”: homens trans, beleza e reconhecimento - Tiago Duque

As guerras de pensamento não ocorrerão nas universidades - Jaqueline Gomes de Jesus

Eu vou bater uma siririca e eu vou gozar na minha, cara - Yuri Tripodi

O livro também poderá ser adquirido pelo site http://www.queerlivros.com.br/

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Infâncias, violências e sexualidade: uma aventura autobiográfica com Pedro Almodóvar. Esse é o título da dissertação de mestrado que Ramon Fontes irá defender no próximo dia 20 de outubro (quinta-feira), às 15h, no auditório Nadja Viana do Pavilhão de Aulas Felipe Serpa (antigo PAF1), no campus de Ondina na Universidade Federal da Bahia. Ramon é mestrando do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura) e integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS).

O trabalho foi orientado pelo professor Leandro Colling, que irá presidir a banca composta por Ana Karina Canguçú Campinho e por Maurício Matos. A dissertação trata sobre o abuso sexual contra crianças e sobre como essas violências são analisadas por determinados textos acadêmicos que colocam as vítimas como futuros abusadores, transformando-as em um futuro algoz, ou eternas vítimas pelas quais devemos nutrir piedade, cuidado e tratamento. Ramon busca problematizar esses dois papéis e para isso se abastece em experiências pessoais, diálogos com outras perspectivas teóricas e na filmografia de Almodóvar.

A defesa é aberta à qualquer pessoa interessada.

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A turma do componente curricular Culturas, gêneros e sexualidades, ministrada em 2016 pela primeira vez no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscutura) pelos professores Leandro Colling e Djalma Thürler, coordenadores do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), vai encerrar o semestre de uma forma diferente. Após passar o semestre estudando como várias pessoas analisaram práticas artísticas ligadas às dissidências sexuais e de gênero, a turma resolveu ela mesma promover uma atividade artivista. Foi assim que surgiu a ideia de realizar o oCUpaUFBA, inspirado nas chamadas zonas autônomas temporárias (taz), espaços criados pelos movimentos de ocupação de espaços públicos que se espalharam pelo mundo para reunir pessoas contrárias a várias normas que produzem diversos processos de subalternização.

A atividade oCUpaUFBA será realizada na tarde e noite do dia 18 de outubro, na Praça das Artes, no campus de Ondina da UFBA. Confira abaixo a programação (sujeita a alterações).


#oCUpaUFBA

contra a lógica binomial simplista que anula todas as diferenças. pela rede de afetos irmanados na grama viva da terra. pela implosão das categorias de gênero e sexualidade e da política que controla corpos e afetos. celebrar a resistência à lógica carrocrata neoliberal hegemônica golpista.

novas práticas. novos saberes. artivismos emergentes.
desprogramação de inconscientes coloniais.
zona autônoma temporária (taz) para um laboratório das diferenças

dia 18/10 (terça)
onde: monte central da praça das artes e banheiro do PAF V
das 14h às 20h

13h - concentração
14h - fundação da taz com ritual de construção de tendas e apropriação do território
15h30 - DJ Adriana Prates
Sarau de escrituras queer: Dan Dan, Divine Kariry, Rafaela, Francisco Sena
Performances: Nágila Goldstar, Yuri Tripody, Rafa Jones
Stileto: Elivan Nascimento, Ana Talita
Instalação varal selvático - intervenção stencil graffiti - artista visual Margarida Morena
Exposição: Arte Mixuruca - Pendurado no Firmamento - artista visual Pedro Magalhães
Alex Igbo - lambe lambe
16h30 - New Black - Grupo de Pagode do Subúrbio
17h - Moover Dance - Grupo de Funk de Plataforma
17h30 - performance com Stéfano Belo
18h - Jam session: Vércia Gonçalvez, Vanessa Mello, musicistas integrantes da feminaria (grupo de pesquisa e experimentos sonoros artivistas)
> Escritas sapatânicas com Raphaella Oliveira
19h - Performance com Anderson Fontes
19h45 - Protocolo.doc com Daniel Moura
20h - DJ Jerônimo Sodré
20h30 - After banheirão PAF V

o q levar: poesia, teu corpo, comidas, frutas, instrumentos, máquinas fotográficas, celulares, tudo que traga prazer e reproduza afetos.

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A Periódicus – revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades - torna pública a chamada de textos para o dossiê de seu sétimo número, a ser lançado no primeiro semestre de 2017. O dossiê, intitulado Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas (leia chamada abaixo), será organizado pelas professoras e pesquisadoras Ana Cristina C. Santos (Universidade Federal de Alagoas), Simone Brandão Souza (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) e Thaís Faria (Universidade Federal da Bahia).

Os textos devem ser enviados até dia 6 de março de 2017 exclusivamente através do site da revista (https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus) dentro das normas disponíveis na sessão 'Diretrizes para autores' (ver (http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/about/submissions#authorGuidelines). A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

Até o final de 2016, estará online o sexto número da revista, com o dossiê Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados.

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia. Para acessar a revista, clique aqui.

Dossiê Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas.

No dossiê “Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas” pretendemos pensar as existências e resistências lésbicas a partir das diferenças articuladas que criam lugares complexamente situados na nossa sociedade. Partiremos das perspectivas das identidades de gêneros, raças e sexualidades a fim de enfocar a vulnerabilidade social e a resistência - potencializada na capacidade de agência lésbica - a partir do conceito de interseccionalidade, situando o entrecruzamento de diversos marcadores, nos quais vivências subalternizadas existem e resistem rasurando as normatividades.

As análises interseccionais, que tiveram sua origem na articulação das demandas das produções teóricas e ativistas feministas, com grandes contribuições das negras, lésbicas e de “terceiro mundo”, se preocuparam inicialmente com o “falar sobre raça através de uma lente que observe a questão de gênero, ou pensar e falar sobre femininsmo através de uma lente que observe a questão de raça.”, (Crenshaw, 2014). Posteriormente, a perspectiva interseccional foi incorporando à questão de raça e gênero outras interfaces, como classes sociais, orientações sexuais, faixas etárias, colonialidades, religiosidades, diversidades funcionais, a que Crenshaw (2002) chamou de fatores de subordinação, “acúmulos de discriminação” ou interseccionalidades.

Os panoramas dos estudos interseccionais, subalternos, queer e pós-coloniais têm desenvolvido uma produção teórica voltada para a reflexão crítica e para a intervenção política. Desse modo, privilegiamos nesse dossiê tais abordagens, em especial a abordagem interseccional por entendermos não apenas sua importância no pensamento feminista, incluindo-se aí o feminismo negro e o feminismo lésbico, mas também por compreendermos ser necessário desenvolver análises que não tratem as lesbianidades de forma homogênea, mas que afirmem as diferenças de classe, raça, religião, geração, dentre outras especificidades constitutivas da forma como vários grupos de mulheres vivenciam a discriminação e/ou agenciam sua resistência. No campo epistemológico, a interseccionalidade estabelece um diálogo importante com perspectivas pós estruturalistas e desconstrucionistas, favorecendo reflexões críticas e um pensamento mais criativo e mais complexo.

Portanto, os determinados lugares sociais, de formas de ser e estar no mundo, materializadas em suas relações interpessoais, são os debates a serem realizados neste dossiê que tem a preocupação ainda de conferir às lesbianidades um olhar mais autônomo e menos impregnado da concepção gay-masculina-patriarcal, que invisibiliza nuances próprias das lesbianidades.

Queremos pensar, a partir da perspectiva das lesbianidades, escritos e práticas artísticas feministas, refletindo sobre a potência de nossas existências e resistências! Afinal, Sapatão não é bagunça! É revolução!

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Duas pessoas que integram o grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) participam de dois eventos nos próximos dias. No dia 21 de setembro, às 19h, a pesquisadora Viviave Vergueiro (foto) irá integrar o I Ciclo de Palestras Direito, Crítica e Sociedade, sobre o tema Gênero e Multiplicidade, no auditório Jorge Amado, da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus. A realização é do grupo de pesquisa Jurisdição constitucional, hermenêutica e democracia.

Já Djalma Thürler participará de uma mesa redonda no dia 28 (quarta-feira), das 18h30 às 20h30, sobre o tema Cultura LGBT fora do armário: identidades e representações, no auditório do PAF 5 da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A iniciativa é da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações sobre os dois eventos nos seguintes endereços:

https://www.facebook.com/ciclodepalestrasdireitocriticaesociedade

https://cidadaniaculturaldabahia.wordpress.com/2016/09/13/cultura-lgbt-e-tema-da-2a-edicao-do-cidadania-cultural-em-debate/

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Amara Moira lança, na próxima sexta, dia 9 de setembro, às 18h, no auditório do Pavilhão de Aulas 5, do campus de Ondina, na Universidade Federal da Bahia, o seu livro E se eu fosse puta?
A atividade ainda contará com uma mesa redonda formada pela autora, que é doutoranda em crítica literária pela Universidade de Campinas, e por Viviane Vergueiro, pesquisadora e ativista transfeminista ligada ao grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade, e Keila Simpson, ativista travesti. "E se eu fosse puta é o quê? Você leitor que me diz. Tem um pouquinho de tudo, mas sobretudo verdade, dessas que a gente gosta bem escondidinha, debaixo do tapete, o dia a dia da rua, a barganha, o homem depois de gozar", conta Amara.

Segundo ela, o livro trata da sua experiência na prostituição e de um "corpo que não tem lugar, corpo que se fazia à revelia das regras, das normas, corpo que se prestava pra sombra, essa era eu e eu não fazia sentido, sequer sabia aonde eu queria chegar. Quem me entendia? Esse livro é sobre a escolha que não faz sentido, esse livro é sobre buscar porquês. E se eu fosse puta? E se eu fosse você?", pergunta ela.

A atividade está sendo organizada pelo grupo Cultura e Sexualidade (CUS), do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, da Universidade Federal da Bahia.


E se eu fosse puta?

Autora: Amara Moira

Editora Hoo - 216 páginas

R$ 35,00 (pagamento apenas em dinheiro)

Quando: 09/09/2016 (sexta) - 18h

Onde: auditório do PAF 5 - Campus de Ondina - UFBA

 

 

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Dois intengrantes do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) defenderão seus trabalhos de pós-graduação nos próximos dias. No dia 1º de setembro, às 14h, na sala 301 do Pavilhão de Aulas 4, campus de Ondina, o mestrando Samuel Macêdo defende a dissertação Entre beatas, multidões e travestis: uma cartografia da abjeção do cinema do Cariri cearense. O trabalho analisa a produção de vários filmes produzidos naquela região em diálogo com os estudos sobre cinema, pós-coloniais e queer. A banca será composta por Maurício Mattos e Salete Maria, além do orientador Leandro Colling.

Já no dia 5 de setembro, às 14h, na sala de videoconferência do PAF3, é a vez de Carlos Henrique Lucas Lima defender a sua tese de doutorado, intitulada Linguagens pajubeyras: re(ex)sistência cultural e subversão da heteronormatividade. O doutorando defende que a tese de que as linguagens pajubeyras se constituem em um repertório vocabular e performativo de resistência aos regimes regulatórios de gênero e sexualidade (vide composição da banca no folder).

Os dois trabalhos foram orientados pelo professor Leandro Colling, coordenador do CUS, e realizados no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura), do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos da UFBA

As defesas são públicas e abertas para qualquer pessoa interessada.

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A quinta edição da Periódicus, revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades, do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), será lançada no próximo sábado, dia 16 de julho, às 18h30, no auditório 2 do PAF 5 da Universidade Federal da Bahia.

O lançamento ocorrerá durante a mesa redonda CUS produzem conhecimentos? Dez anos de grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade na UFBA, proposta por Leandro Colling e Ramon Fontes no Congresso de 70 anos da UFBA. A Periódicus é uma revista online que pode ser acessada aqui.

A quinta edição conta com um dossiê sobre transidentidades e suas relações com a psicanálise e a psicologia, organizado por Patricia Porchat, professora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (campus Bauru), e Thamy Ayouch, professor da Universidade de Lille 3.

O dossiê conta com 17 textos de ativistas e/ou psicólogos e psicanalistas. Esses textos foram selecionados dos 29 trabalhos enviados ao dossiê. Além disso, a revista publica seis textos em sua sessão livre, o que totaliza 362 páginas. “Estamos muito satisfeitos com o resultado. A revista ainda não foi avaliada pelo sistema Qualis Capes mas mesmo assim tem recebido um impressionante número de excelentes artigos, o que mostra que faltava no Brasil uma publicação como a Periódicus", comemora Colling, que edita a revista junto com Carlos Henrique Lucas.

Textos para o dossiê da sexta edição da Periódicus, intitulado Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados, organizado pelos pesquisadores João Manuel de Oliveira (ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa) e Tiago Sant´Ana (UFBA), podem ser enviados até o dia 11 de setembro. Confira a chamada completa aqui

 

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Integrantes do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) participarão de sete atividades no congresso de 70 anos da Universidade Federal da Bahia, que será realizado de 14 a 17 de julho.

Atividades propostas por integrantes do CUS:

Dia 16 de julho, sábado, das 18h30 às 20h30, auditório 2 do PAF 5, mesa: CUS produzem conhecimentos? Dez anos de grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade na UFBA, com Leandro Colling e Ramon Fontes;

Dia 17 de julho, domingo, das 8h às 10h, sala 111 do PAF1, mesa: Educação, gênero e direitos humanos, com Carla Freitas Dos Reis, Viviane Vergueiro e Bento Chastinet;

Dia 17 de julho, domingo, das 14h às 17h, sala 9 da Faculdade de Comunicação, mesa: Encruzilhadas interseccionais: raça, gênero, sexualidade e os caminhos da interseccionalidade, com Daniel dos Daniel Dos Santos, Iraildes Andrade, Cristiano Rodrigues, Suely Messeder e Osmundo Pinho

Atividades propostas por outras organizações com participação de pesquisadorxs do CUS:

Dia 15 de julho, sexta, das 8h às 10h, auditório 1 do PAF 5, mesa: Ações afirmativas e universidade, com a participação de Viviane Vergueiro;

Dia 15 de julho, sexta, das 8h às 10h, auditório 2 do PAF 5, mesa: Gênero, feminismo e sexualidade: a UFBA em destaque, com a participação de Leandro Colling;

Dia 15 de julho, sexta, das 8h às 10h, auditório da Faculdade de Farmácia, fórum: A concepção de família na atualidade: novos olhares na perspectiva da pesquisa acadêmica, com a participação de Priscila Costa

Dia 17 de julho, domingo, das 9h às 10h, sala 304 do PAF3, mesa: Pensando a extensão na UFBA: contexto histórico, avanços e novos desafios, com Djalma Thürler.

A programação completa do congresso pode ser acessada em http://www.congresso.ufba.br/

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A Periódicus – revista de estudos indisciplinares em gêneros e sexualidades, lança hoje (dia 24 de maio, terça-feira) a chamada de textos para o dossiê de seu sexto número. O dossiê, intitulado Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados (leia chamada abaixo), será organizado pelos pesquisadores João Manuel de Oliveira (ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa) e Tiago Sant´Ana (UFBA). Ambos, juntamente com Thaís Faria (UFBA), hoje participam de uma mesa redonda com o mesmo título no encerramento das atividades do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) no Maio da Diversidade 2016. A atividade ocorrerá às 17h, no auditório 1 do PAF 5 (campus da UFBA em Ondina). O prazo para envio de textos ao dossiê encerra dia 11 de setembro.

O quinto número da revista Periódicus deverá ser lançado em junho de 2016, com o dossiê intitulado Corpo, política, psicologia e psicanálise: a produção de saber nas construções transidentitárias, organizado por Patrícia Porchat, professora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (campus Bauru), e Thamy Ayouch, professor da Universidade de Lille 3. O dossiê contará com 17 textos dos 29 submetidos. O quarto número da revista conta com o dossiê Guerrilha de linguagem (foto capa), organizado por Carlos H. Lucas, Anselmo Peres Alós. Para acessar a revista clique aqui.

A revista é uma publicação semestral de divulgação científica do Grupo de Pesquisa CUS - Cultura e Sexualidade, criado em 2007 e vinculado à Universidade Federal da Bahia, ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, ao Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade e ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT). 

Leia a chamada de textos para o sexto dossiê:

O dossiê “Genealogias excêntricas: práticas artísticas queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados” prevê como espaço de imersão projetos e iniciativas que investigam uma genealogia das políticas de dissidências sexuais e de gênero através das artes. Partindo por outras vias que se distanciam do cânone acadêmico, a proposta é entender como poéticas artísticas, escritas indisciplinadas e outras modalidades de conhecimentos subjugados foram esquecidas na escrita da história do que viríamos a conhecer hoje como "queer". Com esse dossiê, buscamos realizar um trabalho de garimpagem de relatos, críticas e outros formatos de composição de saberes que dialoguem com as artes e políticas da dissidência sexual e de gênero, numa tentativa de observar linhas de fuga para outra genealogia do queer. O dossiê deseja ainda reunir outras traduções artísticas que realizem uma torção ou estranhamento à própria ideia de queer, como as artes cuir, cu, quAre, etc. Este excêntrico é, pois, duplo, um saber/práxis dessubjugado e fora dos centros da colonialidade e da legitimação dos saberes.

Prazo para envio de textos: 11 de setembro de 2016

Os textos deverão ser enviados exclusivamente para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. dentro das normas disponíveis na sessão 'Diretrizes para autores' no site da revista (http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/about/submissions#authorGuidelines). A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

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O encerramento das atividades do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) no Maio da Diversidade 2016 ocorrerá neste dia 24 (terça-feira), às 17h, no auditório 1 do PAF 5 (campus da UFBA em Ondina), com a mesa redonda intitulada Genealogias excêntricas: artes queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados. A mesa, criada com o objetivo de pensar sobre as relações entre produções artísticas e as dissidências sexuais e de gênero, será composta por três pessoas que integram o CUS: João Manuel de Oliveira (ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa), Tiago Sant´Ana (UFBA) e Thaís Faria (UFBA). O tema da mesa também será alvo do dossiê da edição número 6 da revista Periódicus. A chamada de textos será divulgada durante a atividade. 

 

Na comunicação Dançando Judith Butler em Nossa Senhora das Flores: para uma genealogia excêntrica do gênero, João Manuel de Oliveira fará uma genealogia que recusa e resiste às historiografias dominantes e visa repensar o próprio projeto historiográfico das teorias de gênero. “Tento procurar o modo como o discurso se constitui como sistema sobre o qual se pode dizer o que é verdadeiro ou falso, via Foucault. Traçando essa genealogia no caso português, que é também a minha, procurei detectar a emergência de um conceito de gênero marcado pela performatividade (Butler) e encontro-o na obra de Francisco Camacho, em Nossa Senhora das Flores, 1993, primeiro marco da performatividade de gênero em Portugal antecedendo os usos acadêmicos do conceito. Assim, poderíamos pensar que o gênero em Portugal se dançou primeiro e se pensou depois”, defende o pesquisador.

A intervenção de Tiago Sant’Ana segue na mesma proposta e recebeu um provocativo título: O queer foge do sul-sudeste: uma interpretação peba, anti-oficial, indisciplinada e desautorizada da genealogia do queer no Brasil. “A apresentação investiga as genealogias do queer no Brasil. Recusando uma historiografia oficial, a proposta é lançar um olhar a partir de uma mirada duplamente excêntrica: uma ao recusar o que se convencionou como o centro produtor dos estudos queer no Brasil (sul-sudeste) e outra que questiona a supremacia de uma linguagem textual-científica para entender e historicizar a perspectiva queer no país”, conta ele. Nesse sentido, continua, a ideia é pensar como a arte vem sendo utilizada como linguagem de um ativismo de dissidência sexual e de gênero antes mesmo do surgimento do que viria a ser chamado de queer. “Dito de outro modo, a proposta é estranhar a historiografia da perspectiva queer no Brasil”, diz.

Já em (Des)construindo performances: o feminino como sujeito na Pornografia Feminista, Thais Faria analisará a Pornografia Feminista como uma prática e um instrumento político que movimenta a estrutura e o imaginário hierárquico e normativo diante da sexualidade feminina. “A proposta é que a Pornografia Feminista tem a potência de desmitificar os padrões culturalmente sedimentados, tentando borrar os limites de existência colocados na nossa sociedade para que a diferença se converta em discurso de poder e empoderamento das sujeitas através da movimentação e intersecção das categorias sexo, sexualidade, gênero, etnia, corporeidade, classe social e colonialidade”, explica.

A entrada é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia. Participantes receberão certificados.

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Terça, 17 Maio 2016 12:15

Impotências de uma arte queer

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Matheus Araujo dos Santos - doutorando pela ECO-UFRJ e integrante do CUS

A palavra queer, de origem inglesa, designa o que é estranho, exótico, raro. Desde o século XX ela passa a ser usada como ofensa contra dissidentes sexuais; sapatonas, travestis, viados e outros sujeitos que apresentem alguma ameaça ao regime sexopolítico vigente.

A partir do final dos anos 80 e início dos 90, nos Estados Unidos, o termo aglutina uma série de práticas estéticas, políticas e teóricas que apostam na positivação da injúria. O monstruoso e o abjeto passam a ser local de afirmação e de produção de novas estratégias de luta. O corpo é, então, entendido como arma contra os modelos heteronormativos que esmagam as existências anormais.

A crítica queer incide sobre as construções binárias de gênero e as formações identitárias monolíticas. Pensar em uma Arte Queer no contexto brasileiro exige um esforço de deslocamento do termo e o questionamento das reais potências de tal categorização. Neste texto, proponho três sugestões para uma aproximação queer das artes por aqui produzidas e descrevo alguns trabalhos artísticos que acredito levantarem a questão de forma potente.

I - Se quisermos nos aproximar das artes através de uma perspectiva queer não devemos seguir nenhuma espécie de cânone.

Não há possibilidade de uma História Oficial. O queer surge nas fraturas nos sistemas e nos gestos que atentam contra o normal. A adesão a linhagens canônicas seria um erro na medida em que produziríamos outra vez hierarquias e graus de importância, criando novamente um centro legítimo e suas margens não-autorizadas.

Pensar as artes brasileiras através de uma perspectiva queer não significa, portanto, o mesmo que pensar em uma Arte Queer Nacional, pois isso conduziria à produção de nichos que serviriam apenas ao mercado e às transações financeiras no campo das artes. Estaríamos produzindo outra normalidade, como afirma Helder Thiago Maia ao discutir as possibilidades de uma literatura queer em seu livro Devir Darkroom (2014).

Não existe arte queer em si; queer é sempre uma relação que não pode ser reduzida a um conjunto de obras ou de artistas, mas depende diretamente das possíveis fissuras causadas por gestos artísticos em determinado contexto econômico, político, sexual etc.

Partir de uma perspectiva queer significa dar atenção aos momentos nos quais essas práticas perturbam os discursos hegemônicos sobre gênero e sexualidade. Mas não só. Os gestos queer tendem também a uma quebra na estabilidade da própria forma, dirigindo-se não apenas a questionamentos temáticos, mas problematizando o próprio fazer artístico.

Na década de 70, sob o regime da ditadura militar no país, os Dzi Croquettes confundiam espectadores e agentes da repressão com seus corpos híbridos e discursos afiados. “Não somos homens. Não somos mulheres. Somos gente como vocês”, diziam com um sarcasmo provocador de um riso muitas vezes confuso. As rigorosas técnicas de dança e encenação da Broadway serviam a mais profana celebração dionisíaca. As suas existências ameaçavam o sistema político e a ordem sexual, visto que o modo de vida Dzi ultrapassava as apresentações no palco e formava redes políticas e afetivas reais em um cenário de tomada militar. O mesmo pode ser dito do Vivencial, grupo de teatro Olindense que no mesmo período investia na criação coletiva e na irreverência como estratégia de transgressão.

Ainda que uma perspectiva queer (hoje profusa em aparatos teóricos) nos evidencie as rupturas na ordem sexopolítica causada pelos grupos, categorizá-los como Arte Queer seria abrir mão do que neles há de mais potente; o questionamento de identidades fixas que limitam as possibilidades de experienciação e intervenção no mundo.

O queer -como se dá a conhecer enquanto paradigma estético, teórico e político- emerge cerca de duas décadas após as ações do Dzi e do Vivencial. Aceitá-lo como molde interpretativo estanque das poéticas desenvolvidas no Brasil e na América Latina, seja no passado ou no presente, parece pouco potente tendo em vista o nosso contexto marcado pela colonização, exploração escravagista e processos de miscigenação amparados por projetos estatais de embraquecimento. O quadro geopolítico brasileiro é formado por uma série de questões às quais o queer não pode passar imune.

II - O queer deve ser deformado pelo contexto geopolítico do Brasil

A difícil tradução da palavra para línguas latinas denota o problema do seu uso na conjuntura sul-americana. Parte dxs ativistas, teóricxs e artistas já se deram conta disso. Outra parte parece reproduzir a tentativa de transformar o queer em uma identidade entre tantas outras, prontas para a venda e o consumo. Processo que pode lhes garantir um espaço reservado em instâncias como a Academia e o Museu; Teoria Queer, Arte Queer, Shopping Queer...

Assumir a existência de uma Arte Queer Brasileira sem nenhuma reflexão sobre como determinados saberes e práticas nos são impostos é, para além de estar a serviço das forças capitalistas, continuar a reproduzir o processo de genocídio epistemológico ao qual fomos submetidos desde as invasões européias.

Em um show em Salvador, em 2008, Pêdra Costa, a frente da banda Solange Tô Aberta!, tira um terço do cu enquanto canta ao som do batidão do funk. Com tanga, cocar, cílios postiços e o corpo raspado pela metade, Pêdra, ao lado de Paulo Belzebitchy, que fazia parte do projeto na época, canta letras com conteúdo político explícito: “Homossexual é uma categoria/ inventada no século 19/ Antes era putaria, sacanagem e vê se fode!/ Sodomia era o nome/ Da bendita doação/ Era, era tão sagrado/ Dar o cu por diversão!”.

Hija de Perra, artista e ativista chilena, deixa como seu principal legado a crítica incisiva à dominação dos nossos desejos pelos processos de colonização dos quais somos resultado. Não haveria, por aqui, outras configurações corporais, desejantes e sexuais antes que os povos originários fossem submetidos aos valores culturais europeus?

Ao tirar o terço do cu, Pêdra parece reivindicar estas questões. O terço cagado é consequência de um processo antropofágico atento aos excrementos que produz. É preciso deformar o queer. “Diga ‘queer’ com a língua para fora”, sugere o ativista Felipe Rivas: Cuír... Quier... Kuir...

III - Práticas kuir são práticas marginais.

Em 2014 na cidade de Rio das Ostras/RJ, a artista Raíssa Vitral enfia uma bandeira do Brasil na buceta, que depois é costurada pelos lábios, aprisionando em um gesto violento o símbolo da pátria. A ação do Coletivo Coiote provoca horror em muitos que a assistem. No dia seguinte o jornal O Globo publica uma matéria cujo título inquire: “Performance ou Crime?”. Em seguida o aparelho judicial é acionado na tentativa de condenação do que por muitos foi entendido como um ritual satânico. Na internet chovem bravatas. A artista tem sua imagem e endereço divulgados e é ameaçada de morte.

O kuir é o crime. É o atentado violento que revela as estruturas de opressão, explicitando quais corpos são perseguidos, violados e exterminados em uma sociedade guiada pelo machismo, a heteronormatividade e o racismo.

O kuir é o marginal; mendigx, puta, drogadx, menor, assaltante, assassinx, índix, travesti, pretx, punk, imigrante ilegal. As práticas artísticas guiadas por uma perspectiva kuir devem estar conectadas a toda essa rede non grata.

Em 2015, em Veneza, x artista Jota Mombaça demarca em um mapa mundi as fronteiras do Brasil, Estados Unidos e Europa. Com o próprio sangue estabelece os limites territoriais e escreve em letras garrafais THE COLONIAL WOUND STILL HURTS (A FERIDA COLONIAL AINDA DÓI). Não há possibilidade de paz. 

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O grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) realiza nesta terça-feira, 17 de maio, Dia Mundial de Combate à Homofobia, uma homenagem ao escritor Caio Fernando Abreu (foto). A atividade 20 anos sem Caio Fernando Abreu irá ocorrer às 17h no auditório do Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF 3), campus de Ondina, e contará com uma mesa-redonda, a leitura dramática de uma nova peça teatral de Djalma Thürler e a exibição de filmes de curta-metragem inspirados nas obras de Caio.

A mesa redonda será composta pelos professores Alexandre Nunes (UFCA) e Paulo Garcia (UNEB). Alexandre apresentará fragmentos dos contextos políticos e suas reverberações tanto na escrita ficcional como na produção jornalística do autor gaúcho. “Vou abordar aspectos do Caio F. no desbunde experimental, o Caio dark pós-Lennon e o Caio jardineiro pós-AIDS”, disse ele. Já Paulo vai enfatizar que a obra de Caio Abreu produz algumas formas de subjetividades dilatadas. “A leitura que viso para o teatro do autor busca expressar personagens que estão situadas na contraface da normatividade de gênero e na reivindicação de identidades sexuais”, explicou.

Logo após a mesa redonda, Djalma Thürler fará uma leitura dramática de um texto de sua autoria que estreia em setembro, com a ATeliê voaOR Companhia de Teatro. “Hay cuerpos que no deben repertise em la aurora” retrata o universo amoroso em Caio F.

Depois da leitura dramática, serão exibidos três curtas metragens baseados na obra de Caio: Morangos mofados, Sargento Garcia e Dama da noite. Para saber quem foi Caio, clique em http://www.caiofernandoabreu.com/

A homenagem a Caio Fernando Abreu faz parte das atividades do CUS no Maio da Diversidade. Outras duas atividades também estão previstas para esta semana. No dia 18, na sala 106 do PAF5, às 18h, ocorre um debate sobre cisgeneridade com a pesquisadora e ativista Viviane Vergueiro.

Já no dia 19, às 17h, na sala 303 do PAF4, será realizada uma roda de discussão sobre ativismos da monogamia compulsória, com Mônica Barbosa, autora do livro Poliamor e Relações Livres: do amor à militância contra a monogamia compulsória.

Para finalizar, no dia 24 de maio, às 17h, no auditório 1 do PAF 5, a mesa redonda intitulada Genealogias excêntricas: artes queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados, com João Manuel de Oliveira (Portugal), Tiago Sant´Ana e Thaís Faria.

A entrada para todas atividades e gratuita, sem necessidade de inscrição prévia. Participantes receberão certificados.

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Sexta, 06 Maio 2016 13:12

Que educação nós queremos?

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Claudenilson Dias

 

A Assembleia Legislativa da Bahia, sob a presidência do deputado Marcelo Nilo (PDT), aprovou o projeto de lei 21.625, o Plano Estadual de Educação para os próximos 10 anos. O PEE foi construído a partir do diálogo das comissões permanentes de Direitos Humanos, Mulheres e da Igualdade Racial com os movimentos sociais diretamente atingidos pelas discriminações e violências.

O plano, em sua versão inicial, tinha a perspectiva de pautar as questões ligadas às relações de gênero, das sexualidades, as étnico-raciais e da pluralidade religiosa. Entretanto, por conter, em seu texto base, menções a esses marcadores sociais das diferenças, causou uma reação política de parlamentares fundamentalistas religiosos. E isso provocou um “acordo” excludente, uma artimanha política (bem parecida com as maracutaias políticas vindas de Brasília). Com isso, uma emenda, apresentada após a suspenção da sessão da Comissão Especial de Direitos Humanos, sem a participação da comissão de Mulheres, retirou as menções aos marcadores sociais, que foram substituídos pelo termo diversidade. Mas nossas políticas de educação já não são pensadas dessa forma? As populações LGBT’s não continuam sendo hostilizadas nos espaços escolares? E onde estão as pessoas trans* nessa história que não consigo encontrá-las nos corredores escolares e nas salas de aula?

Se, por um lado, tal emenda nos permite contemplar o PEE sem as mãos sujas de um manipulador de massas, nos vemos diante de um quadro muito simples e evidente: o da completa falta de interesse da “Casa do Povo” em peitar, efetivamente, as pautas em questão. O que se pôde presenciar na AL-BA foi um grande quantitativo de militantes, estudiosas/os, pesquisadoras/es e estudantes secundaristas reivindicando suas pautas àqueles que foram eleitos para representar segmentos sociais.

Sob a defesa de que a diversidade daria conta de todas as demandas sociais, considero, particularmente, um retrocesso não ver um plano construído em conjunto com a sociedade civil organizada ser efetivamente aprovado. Lembro aqui do quanto o Governo Federal permitiu retrocessos como esse quando vetou o “Programa Escola Sem Homofobia”, pejorativamente apelidado de Kit-Gay, que buscava contrapor as ações de violação dos direitos das populações LGBT’s no âmbito das escolas. Isso ocorreu sob a égide desse mesmo discurso fundado numa verdade de família permitido por alianças que levaram o governo ao lugar que hoje ocupa. Acredito que nem eles mesmo creiam nessa configuração familiar que, conforme o berro deles da AL-BA, venceu.

Sou negro e vejo, na periferia de Salvador, a guerra armada contra nós (meninxs negrxs afeminadxs) e segurança pública, que deveria nos defender [que doce utopia], não o faz. Pelo contrário, na última quarta, o que vimos foi a segurança privilegiar o coleguinha de profissão com a desculpa esfarrapada de que estavam tentando contemplar os dois públicos. Ora, se queriam o privilégio de ocupar as galerias da AL-BA que chegassem às 11h como eu e muitos afetos fizeram. E olha que a AL-BA tem uma regra para a ocupação da galeria, hein?! 

Sou “viado”, como fomos chamadas/os pelo elenco de um teatro fundamentalista armado por #aquelequenãodevesernomeado. Fui inclusive convidado a me converter com a célebre frase: “Ah que desperdício! Se eu tivesse um desse lá em casa!” Gente, olha só. Se as “irmãs” (dele) me desejam, por que eu não posso beijar quem eu quiser? Ah! Estou começando a entender. Meu corpo negro pode ser objeto de desejo dela, mas eu não posso ter desejos distintos dos dela!

A mesma irmã falava que as “escolhas sexuais” devem ser feitas por pessoas adultas e não por crianças, se referindo ao modo como as construções de gênero seriam perniciosas para suas crianças, uma vez que, na concepção dela, “escola não é lugar para isso!”. Essa visão deturpada nasce a partir de discursos de ódio das mentalidades assombradas que os líderes dela ajudam a edificar. Logo, entendendo que os conceitos de gênero, sexualidades, raça/etnia e religiosidades poderiam ensinar a essas pessoas o quanto elas são constituídas por diversos sistemas de ideias. Dentre eles, a tão combatida “ideologia de gênero”, que só serve de âncora para defesas equivocadas de um formato de família extremamente falido.

Retruco: lugar de que, fia!? Escola é lugar para todas as pessoas. Se não o fosse, o Estado não elegeria essa instituição para, em parceria com as famílias, promover modificações sociais. O meu entendimento é de que um dos papéis fundamentais da escola ainda é o de educar, efetivamente, e não ensinar a fazer sexo, como eles têm defendido de modo equivocado, tampouco a orar.  

Sou de Candomblé, essa é a forma como eu expresso a minha fé e um modo de socializar, respeitar e organizar pautas de gênero e sexualidade. O nosso espaço é aberto a todas/os que queiram propor novos modos de perceber a sociedade em que vivemos. Sinceramente, não concebo a ideia de fundamentalistas falarem em nome de outros segmentos religiosos e vi isso na Assembleia: #aquelequenãodevesernomeado falou em nome das religiões de matrizes africanas! Uma lástima, uma vez que aquele que fala busca relacionar as divindades da minha religiosidade ao demônio cristão, criado e utilizado para punir aos manobrados convertidos pelos seus discursos de ódio. Mas esse episódio se deu muito pela desmobilização do povo de Candomblé que, mesmo estando convidadas/os a compor uma frente de enfrentamento, se refutou a participar. Uma pena!

Sou estudante do Programa de Pós-Graduação de Estudos Interdisciplinares em Mulheres, Gênero e Feminismo - PPGNEIM, curso filiado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher – NEIM e pesquisador do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade – CUS (UFBA), instituições que pautam a dimensão de gênero como um conceito sócio histórico e em modificação, em razão da perspectiva multifacetada que essa categoria analítica tem. Gênero é caro para nós feministas e ligadas/os às perspectivas (des)viadas/queer por conta dos processos de opressão que encontramos no nosso dia-a-dia, em função das estatísticas de mortes atualizadas a cada dois minutos, de mulheres e LGBT’s. Ou seja, não pensamos gênero como essa “ideologia de gênero” apontada por ignorantes do assunto que, por sinal, a constituíram para colocar os insurgentes no seu devido lugar. Mas, se ligue: o nosso lugar quem determina somos nós!

Somos todxs militantes e insurgentes mesmo. Viado, Bi, Trava, Trans*, Sapatão  buscando a revolução e, justo por isso, não nos representamos no modo como alguns parlamentares (ou moleques) se portam na dita “Casa do Povo”, fazendo leitura bíblica e culto ao invés de uma leitura e boa interpretação da Constituição Federal, demonstrando falta de embasamento teórico-político para tratar de questões diversas, mantendo conversas paralelas em meio à plenária, sobretudo no momento de fala das guerreiras que apontavam os equívocos daquela casa. Sem contar as ameaças, do presidente da sessão, de demitir qualquer funcionária/o que se posicionasse contra a Casa e mais ameaças direcionadas aos movimentos sociais – que seriam postos para fora - por se posicionarem contra as politicagens ali vistas. Atitudes repudiáveis e de nenhum prestígio dos que foram eleitos para representar o povo.

Mesmo sabendo da laicidade do Estado, é importante rememorar que a educação não deve passar por nenhum caminho orientador religioso. No que se refere ao debate racial, a Lei 10.639 pode ainda não ser efetiva em todo o país, justamente, pelo confronto diário a que professoras/es estão submetidas/os. Logo, faltam oportunidades eficazes de implementação. Para o campo das sexualidades e dos gêneros, assim como os demais, devemos pensar em estratégias de enfrentamento aos retrocessos políticos. Desse modo, a educação que queremos é aquela que inclua a todos os corpos, indistintamente.  

Pautar orçamentos, políticas públicas, formação continuada – inclusive para os deputados baianos que desvirtuam uma discussão histórica sem ao menos conhecer/compreender –, pode ser o caminho para pensar conjuntamente esses segmentos sociais. E não menos importante, precisamos, com máxima urgência, buscar caminhos para ocupar os espaços de decisão política, quer seja nos envolvendo politicamente com nossas histórias, quer seja aprendendo a eleger nossas representações. Por fim, para nos educar, precisamos de educadoras/es preparadas/os e abertas/os às transformações sociais vividas por todas/os as/os brasileiras/os. A educação pretendida não é, de forma alguma, voltada para ideologia a, b ou c, mas uma educação que consista em conquistas fundamentais para a avanço de todas as pessoas, sejam elas quais forem e, claro, sem retroceder nem um passo como vem acontecendo por todo o país.  

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 O grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia, promove, na próxima sexta (dia 6), às 17h, o lançamento do livro Caças e pegações online – subversões e reiterações de gêneros e sexualidades, do pesquisador Gilmaro Nogueira (foto).

O lançamento irá ocorrer no auditório do Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF3), campus de Ondina, juntamente com uma apresentação do livro e palestra sobre as potências dos estudos queer, a ser realizada por Leandro Colling. Além disso, ocorrerá um debate da plateia com Gilmaro Nogueira e uma apresentação artística da drag Aimée Lumière. A atividade faz parte da programação CUS no Maio da Diversidade (mais informações em http://www.politicasdocus.com/). O livro será vendido por R$ 45 (apenas em dinheiro).

O livro é o resultado de uma pesquisa de mestrado, orientada por Leandro Colling e realizada no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Poscultura), sobre as interações afetivas e sexuais realizadas entre homens em sites de relacionamento. Gilmaro analisou 172 perfis existentes nesses sites, com o objetivo de discutir como essas pessoas compreendem às sexualidades e os gêneros, as práticas sexuais demandadas e as narrativas associadas a elas.

A análise apontou que um grande número de homens transgridem as normas sexuais e subvertem as regras sociais que estabelecem que eles devem desejar apenas pessoas do sexo oposto. “Isso, por si só, não é uma novidade. O que chamou atenção foi o grande número de sujeitos que demandam relações amorosas e/ou práticas sexuais anais e que se identificam como heterossexuais. A tarefa da pesquisa foi a de não apenas entender porque esses homens não se assumem homossexuais, mas também utilizar as suas narrativas para questionar a divisão heterossexual versus homossexual e apontar que essas práticas questionam/rasuram essa divisão”, explica Gilmaro.

No entanto, destaca ele, as narrativas desses homens demonstram que nem tudo é apenas subversão e, por isso, muitos discursos também reiteram as concepções de gênero que violentam os homens afeminados (bichas) e hierarquizam sujeitos. “Nogueira nos aponta transformações que estão ocorrendo não apenas entre as homossexualidades, mas fundamentalmente entre as heterossexualidades. Essa é uma grande colaboração do estudo. Ao invés de seguir a leva de estudos gays e lésbicos que focam as suas análises nas chamadas “minorias”, o autor mira e acerta em cheio nas heterossexualidades, que são diversas, ao contrário do que muitos pensam. E por ter tirado a heterossexualidade (friso aqui agora o uso no singular) de sua zona de conforto, Nogueira tem colecionado muitos elogios e também muitos insultos”, escreve Colling, no prefácio do livro.

Gilmaro Nogueira é psicólogo, especialista em Estudos Culturais e em Consumo e Consumidores de Álcool e outras Drogas, mestre no Programa Multidisciplinar Cultura e Sociedade. Membro do Grupo de Pesquisa CUS (Cultura e Sexualidade), colunista do Blog Cultura e Sexualidade – Ibahia e coordena um grupo de atendimento psicológico para pessoas LGBTs.

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Em comemoração ao Dia Mundial de Combate à Homofobia, 17 de maio, o grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) preparou uma série de atividades que serão realizadas na Universidade Federal da Bahia em seis dias distintos. Uma das atividades do Maio da Diversidade, a ser realizada dia 17, consiste em uma homenagem ao escritor Caio Fernando Abreu, que contará com uma mesa-redonda, a leitura dramática de uma nova peça teatral de Djalma Thürler e a exibição de filmes de curta-metragem inspirados nas obras de Caio.

Outras atividades envolvem o lançamento de um livro de Gilmaro Nogueira (dia 6), uma roda de discussão sobre monogamia compulsória, a cargo de Mônica Barbosa (dia 19), uma mesa redonda intitulada "Genealogias excêntricas: artes queerfeministatrans e conhecimentos dessubjugados", com João Manuel de Oliveira (Portugal), Tiago Sant´Ana e Thaís Faria (dia 24), e a discussão de textos, um deles sobre cisgeneridade, com Viviane Vergueiro (dia 18).

Confira no folder os locais e horários das atividades. Não é necessário realizar inscrição e serão emitidos certificados para as pessoas presentes.

"Apresentaremos algumas discussões caras às pessoas do CUS e Caio será homenageado porque neste ano completaram-se 20 anos de sua morte. Essa atividade também é uma forma de evidenciar o quanto a obra dele já estava sintonizada com o que hoje chamados de estudos queer", explicou Leandro Colling, coordenador do CUS.

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Intersexualidade: processo de designação sexual como violação aos direitos humanos. Esse é o título da dissertação de mestrado que o advogado e integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), Filipe Garbelotto (foto), defenderá na próxima quarta-feira, dia 27 de abril, às 15h, na sala T10, no térreo do Pavilhão de Aulas 4, na Universidade Federal da Bahia (campus de Ondina).

A dissertação foi desenvolvida no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade, orientada pelo professor Leandro Colling. A banca examinadora será composta pela professora Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima (Universidade Católica do Salvador) e pelo professor Maurício Matos (UFBA).

Eis o resumo do trabalho: "Este trabalho analisa o processo de designação sexual imposto às pessoas intersexuais logo após seu nascimento. A perspectiva teórico conceitual a partir da qual este fenômeno é analisado contempla a ocorrência de violação aos direitos humanos das pessoas intersexuais pelo exercício normatizador do poder. Os objetivos são: 1) discutir a imposição dos dispositivos jurídicos nacionais de existência/negação de outros sexos, além do masculino e feminino e 2) destacar a relevância da manutenção e garantia de direitos a todos e todas, em especial às pessoas intersexuais. Para dar conta do que se propõe, será utilizada uma abordagem qualitativa multidisciplinar, adotando-se como referencial teórico os estudos queer, a filosofia e os estudos dos direitos humanos. São objeto de análise as disposições do Conselho Federal de Medicina bem como os manuais de diagnóstico, como o DSM-5 e o CID-10. Também são feitas análises e considerações ao sistema jurídico nacional, em especial, à Lei dos Registros Públicos em comparação com o respectivo sistema legal de alguns países. Nas considerações finais, conclui-se que a realização de intervenções médicocirúrgicas sem que a criança tenha condições de manifestar a sua vontade devem restringir-se ao necessário para a manutenção da vida, protelando-se a decisão quanto à submissão ao processo de designação sexual até o momento em que a criança possa participar do processo decisório, sob pena de haver violação aos direitos humanos e fundamentais.

A defesa é aberta a qualquer pessoa interessada.

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